Maranduba... e a Caravana Cariri Cangaço Por:Manoel Severo

Aqui descansam os que tombaram em Maranduba

Quem pesquisa e conhece a história do cangaço, notadamente do ciclo de Virgulino Ferreira, confirma os três mais importantes confrontos ocorridos entre as forças volantes e o rei do cangaço: Serra Grande, Serrote Preto e Maranduba. Os três combates se notabilizaram por seus aspectos grandiosos e pela engenhosidade de um líder inconteste. Lampião à frente de seus cangaceiros, sempre em inferioridade numérica viria a alcançar três vitórias fragorosas, imprimindo vergonha às hostes governamentais e as volantes.

A Caravana Cariri Cangaço-GECC chegou a Maranduba por volta das 16 horas dessa segunda-feira de carnaval; pisar o solo de Maranduba, em território de Poço Redondo, outrora município de Porto da Folha, foi uma grande emoção para todos nós. Da rodovia que liga Canindé a Poço Redondo, percorremos cerca de 17Km de estrada de terra batida, passando por vários lugarejos e fazendas, inclusive pela casa da ex-cangaceira Adília. Vislumbrando ao longe a famosa Serra Negra, de João Maria e Zé Rufino, se chega a incomparável fazenda Maranduba, nosso guia: Alcino Alves Costa.

Os velhos Umbuzeiros, únicas testemunhas ainda presentes em Maranduba

Do cenário da batalha pouco se conservou, a casa da fazenda toda ruiu, a vegetação típica da caatinga da época virou uma grande roça, poucas pedras, as pias secas, apenas os enigmáticos umbuzeiros e a cruz que marca o local do sepultamento dos homens de Nazaré, testemunham contra o tempo, aquela que foi uma das mais significativas vitórias de Virgulino Lampião.

Aderbal Nogueira e as Pias da Maranduba
Múcio Procópio e Pedro Luiz em Maranduba
Da velha casa da fazenda Maranduba só restam as ruínas e os alicerces

Alcino Costa, João de Sousa Lima, Juliana Ischiara, Múcio Procópio; cada um a sua maneira ia palmilhando o local e nos trazendo detalhes importantes e imortais daquela grande e inusitada tática de guerra do maior cangaceiro da história. Conhecendo a Maranduba, vendo sua geografia, sua vegetação de origem, pisando aquele chão, vendo em loco como as tropas da policia se posicionaram e se aproximaram, o recuo estratégico dos cangaceiros; só assim vamos entender o quanto foi surpreendente o desempenho e a resistência dos 32 homens de Virgulino contra os mais de 150 homens das volantes, que tinham entre seus comandantes, o nazareno Manoel Neto e Liberato de Carvalho. 

Manoel Severo

Um comentário:

ANTONIO FERREIRA DA SILVA NETO SILVA disse...

Manoel Severo. Fico muito, mais muito encantado com essas suas matérias sobre o Cangaço, e na mesma hora fico triste em não ter tempo para pisar também nesses locais onde ocorreram verdadeiras batalhas épicas entre cangaceiros e volantes. Sou muito fascinado nessas histórias. Nas próximas férias quero programar uma viagem com destino a algum local desses. Um forte abraço para você e todos que pesquisam o cangaço. Att, Neto.