A Bodega de Antônio Siqueira Por:José Cícero


Nunca me esqueço do Seu Antonio Siqueira... da sua bodega; do designer de seu belo balcão de cedro curvado e liso pela ação dos anos. Do seu jeito manso, austero e fino - o homem mais bem informado daquele lugar num tempo em que até o rádio era um privilégio para poucos. 

Menino curioso sempre o escutava contando as notícias que ouvia no seu aparelho de válvulas, para o povo da comunidade. Todos o tinham como um delegado (juiz de paz), resolvia muitas encrencas entre os matutos com a tenacidade da sua voz embasada no bom conceito que detinha. Era uma uma figura singular e respeitado por todos. 




Longe e já homem feito fiquei profundamente triste quando soube que morrera tragicamente em Missão Velha num acidente rodoviário. Triste fiquei igualmente quando estes dias vindo do Juazeiro onde fui escolher um carro resolvi à francesa entrar na Missão Nova. O pequeno povoado dantes alegre em que vivi parte importante da minha infância. 

contudo fiquei desolado quando não avistei o velho prédio da sua bodega (agora totalmente descaracterizado, tampouco a casa da minha vó), nem o brejo, nem as árvores, nem a cacimba, nem o engenho, nem a levada-riacho que trazia a água do pé da serra, nada... apenas a capela ainda está lá quase como no passado agora com um Santo Antonio (assim como eu) meio desolado pela saudades de um passado que não voltará jamais. 

Missão Nova agora é apenas uma grande lembrança que nunca me deixará; onde quer que eu vá, onde quer que eu ande. 
E seu Antonio Siqueira seguramente é parte desta minha história, dentre tantos outros personagens da velha Missão Nova que não existe mais.


José Cícero - Aurora, CE
Pesquisador, Escritor
Conselheiro do Cariri Cangaço

3 comentários:

Anônimo disse...

MEU CARO ZÉ CICERO, VOCÊ ESTÁ TIRANDO COISAS DA NOSSA INFÂNCIA DO FUNDO DO BAÚ. CONHECI MUITO O VELHO ANTONIO SIQUEIRA DA MISSÃO NOVA, QUE REALMENTE EXERCEU O CARGO DE DELEGADO CIVIL ALI (O CHAMADO INSPETOR DE QUARTEIRÃO) E QUE TEM UM PORMENOR, TINHA UM IRMÃO POR NOME JOÃO SIQUEIRA, QUE ERA APRECIADO POETA POPULAR EM NOSSA REGIÃO E QUE NUMA PELEJA COM UM COLEGA DE PROFISSÃO, NO SITIO SANTANA, SAIU-SE COM ESSA: "JS - EU SOU O BESOURO TIRANA BOIA, BESOURO DO PIAUÍ, ONDE EU METO MEU FERRÃO EU VEJO A MERDA CAIR", TENDO COMO RESPOSTA DO COLEGA: "VOCÊ NÃO É BESOURO TIRANA BOIA, BESOURO DO PIAUÍ, VOCÊ É BESOURO ROLA BOSTA, BESOURO MESMO DAQUI". .

Lúcio disse...

Sigo este blog há vários anos. Gostaria muito de saber mais sobre a mítica figura do Manoel Neto, pois a quantidade de informações sobre esse guerreiro são muito poucas. Quero pedir ao Manoel Severo que faça uma matéria sobre este homem destemido e valentíssimo , esse nazareno cabra macho, se possível com fotografias, da época das volantes e depois, ainda na policia militar de Pernambuco. Tenho certeza que as histórias das valentias de Mané Fumaça vai despertar muita curiosidade, uma vez que até mesmo Gilberto Freyre falou sobre sua valentia.

Ulisses de Souza Pereira disse...

Meu é fã desde verso. Um dos que ele também diz é esse.
"Sou porteira de Morão,sou tramela de Jiqui,sou rama que mata o gado sou a folha de tinqui eu não vou mandar recado eu mesmo sabendo ir.