Lagoa do Mel e a Caravana Cariri Cangaço Por:João de Sousa Lima

Família Cariri Cangaço na Lagoa do Mel

Quarto dia da Caravana Cariri Cangaço - GECC, em terras de Paulo Afonso, Bahia. Certamente toda a área atual da “outrora Lagoa do Mel” está modificada, a caatinga brava hoje é substituída por uma plantação sensacional de coqueiros, mamoeiros, melão, melancia, goiaba; resultado da obstinação de um pernambucano danado, de Floresta, Senhor Antônio, há cinco anos morando no lugar. A antiga lagoa, hoje totalmente aterrada e dentro da roça de seu Antônio, ainda mantém as duas grandes pedras que marcavam a entrada da mesma, que na época do combate era cercada por varas . O confronto se deu entre os homens do tenente Arsênio e os cabras de Virgulino , onde tombaram 19 homens das volantes e um personagem ilustre das hostes cangaceiras: Ezequiel, irmão mais moço dos Ferreiras.

João de Sousa Lima e Aderbal Nogueira para o documentário da Caravana
O anfitrião mostra na terra o que aconteceu no combate

A Lagoa do Mel situa-se no povoado Baixa do Boi, distante do centro de Paulo Afonso uns 15 km. O combate aconteceu em 1931, Lampião foi avisado por um coiteiro da presença dos policiais e ao amanhecer do dia partiu da fazenda de Pedro Gomes (pai da cangaceira Durvinha) portando uns chocalhos, cercou o tanque, utilizando como estratégia , o tilindar dos chocalhos, confundindo os soldados que pensaram que eram bodes e cabras que se aproximavam para beber água; o tiroteio foi intenso e dizimador, morrendo na hora 16 soldados e o irmão de Lampião.

Flagrantes da visita à Lagos do Mel

O tenente Arsênio conseguiu desferir uma rajada de metralhadaora, sendo o bastante para rendilhar o estômago do jovem cangaceiro. o tenente conseguiu fugir deixando a metralhadora, porém tirando uma peça que deixou a arma inutilizável.Lampião enterrou o irmão próximo ao tanque, contando com o serviço de Antonio Chiquinho (falecido em fevereiro de 2010, com 106 anos de idade). Lampião recolheu armas, munições, dinheiro e jóias que estavam em posses dos soldados, seguiu para o Raso da Catarina, onde chorou suas mágoas por conta da perda do irmão amado e depois arquitetou sua vingança contra o tenente Arsênio e aí a história é longa e carece de mais tempo para ser contada em seus mínimos detalhes.

João de Sousa Lima
Sócio da SBEC, Conselheiro Cariri Cangaço

Um comentário:

Anônimo disse...

Amigos do Cariri Cangaço, fico feliz em você palmilhando as trilhas do Cangaço e registrando as imagens para todos nós. O amigo Adelbal foi muito feliz na sua colocação, ao afirmar o sentimento de felicidade ao encontrar com Candeeiro(Neu Né, gente fina)e tristeza ao passar por Nazaré do Pico, atual distrito Carqueja e não ver seu João Gomes de Lira, sentadinho na frete da sua casa, abraçando e recebendo a todos com o maior carinho.
Parabéns e abraços a todos.
Prof. Pereira