Luis Pedro em Debate no Cariri Cangaço Por:Alcino Alves Costa

Nenem, seu companheiro Luis Pedro e Maria Bonita

O cangaceiro Luís Pedro era pernambucano do Triunfo, precisamente do lugar denominado Retiro. Este cangaceiro, ao lado de Ezequiel (Ponto Fino); Virgínio (Moderno); Mariano e Mergulhão estavam com o grande chefe Lampião no instante da célebre travessia pelas águas do Velho Chico, naquele dia 21 de agosto de 1928. Oportunidade em que deixando a sua terra natal se destinava as brenhas do vasto Raso da Catarina, na aridez das terras baianas. 

A historiografia do cangaço jamais colocou Luís Pedro no lugar de destaque que ele fez por merecer durante toda a sua trajetória no cangaço. 

Homem leal e grato a Lampião o acompanhou até os instantes finais da Grota de Angico. A sua gratidão deveu-se, segundo registros amplamente divulgados em vários livros dos mais diferentes e acreditados autores, ao perdão que recebeu de Lampião por ocasião de um trágico acidente. Aquele em que a sua arma disparou e atingiu gravemente o coração de Antônio Ferreira, um dos manos de Lampião que teve morte instantânea. Funesto acontecimento que se deu nas terras da fazenda Poço do Ferro, do coronel Ângelo da Jia.


Eis que, após tantos anos de sua morte na Grota de Angico, o nome Luís Pedro alcança uma incomum notoriedade em todo Brasil. Tudo por causa do juiz aposentado, Pedro Moraes. Este antigo magistrado, em um instante de pura infelicidade, se decidiu por atacar Lampião e Maria Bonita. Em suas descabidas afirmações disse ser o rei dos cangaceiros homossexual e sua Santinha adúltera, conforme entrevista ao jornal CINFORM de Aracaju, colocando o cangaceiro do Retiro como o principal parceiro, o parceiro ativo daquele triângulo amoroso.

 Aderbal Nogueira, Leandro Fernandes, Antônio Amaury, Paulo Britto e Alcino Costa em noite de Cariri Cangaço


E assim, Luís Pedro foi atacado em sua honra masculina. Acusado injustamente de ser também homossexual, uma vez que no dicionário está explícito “Homossexual – diz-se do indivíduo que pratica o ato sexual com pessoa do mesmo sexo”. Mesmo formando o triângulo amoroso com Lampião e Maria Bonita e sendo o ativo Luís Pedro, segundo a afirmativa horrorosa e sem nenhum sentido do juiz de Sergipe, era também homossexual. Mas, meus queridos vaqueiros da história, além da distorção que estão fazendo com Lampião, nós que vivemos a rastejar a história cangaceira;

nós, os que lutamos para pelos menos nos aproximar da verdade da história, temos que tentar extinguir de nosso meio e da própria história essas verdadeiras anomalias. 

Não é só e apenas do cangaço e de Lampião, mas de nosso sertão, de nosso povo. Portanto, não podemos aceitar as loucuras que estão sendo colocadas em livros, mentiras que se tornam verdades, e o que é lamentável, muitos acreditam.


Mesmo sendo um cangaceiro, Luís Pedro era um homem de bem. Carregava em seu sentimento caboclo a chama da honestidade, da lealdade e da gratidão. Talvez os que querem desmoralizar a sua conduta e o seu proceder não saibam que  ele tinha uma companheira; cabocla sertaneja, apelidada carinhosamente de Neném, a Neném de Luís Pedro, nascida no Raso da Catarina, no mesmo lugar de nascimento de Lídia de Zé Baiano e Naninha de Gavião, o Salgadinho, portanto na mesma região de Maria Bonita. Eu fico a me perguntar? 

Como seria possível, naqueles tempos de tantos tabus, um homem viver afundado em um triângulo amoroso, e sua esposa, ou se quiserem companheira, não perceber nada, e ainda todos os cangaceiros e cangaceiras que sobreviveram a Angico, jamais em tempo algum, 
comentaram esse fato?


Acho até que poderíamos discutir as muitas versões duvidosas que cercam o cangaço, como por exemplo, o chamamento de Maria Bonita no instante do tiroteio. Existe a versão que ela gritou para Luís Pedro voltar e cumprir a palavra empenhada a Lampião que no local onde ele morresse o mesmo também morreria. É evidente que isto não aconteceu. Mas pode ser discutido. A outra versão dando conta que Luís Pedro estava retornando para se apossar do dinheiro e bens que estavam com Lampião, não passa de um delírio de alguns historiadores. Não aconteceu nada disso. Não aconteceu porque é inteiramente impossível Maria ser baleada com dois tiros e ainda “se lembrar” e ter tempo de gritar por Luís Pedro para ele vir morrer junto com Lampião. 
Alcino Alves Costa e caravana Cariri Cangaço-GECC em visita a Casa de Maria Bonita 

A segunda versão também é fantasiosa porque jamais Luís Pedro, ou cangaceiro algum, debaixo de uma chuva de balas, com o seu  notável chefe já morto, “se lembrar” de retornar para aquele inferno atrás de dinheiro ou qualquer outra coisa. A verdade, pura e cristalina, é que Luís Pedro foi um cangaceiro notável. Um dos maiores da história do cangaço. Além disso, um homem íntegro que teve a infelicidade de pertencer a uma época que o fenômeno cangaço dominava o nordeste e em especial os sertões de Pernambuco. 
O que os estudiosos deviam fazer era pesquisar com cuidado e perseverança o viver desse cangaceiro. Valente sertanejo que mesmo após tantos anos de sua morte a sua conduta é aviltada por uma versão desastrada que está maculando o seu nome. Espalhar pelo Brasil a fora ser ele um homossexual ativo, sendo aquele que satisfazia os desejos sexuais de Lampião e Maria Bonita, formando um triângulo amoroso que enfeitava as caatingas sertanejas, é aberração monstruosa. Injusta afirmativa que, não tenho dúvidas, deixa os verdadeiros vaqueiros da história tristes e desiludidos. Vamos lutar com todas as nossas forças contra tantas medonhas atitudes daqueles que não carregam em seus sentimentos o mais simples amor e consideração pela nossa história; a história de nosso povo.

Meus companheiros e confrades! Vamos aprofundarmos ainda mais sobre a história desse grande cangaceiro. Saudações cangaceiras.

Alcino Alves Costa
O Decano, Caipira de Poço Redondo
Membro da SBEC
Conselheiro Cariri Cangaço

10 comentários:

José Cícero disse...

Grande Mestre ALCINO!
Decano pesquisador, caipira-mor de Poço Redondo e dileto amigos de todos nós. Autêntico escritor - escriba maior do Cangaço e, desde muito, patrimônio do Cariri Cangaço.
Um abraço fraterno,
José Cícero
Aurora - CE.

Anônimo disse...

Tive acesso ao texto integral do livro do Sr. Morais e não há comprovação, ou evidência para suportar a alegação do comportamento homosexual dos cangaceiros. O autor certamente não vai conseguir adesões à sua tese.
Concordo com a idéia principal do artigo do Mestre Alcino, mas não posso concordar com essa colocação: “Mesmo sendo um cangaceiro, Luís Pedro era um homem de bem. Carregava em seu sentimento caboclo a chama da honestidade, da lealdade e da gratidão.”
Um homem de bem jamais seria um cangaceiro e vice-versa.
C Eduardo

Anônimo disse...

Concordo com o comentário acima, como cangaceiro ser considerado homem de bem ? Mesmo respeitando o Alcino, acho que não cabe esse tipo de juízo, eram homens fora da lei.

Leila

Anônimo disse...

Mestre Alcino, muitos já tentaram disvirtuar a integridade de algumas personalidades históricas do Brasil. Já se comentou-se inclusive que Zumbi dos Palmares e Santos Dumont, dentre outras personalidades, seriam homossexuais. Como acreditar em comentários da espécie???

Francisco Félix

Anônimo disse...

Cangaceiro "homem de bem" é demais, né não ?! Abraços ao Cariri Cangaço.

kildery Gomes
Crato

Anônimo disse...

Meus queridos José Cícero, Carlos Eduardo, Leila, Kildery Gomes e Francisco Teles, muito obrigado pela atenção e deferênçia em relação a nossa postagem "Luís Pedro em debate no Cariri Cangaço".

É deveras salutar essa troca de opiniões e pensamentos existente entre os que rastejam a história, seja ela do cangaço, de Lampião, ou de qualquer outro seguimento de nossa sociedade.

Quanto as opiniões dos queridos amigos Carlos Eduardo, de Leila e de Kildery Gomes eu as respeito produndamente. Mas, fico a me perguntar: Será, meu Deus, que todos os que por essa ou aquela razão se tornaram cangaceiro, em um tempo em que o homem do campo teve a infelicidade de ter duas opções de vida, ser cangaceiro ou soldado de volante, e ao escolher o caminho de Lampião automaticamente se tornavam em momstros?

Vamos também estudar o viver dessa infeliz juventude sertaneja que era, todos nós sabemos, escrava da pobreza e da vontade dos poderosos políticos e coronéis. Mas, mesmo assim, toda essa mocidade se tornou em monstros sem entranhas, sem sentimento e sem alma, por ter se bandeado para o cangaço? Pode ser que esse pensamento em qualificar todos os cangaceiros de monstros seja um exagero.

Não conheço com profundidade a história dos caminhos da vida de Luís Pedro. No entanto, posso garatir com total convicção e a credibilidade que julgo ter com a minha dignidade e palavra que, apenas para dar um exemplo, Zé de Julião, o antigo cangaceiro Cajazeira foi um homem que em vida carregou uma única "merma" aquela de ter sido cangaceiro. Porém, nem o cangaço e nem a infeliz política destruiram as suas imensas qualidades de um ser humano de ilimitado caráter, uma verdadeira "madeira de lei" de nosso sertão. Será que um homem dessas qualidades, apenas por ter sido cangaceiro, perdeu todas essas referências e se tornou um monstro, alguém sem nenhuma qualidade?

E olhem que eu não falei em meu tio Zabelê e outros filhos de Poço Redondo que foram para o cangaço e nenhum deles tinha nem sequer dado o tiro de mosquetão. Eram, isto sim, ingênuos rapazes que ficaram inebriados com a moda cangaço chegada em Poço Redondo.

Vamos pesquisar o viver do homem Luís Pedro. As razões de seu ingresso no bando. As suas possíveis atrocidades. Enfim o seu proceder antes e durante a sua vida de cangaceiro.

Meus queridos amigos! Vamos continuar concordando ou discordando, é disso que precisamos em favor de nossa história.

Desculpem o jornal. É porque estou sendo dominado pelo espírito de Paulo Gastão rsrsrsrs

Abraços,

Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo

José Cícero disse...

Eu simplesmente não perderia meu tempo lendo ilações comezinhas como esta que quer fazer vãmente um Lampião-gay. Não por preconceito. Isso Não. Porém pq sou seletivo nas minhas leituras, sobretduo pq ninguém dispõe pela vida inteira do tempo necessário para ler o que há de melhor na literatura mundial. No mais: Lampião foi o que foi, sendo ou não o que muitos desejam e imaginam que o fosse. Lampião foi um homem do seu tempo e muito além dele. Pronto!
Grato JC -
<<<<<<>>>>>>>
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Archimedes Marques disse...

Quem conhece o cismado sertanejo sabe muito bem que jamais um cidadão que tivesse qualquer desconfiança da sua masculinidade, por mínima que fosse, jamais teria condições de chefiar homens cuja coragem e machismo eram cultivados e levados às últimas consequências.

Em análise criteriosa, baseado em tudo que já foi escrito sobre o fenômeno cangaço em centenas de livros, em tudo que já foi pesquisado, em tudo que já foi historiado, nenhum desses homens e mulheres que se embrenharam caatinga adentro no rastro desses sanguinários bandidos, em especial no rastro de Lampião, entrevistando cangaceiros sobreviventes, coiteiros, policiais, perseguidores, amigos e inimigos de Lampião, investigando os fatos, comparando depoimentos, colhendo historias, comparecendo aos locais das guerras do cangaço, aos locais das atrocidades praticadas pelos bandoleiros, conversando com todos os que vivenciaram aquela época de dor e lagrimas dos sertões nordestinos, a exemplo de Alcino, Amaury, João de Sousa Lima e tantos outros amigos pesquisadores e escritores do Cangaço, nunca disseram tamanho disparate quanto o autor do livro “Lampião, o mata sete” diz na sua obra.

O suposto triângulo amoroso vivido por Lampião, Luiz Pedro e Maria Bonita, pela lógica, não havia possibilidade alguma de se manter um segredo desse a “sete chaves dentro do cangaço”. As próprias condições físicas do ambiente em que viviam os cangaceiros, nas caatingas, sem teto para dormirem, sem quatro paredes para fazer e acontecer sem ninguém ver ou escutar o que estava ali ocorrendo, não dá qualquer margem de suspeita para uma possível relação sexual a três em segredo. Não teria o trio a mínima condição de enganar todos os componentes do bando a todo tempo, justamente um tipo de amor tão combatido, jamais admitido pelos ferozes e sanguinários bandoleiros.

Como era que o cangaceiro Luiz Pedro manteria relações sexuais com Maria Bonita e Lampião dentro de uma pequena barraca de pano - que eles chamavam de torda - sem chamar atenção ou fazer qualquer barulho a ponto que os outros cangaceiros não desconfiassem, não vissem e nem escutassem nada de anormal?...

Ademais o próprio Luiz Pedro também tinha a sua mulher, Neném. Estaria ela envolvida também nessa triangulação amorosa que no caso já seria um quarteto amoroso, sem chamar a atenção dos machistas cangaceiros que viviam naquele mesmo plano de moradia como se uma grande família fosse?...

Haveria possibilidade de se fazer sexo a três de uma maneira silenciosa, calada, quieta e escondida de vinte ou mais pessoas entre cangaceiros e cangaceiras, saindo Luiz Pedro na calada da noite da sua barraca deixando sua companheira Neném dormindo para entrar na barraca de Lampião e Maria Bonita sem que ninguém desconfiasse de nada, nem mesmo os vigilantes do acampamento?...

Será que todos os cangaceiros eram tão idiotas a tal ponto de nada maldarem com uma safadeza dessa se passando ao seu redor?...

Seria possível que esse segredo tenha sido mantido preso a sete chaves e dezenas de cangaceiros sobreviventes não tenham dito nada nas suas entrevistas, até porque não tinham nada mais a perder, pois Lampião, Luiz Pedro e Maria Bonita já estavam mortos?...

O autor entrou em contato comigo reclamando que eu estava fazendo propaganda contra o livro dele e argumentou alguns fatos como sendo provas que facilmente eu contestei e não foi contra-razoado. Assim, apesar de não ter lido o livro dele, acredito que todas as suas alegações maldosas serão colocadas por terra, pois não existe sustentáculo algum de provas verdadeiras em seu livro. Tudo parece mesmo uma triste maneira de aparecer para vender o seu peixe, mesmo que ultrapassando, pisando e enlameando a história de um trio de cangaceiros que jamais vivienciaram tal safadeza, e porque não dizer, uma suja tentativa de mudar a história do cangaço com afirmativas inveridicas quanto a honra sexual dos três atingidos.

Saudações e abraços a todos que fazem o Cariri Cangaço.

Archimedes Marques

Anônimo disse...

O autor do livro que e diferente

Teresa Raquel ceara disse...

Luíz Pedro era bandido sim,quando um cangaceiro morria ele aconselhava que a viúva também tinha que morrer,foi o responsável pela morte de rosinha,segunda companheira de Mariano,foi responsável pela morte de Cristina,ele,Azulão,e Candieiro 02,agora falar que ele era bicha é outra coisa: Um dos maiores pesquisadores do Cangaço Antonio Amaury disse em seu livro Lampião as mulheres e o cangaço que Luíz Pedro gostava mesmo era de Durvalina,chegou a fazer uma poesia pra ela com a dor de cotovelo por ela ter preferido Virgínio a ele,pois ela dizia que Luíz Pedro tinha a boca muito fedida tinha um cheiro ruim,João de Sousa Lima,autor do livro Moreno e Durvinha sangue amor e fuga no cangaço também dizia a mesma coisa,Luíz Pedro encontrou consolo nos braços de Nenêm que foi sua companheira, Luíz Pedro bandido sim infelizmente,mas bicha não.