A Verdade sobre o Massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto


Dentre todos os personagens desta encantadora história do nordeste; um em especial nos chama a atenção: Beato José Lourenço. Paraibano de nascimento e chegado ao Juazeiro do Padre Cícero ainda em 1890, Zé Lourenço viria a se tornar um dos mais destacados líderes religiosos do nordeste. A partir de orientações de Padre Cícero, Zé Lourenço arrendaria um lote de terra no sitio Baixa Dantas, no município do Crato, ali com ajuda dos inúmeros romeiros enviados pelo sacerdote, transformaria o lugar em um importante produtor e fornecedor de alimentos aos mais desvalidos que acorriam à Meca nordestina.

Delmiro Gouveia presentearia Padre Cícero com um boi da raça Zebu, que por sua natureza mansa, ficou sendo chamado de Mansinho, o sacerdote encaminhou o animal para o sítio Baixa Dantas, para os cuidados do Beato e para melhorar o rebanho do lugar. A partir dali começaram a surgir boatos de que as pessoas estariam adorando o boi como a um Deus. Em 1923 Floro Bartolomeu ordenou a morte do referido animal e a prisão do beato José Lourenço, sob acusação de fanatismo. O beato ficaria preso por 18 dias, sendo solto por intercessão do próprio Padre Cícero.

O Cariri Cangaço em visita de campo ao Caldeirão da Santa Cruz do Deserto

Em 1926 após a venda do Sítio Baixa Dantas o beato e seus seguidores partem para o Sítio Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, também em Crato. Começava a se construir uma das mais destacadas e polêmicas experiências comunitárias da história do Brasil, assim como em Canudos de Antônio Conselheiro; ali o trabalho sob a liderança do beato Zé Lourenço e ainda de dois de seus mais fiéis seguidores: Isaías e Severino Tavares; acabou trazendo para o Caldeirão nos seus quase 500 hectares, cerca de mil e quinhentas pessoas.Era o ano de 1934 e após a morte de Padre Cícero o suplício dos seguidores de Zé Lourenço iria chegar ao clímax. Já em 1935 o movimento da Intentona Comunista acabaria indiretamente contribuindo para que o poder central declarasse guerra ao Caldeirão. Depois de intensa campanha e luta, os seguidores de José Lourenço viriam a ser atacados pelas forças do governo, à frente estavam o tenente José Góis de Campos Barros e o Chefe de Polícia, Capitão Cordeiro Neto, era o ano de 1937, posteriormente haveria o massacre, onde perderiam a vida perto de mil pessoas, entre homens, mulheres, velhos e crianças, fala-se até de um polêmico e “desmentido bombardeio” por parte do Brigadeiro Macedo.


Hoje vamos relembrar na sessão "Do fundo do Baú" , uma das lendárias Conferências e uma das mais emblemáticas visitas de campo realizadas em nosso Cariri Cangaço, desta vez no espetacular Caldeirão da Santa Cruz do Deserto; do Beato José Lourenço em Crato, Ceará. Os pesquisadores, professor Domingos Sávio, Professor Sandro Leonel; bisneto de Severino Tavares; professor Lemuel Rodrigues e Mucio Procópio. As imagens são de Aderbal Nogueira e sua Laser Video.

Veja na Íntegra a Conferência sobre o 
Caldeirão da Santa Cruz do Deserto...


Fonte: You Tube
Canal: Aderbal Nogueira

Painel sobre o Beato José Lourenço e o Caldeirão
Professor Domingos Savio e participações 
Realizada no Cariri Cangaço 2009
Caldeirão do Deserto - Cidade de Crato,CE
24 de Setembro de 2009

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