Mais Angico, só para não perder o ritmo.... Por:Mendes e Mendes

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Transcrevemos em Post, comentário do amigo Zé Mendes; primeiro lugar no pódio dos comentarista do Cariri Cangaço. Deste feita, comenta a belíssima entrevista de Alfredo Bonessi a Juliana Ischiara, então: Um pouco mais de Angico, só para não perder o ritmo...

O capitão Bonessi tem razão em dizer que os asseclas e os policiais não deram as informações corretas sobre o acontecido na grota de Angicos, em 1938. Ou esconderam fatos verdadeiros ou aumentaram nas entrevistas. Em novembro de 1973, Balão cedeu entrevista à Revista Realidade, e nela eu tenho minhas dúvidas. “-Estávamos acampados perto do Rio São Francisco. Lampião acordou às 5 horas da manhã e mandou um dos homens reunir o grupo para fazer o ofício de Nossa Senhora. Enquanto lia a missa em voz alta, todos nós ficamos ajoelhados ao lado das barracas, respondendo amém e batendo no peito na hora do Senhor Deus. Terminado o oficio Lampião mandou Amoroso buscar água para o café. Mas quando ele se abaixou no córrego veio o primeiro tiro. Havia uma metralhadora atrás de duas pedras, a 20 metros da barraca de Lampião. Pedro de Cândida, um dos nossos, havia nos traído, e acho que tinha dado ao sargento Zé Procópio até a posição das camas."

Numa rajada de metralhadora serrou a ponta da minha barraca...

E continua:"Meu companheiro Mergulhão, levantou-se de um salto, mas caiu partido ao meio por nova rajada. Eu permaneci deitado, e com jeito coloquei o bornal de balas no ombro direito, o sobressalente no esquerdo, calcei uma alpargata. A do pé esquerdo não quis entrar, e eu a prendi também no ombro. Quando levantei, vi um soldado batendo com o fuzil na cabeça de Mergulhão. De repente ele estava com o cano de sua arma encostada na minha perna e eu apontava meu mosquetão contra sua barriga. Atiramos. Caímos os dois e fomos formar uma cruz junto ao corpo de Mergulhão.Levantei-me devagar. O soldado estava morto e minha perna não fora quebrada."

Então vi Lampião caído de costas, com uma bala na testa...

"Moeda, Tempo Duro (este não aparece na lista dos abatidos); Quinta-feira, todos estavam mortos. Contei os corpos dos amigos. Nove homens e duas mulheres. Maria Bonita, ferida, escondeu-se debaixo de algumas pedras. Mas foi encontrada e degolada viva. Não havia tempo para chorar. As balas batiam nas pedras soltando faíscas e lascas. Ouviam-se os gritos por toda parte. Um inferno. Luiz Pedro ainda gritou: "-Vamos pegar o dinheiro e o ouro na barraca de Lampião”. Não conseguiu. Caiu atingido por uma rajada. (Esta afirmação, contraria o que disse Mané Veio, pois nas declarações que deu aos repórteres, ele levou um bom tempo para assassinar Luiz Pedro). Corri até ele, peguei seu mosquetão e com Zé Sereno conseguimos furar o cerco.Tive a impressão de que a metralhadora enguiçou no momento exato. Para mim foi Deus".

Fala Zé Mendes...

1 - Será que depois da missa ele voltou a se deitar?

2 - Como foi que ele viu que a bala que atingiu o rei foi mesmo no meio da testa, quando ele diz que Lampião estava de costas?

3 - Como foi que no meio de um tiroteio ele teve coragem de ir pegar o mosquetão de Luiz Pedro que já estava morto?

4 - Como foi que ainda deu tempo para ele contar os mortos, pois no meio de um tiroteio, qualquer ser humano não espera por nada, muito menos para contar quem lá morreu?

5 - Como foi que ainda deu tempo para ele calçar as alpargatas?

6 - Por que Balão caiu quando ele e o policial ambos atiraram, se ele não sofreu nenhum impacto para ser derrubado? O amigo Balão fantasiou algumas respostas. Muitas verdades. É claro. Mas outras, fantasiadas. Gostaria muito que as suas respostas fossem verdades. Mas pelo que ele disse, não há como eu acreditar em todas. Acredito em partes.

Felicidade aos confrades do Cariri Cangaço, e que o amigo Severo aprove a minha discordância.

José Mendes Pereira - Mossoró-Rn.

NOTA CARIRI CANGAÇO: Estimado Zé Mendes, como diz o confrade e Mestre Alcino Alves Costa "Mentiras e Mistérios de Angico!!!!" Com a palavra Alcino, o Caipira do Poço Redondo.
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9 comentários:

alcino.alvess disse...

Severo, Zé Mendes, Juliana, Capitão Bonessi e todos os nossos heróis malucos que temos no blog Cariri Cangaço o porto seguro de nossas conversas e trocas de ideias, a todos vocês o meu carinho e o meu respeito.

Graças a Deus, através do Cariri Cangaço, as fantasias, as mentiras e os mistérios que envolvem a Grota de Angico estão sendo cuidadosamente dissecadas por nossos confrades, numa prova que as minhas inquietações tinham fundamentos.

Se formos analisar tudo que aconteceu em Angico com cuidado e carinho veremos claramente que não só o testemunho de Balão, mas todos os outros depoimentos são verdadeiras piadas.

O tiro em Amoroso, numa distância de quase 100 metros da barraca de Lampião, os dois tiros dados em Maria Bonita quando ela ia apanhar água no mesmo poço em que Amoroso estava enchendo o cantil, o som daqueles estampidos, naquela hora da manhã, até hoje eu estou ouvindo. E porque Lampião e todos os que estavam em Angico não escutaram, não ouviram nada, morreram sem brigar?

Tenham paciência! Isto é uma aberração.

Convido a qualquer um dos nossos ilustres e sérios pesquisadores a comentar sobre algum registro de Angico que pareça ser verdadeiro, a excessão, é claro, da morte de Lampião. Ou não!!!!!!

Abraços, meus queridos, deste caipira que ama todos vocês.

Alcino

Anônimo disse...

Severo, Zé Mendes, Juliana, Capitão Bonessi e todos os nossos heróis malucos que vivem a rastejar as pegadas de Lampião pelos tabuleiros e caatingas de nossos sertões, a todos vocês o meu carinho, a minha consideração e o meu respeito.

Não só o depoimento de Balão sobre o que aconteceu em Angico é fantasioso e não merece nenhum crédito, como todos os outros que estão registrados na historiografia do cangaço em relação a tudo que se refere a Angico, desde a preparação do cerco, até o instante final do célebre acontecimento.

Ainda hoje os meus ouvidos doem com a força dos estampidos do tiro que Abdon deu em Amoroso e dos dois tiros que Panta de Godoy deu em Maria Bonita, e para espanto geral nem Lampião e nem seus "meninos" escutaram nada. Ainda mais, logo após os disparos e numa distância de quase 100 metros da barraca de Lampião, Abdon, Panta e Noratinho avançaram e chegaram tão próximo, mas tão próximo da barraca de Lampião que tiveram que recuar, se proteger por detras de umas pedras para, aí sim, atirar em Lampião. Operação fácil, facílima de se realizar.

Tudo isto está registrado no "Assim morreu Lampião", do mestre Antônio amaury. Você acredita neste depoimento?

Meus amigos! Graças a Deus a maioria dos pesquisadores e estudiosos do cangaço e de Lampião estão percebendo que não é nenhum delírio de minha parte quanto a minha inquietude sobre as coisas da Grota de Angico. Este proceder de meus queridos confrades me deixa feliz e muito agradecido.

O meu abraço caipira a todos vocês.

Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo

ALCINO disse...

Severo, Zé Mendes, Juliana, Capitão Bonessi, Paulo Gastão e todos os nossos heróis malucos que vivem a rastejar as pegadas de Lampião pelo tabuleiros e caatingas de nossos sertões, a todos vocês o meu abraço, a minha admiração, o meu carinho e o meu respeito.

É certo que a entrevista de Balão está repleta de fantasias. Não foi somente o seu depoimento que assim pode ser considerado. A grande maioria, para não dizer todos, são repletos de fantasias e sem nenhum crédito.

Na verdade, e isto eu venho afirmando por muitos anos, a preparação, o cerco e o momento final da Grota de Angico, tudo isto, está envolto em uma grandiosa mentira e um tremendo mistério.

Os meus ouvidos ainda hoje doem com os estampidos dos três primeiros tiros de Angico. O de Abdom em Amoroso e os dois de Panta de Godoy em Maria Bonita.

Não se compreende como em uma distância de quase 100 metros do poço para a barraca de Lampião, acontecer naquela hora da manhã três tiros e nem Lampião e nem os seus "meninos" não escutaram os tiros.

Ainda mais. Abdom, Panta e Noratinho ao avançarem chegaram tão próximo, mas tão próximo da barraca de Lampião que tiveram que recuar, se proteger em uma pedras para, aí sim, atirar e matar Lampião.

Foi uma operação muito fácil, fácil até demais para quem estava cercando e enfrentando justamente o célebre rei dos cangaceiros.

Vocês acreditam nesta versão?

E o chapéu e o mosquetão que estão no inventário como se fossem de Lampião e não pertenciam a ele?

Mistérios e mais mistérios.

Graças a Deus, eu me sinto feliz em perceber que muitos de nossos historiadores e pesquisadores estão me dando razão quanto aos mistérios e as mentiras de Angico. Naquele riacho Lampião construiu uma cerca de labirintos que os coitados dos historiadores não conseguem chegar a lugar nenhum.

A todos vocês o meu abraço caipira

Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo

Mendes e Mendes disse...

Confrades do Cariri cangaço:
Gostei muito de ver o meu humilde comentário postado de uma maneira mais detalhada, e em volta do amigo Balão, coisa que eu não queria que ele tivesse dado uma entrevista com desnecessárias fantasias. Talvez diante do repórter da Revista Realidade, o companheiro ficou nervoso e não conseguiu falar somente o que aconteceu. Mas não faz mal. Isso é normal na vida de qualquer ser humano. E me parece que o escritor Alcindo Alves tem razão. Mas ele que me perdoe. Não em tudo.
Obrigado ao amigo Severo, por ter aceitado a minha postagem de discordância.

José Mendes Pereira – Mossoró-Rn.

Anônimo disse...

Prezados senhores, não sou historiador e também nunca realizaei pesquisa de campo com relação ao cangaço, apenas estive nas duas edições do Cariri Cangaço, como estudante de pedagogia da URCA, como o sou; mas gostaria de tecer alguns comentários de um leigo sobre o assunto.

1. É claro que em aconteceimentos como esse do Angicos e a morte de Lampião, teríamos uma infinidade de versões, principalmente por se tratar de dois lados, os policiais vencedores podem colocar de uma forma, já os cangaceiros que sairam vivos colocam de outra forma, e cada um com certeza vai falar o que lhe for mais vantajoso, penso assim.

2. é interessante notar por exemplo nesta materia do senhor Mendes e Mendes, a entrevista de um cangaceiro de nome Balão, dizendo que no meio da locura do tiroteio ainda teve tempo de contar quem tava morto e o pior: ver lampiao "de costas" com um tiro "na testa"... Não dá para levar a sério esse depoimento

3. A hsitória sempre vai ser contata pelos vencedores, não sei se falam toda a verdade, mas a história mostra com poucas exeções que na maioria das vezes MAQUEIAM de acordo com o que desejam.

Caro Severo e senhores pesquisadores, me perdoem "meter a colher" numsa seara que não conheço profundamente, mas me permitam apenas esse comentário.

Abraços e até 2011 com o Cariri Cangaço.

Demontier Lima Tavares

Mendes e Mendes disse...

Caro Demontier Lima Tavares:

As nossas opiniões,
geralmente chegam a uma conclusão, e com isso, faz com que todos se relacionem na mais tranquila amizade.
Assim como você, eu não sou pesquisador, historiador, e muito menos tenho talento para ser escritor, mas nos últimos dois anos venho estudando o cangaço. E só agora é que estou comentando o que eu entendi, mas não na finalidade de criticar, e sim, por querer aprender mais e mais, e adoro estar envolvido na literatura lampiônica.
Eu lhe convido para se juntar a nós, estudantes do cangaço. Por menos tempos que você tenha, ficará muito feliz quando começar a se envolver neste maravilho mundo do cangaço.
José Mendes Pereira – Mossoró – RN.

Lima Verde disse...

Caro Mendes, acho que a discussão é por demais salutar. Há tempos estamos vendo a "teimosia" do senhor Alcino, pesquisador e escritor que não conheço pessoalmente, mas pelo qual tenho grande respeito; com relação às suas famosas "mentiras e mistérios de Angico"; talvez para a maioria dos curiosos ou mesmo leigos, seja bobagem voltar a este assunto, mas penso o contrário, devemos sim, continuar dando força à investigação histórica, mesmo sabendo que não há mais muito o que fazer (As fontes secaram) , mas o mínimo que podemos fazer é "espernear" como o Senhor Alcino e agora seu comentário te feito: Temos que no mínimo provocar reflexões...sempre e sempre. Não é só porque foi publicado "isso ou aquilo" que devemos balançar a cabeça como "fato consumado".

Aos amigos da SBEC os meus parabéns por estarem conseguindo tornar essa temática atual e contemporanea. Grande abraço amigo Severo, Mendes e Alcino.

Fernando Cesar Lima Verde

Helio disse...

Amigos do Cariri Cangaço e SBEC, satisfação está de volta e frequentar espaço tão privilegiado como esse. Estive quatro meses viajando e retornei no último dia 2, de finados. E tenho a felicidade de encontrar os cangaceiros mais vivos que nunca.

Mestre Alcino Alves Costa, é sempre um prazer acompanhar seu trabalho e sua dedicação.

SDS Nordestinas

Professor Mario Helio

Mendes e Mendes disse...

Peço minhas desculpas ao ilustre escritor Alcindo Alves Costa, que na verdade, eu não discordo da sua opinião, e nem da opinião do escritor Paulo Gastão; apesar de morarmos na mesma cidade, eu não o conheço pessoalmente, só através de foto, inclusive o senhor.
O que me refiro, é sobre a morte de Lampião não ter sido acontecida na Grota de Angicos, que o José Alves Sobrinho escreveu um livro, segundo o senhor, afirmando que ele escapou do cerco policial. (Lembrando que Paulo Gastão e o senhor, nunca eu li nada que tenham afirmado que Lampião não morreu em Angicos). O senhor fala em um dos seus textos: "Os 70 anos da morte de Lampião, Publicada: 18/06/2008" Faz a pergunta: "Lampião morreu em Angico?" E o senhor mesmo a responde: "Acredito que sim”.
Paulo Gastão fala em seu texto "Revista Jornal de Fato, da Edição 315/2008 – exemplar “DOMINGO”- "Não sou o dono da verdade, porém, não quero lhe deixar enganado, nem tão pouco morrer na ignorância, na mentira. A história do povo nordestino e dos cangaceiros é outra, não se iluda. Caso o leitor não fique satisfeito, farei outro artigo ainda mais contundente sobre o episódio. Chega de tanto embuste".
Em nenhum momento ele fala que Lampião não morreu em Angicos. Apenas discorda de várias informações, assim como o senhor, que talvez os remanescentes de Lampião e a polícia cederam para a imprensa.
O próprio Balão na entrevista que ele cedeu a Revista Realidade, em novembro de 1973, diz outra que eu não concordo. Veja na íntegra: “Os soldados, porém, não haviam desistido. Logo eu os senti na minha pista, resolvi tentar driblá-los. Voltei e consegui outra vez furar o cerco No caminho derrubei um soldado que gritou, antes de morrer: "Pelo amor de Deus, eu não tenho culpa!” Depois contei mais de quinhentos buracos de bala na minha roupa e nos bornais.
Por que o amigo Balão disse isso a uma revista famosa? Pois eu tenho plena certeza que o jornalista não iria contar uma fantaisa desta. No mínimo ele gastou um dia todo contando estes buracos.
José Mendes Pereira – Mossoró-Rn.
Fontes em partes: Alcindo Alves, Paulo Gastão e a Revista atualidade.