Jesuino Brilhante, o Cangaceiro Romântico Por:Angelo Osmiro




Ângelo Osmiro

Jesuíno Alves de Melo Calado ou simplesmente Jesuíno Brilhante, o cangaceiro romântico. Nasceu no sítio Tuiuiú nas proximidades de Patu no Estado do Rio Grande do Norte. Agricultor e criador até os vinte e cinco anos, era um homem pacato. Segundo o grande folclorista potiguar Câmara Cascudo que por sua vez ouvira do padre Antônio Brilhante, Jesuino era de estatura baixa, robusto, pele clara, arruivado e de olhos azuis, falava manso e tato; exímio atirador tinha grande pontaria sendo ainda ambidestro. Casou-se com uma prima, chamada Maria Carolina C. de Mello com quem teve cinco filhos.

Um verdadeiro “Robin Hood” do sertão, roubava dos ricos para distribuir aos pobres, tendo como fato que durante a grande seca que assolou o sertão nordestino em 1877, uma das mais catastróficas da história, ele e seu bando saqueavam os comboios enviados pelo governo transportando alimentos. Distribuía aos flagelados a seu critério; era aquele que protegia as donzelas ultrajadas, fazendo casamentos, principalmente de filhos de poderosos que abusavam das filhas dos sertanejos humildes, achando que não seriam punidos ou obrigados a casar.



A entrada de Jesuíno Brilhante no cangaço deu-se em razão de uma desavença com uns vizinhos da família Limão, esses ligados ao partido Conservador, então dominante da política local, em contra partida a família de Jesuíno estava ligada ao partido Liberal, “em baixa” como se dizia na época. Este fato em especial viria causar a perseguição de Jesuíno por parte de um governo tendencioso.

Após um roubo de cabras na fazenda dos Calados, praticados por membros da família Limão, a briga esquentou, tendo um irmão de Jesuíno de nome Lucas Alves, levado uma surra de Honorato Limão na “rua” de Patu. O fato revoltou Jesuíno Brilhante que se dirigiu à localidade em busca de vingança, tendo encontrado o agressor em um bar, zombando e mandando abrir uma garrafa de cachaça em “honra do morto”. Jesuíno invadiu o estabelecimento comercial e matou Honorato Limão a golpes de faca, fato ocorrido precisamente no dia 25 de dezembro de 1871, noite de natal.

Outra versão é que um menino da família Limão teria desrespeitado o patriarca da família, o major João Alves de Mello Calado. Zé Limão cumprindo ordens de seu patrão José Lobo, fora à fazenda Tuiuiú devolver uma junta de bois que João Alves havia emprestado a seu patrão. Desgostoso com a ordem, o moleque foi a contragosto e chegando a propriedade dos Calados, não tratara com o devido respeito ao velho fazendeiro. Naquele mesmo instante chegava à fazenda Jesuíno, filho de João Alves que presenciou toda a cena e pediu respeito para com seu pai, o menino atrevidamente respondeu ao filho de João Alves e puxou uma faca para agredi-lo, sendo desarmado e dominado por Jesuíno, acabou levando uma surra. A família Limão passou a jurar vingança pela sova levada pelo caçula.



A partir do assassinato de Honorato Limão, Jesuíno Alves de Melo Calado passaria a ser Jesuíno Brilhante, o nome era uma homenagem a um tio, que havia abraçado a vida bandoleira anteriormente.Sua vida foi repleta de histórias extraordinárias, como a que uma vez, chegando à fazenda de um conhecido seu, pediu ao fazendeiro cavalos, viveres e dinheiro, tendo este negado, dizendo que dar não daria se quisesse que levasse, Jesuíno respondeu-lhe que era cangaceiro sim, ladrão não, montou em seu cavalo e saiu sem mais nada dizer ou fazer. Outro fato famoso de sua vida bandoleira deu-se no assalto a cadeia de Pombal na Paraíba, com o intuito de soltar seu irmão que estava preso naquela cidade. Assim como também o ataque à cadeia de Martins no Rio Grande do Norte, quando, enquanto tiroteava com seus inimigos ia furando buracos nas paredes das casas conjugadas, indo sair na última casa da rua, deixando seus adversários atônitos com sua astúcia. Nesta ocasião deu fuga a 43 presos conforme consta no processo aberto para apurar o caso.

Jesuíno entrou na vida bandoleira aos vinte e cinco anos, passando cerca de dez anos vivendo em baixo do cangaço, porém jamais foi assalariado para cometer qualquer tipo de crime, tinha orgulho de dizer que nunca havia matado para roubar.Dentre as histórias heróicas da tradição oral atribuída a Jesuino Brilhante, conta-se que certa vez pedindo pouso em uma fazenda, foi atendido pela mulher do fazendeiro, pois este estava viajando. Aflita, a mulher pede socorro, um valentão do lugar havia mandado avisar que ela se preparasse àquela noite, pois ele viria dormir com ela. Jesuino orientou a mulher a sair de casa e tomou seu lugar no quarto. Brilhante esperou o valentão, que apareceu à noite e adentrou no quarto pensando encontrar a pobre mulher indefesa. Pouco tempo depois o homem saiu gravemente ferido e veio a falecer. Ao amanhecer a mulher voltou para casa, encontrou Jesuino que a tranqüilizou, dizendo ter resolvido o problema, o valentão não voltaria mais, pois havia viajado.

Também no Ceará, o cangaceiro romântico fez das suas. Após sua esposa e seu pai sofrerem severas humilhações praticadas pelo Alferes Sá Leitão no Rio Grande do Norte, o militar agressor tentou refugiar-se nas redondezas da cidade de Russas, onde para seu azar, moravam vários familiares do cangaceiro. Não demorou muito para que Jesuíno Brilhante fosse avisado pelos parentes do paradeiro de seu inimigo.Deslocou-se para as terras jaguaribanas acompanhado somente do cabra conhecido por Pajeú. Sabendo de todos os passos do militar, Jesuíno preparou uma emboscada e feriu mortalmente seu opositor, após o ocorrido voltou oculto para o território potiguar.

Sua saga foi romantizada pelo grande escritor cearense Rodolfo Teófilo, através do livro “Os Brilhantes”. Escritor nascido na Bahia, entretanto dizia ser cearense por opção.Algumas histórias de gentil homem são atribuídas hoje em dia ao cangaceiro Lampião, o que cria de certa forma uma áurea de herói para o cangaceiro do Pajéu, o que na realidade Lampião não foi, algumas dessas atitudes foram mesmo protagonizadas pelo cangaceiro herói potiguar, esse sim um cangaceiro romântico. Outras histórias sequer existiram, sendo pura criação do imaginário popular.

A vida de Jesuíno Brilhante foi heróica, e sua morte não poderia ser diferente. Sendo atacado pela polícia comandada por um seu inimigo da família Limão, vendo-se acuado montou em seu cavalo e partiu célere em direção dos seus perseguidores disparando seu bacamarte, mas foi ferido mortalmente pelo inimigo. Jesuino foi ainda carregado pelos companheiros, vindo a falecer no lugar Palha, no meio do mato, onde foi enterrado. Anos depois seu amigo o médico Francisco Pinheiro de Almeida Castro exumou o esqueleto, levando a caveira para Mossoró, daí para a cidade do Rio de Janeiro de onde não se sabe hoje seu paradeiro. Jesuíno Brilhante o verdadeiro Cangaceiro Romântico.

Ângelo Osmiro

Fonte: lampiaoaceso.blogspot.com
*Ângelo Osmiro Barreto é Historiador e Pesquisador do Cangaço, atual presidente da SBEC - Sociedade brasileira de estudos do cangaço

Cariri Cangaço 2010 começa a ser Esboçado Por:Carlos Santos





Carlos Santos e Severo

Entre os dias 17 e 22 de agosto, seis municípios do Ceará vão sediar concomitantemente o "Cariri Cangaço". A iniciatia é marcada por palestras, debates, exposições, visitas técnicas e apresentação de estudos científicos.
Ouvi essas informações hoje à tarde em Pipa (Tibau do Sul-RN), onde estive.

Os estudiosos do cangaço, cearenses Manoel Severo e Aderbal Nogueira, dissertaram sobre o assunto, que será a segunda edição do evento. O primeiro ocorreu entre os dias 23 e 27 de setembro do ano passado.

Crato, Juazeiro, Barbalha, Jati, Missão Velha e Aurora vão sediar a programação - conta Severo, com nítida empolgação. "Ano passado eram quatro. Agora teremos também Jati e Aurora", complementa. Ele é um dos principais organizadores da iniciativa.

O bate-papo foi provocado pelo advogado e professor Honório de Medeiros, estudioso do assunto. Ao lado de sua filha, a infante Bárbara, não poderíamos conversar em lugar diferente: "Restaurante Lampião". Tocamos essa confraria lá, à tarde desta quinta (7).

- Não tenha dúvidas: os estudos sobre o cangaço exigem uma abordagem mais científica - admite Severo. Existe farto material produzido de forma empírica, que é significativo, mas os trabalhos precisam avançar para esse campo, reconhece.

Administrador de empresas, mas historiador e documentarista por paixão, Aderbal vê o assunto como inesgotável. Em sua ótica, "há muito ainda a ser discutido".O mito gerado a partir do cangaceiro "Lampião" o mantém atual, ainda mais quando questões como poder e violência não saem de cena, aponta Aderbal.

Fonte: blogdocarlossantos

Honório de Medeiros e a Invasão de Mossoró



Honório de Medeiros por ocasião da Visita do Cariri Cangaço

Mais uma parada da caravana Cariri Cangaço rumo a 2010; depois de Mossoró, quando reuniu os confrades Paulo Gastão e Lemuel Rodrigues e Natal, quando encontrou Ivanildo Silveira, Sérgio Dantas, Rostand Medeiros, Múcio Amaral e João Marcílio, agora foi a vez de Tibau do Sul, um dos litorais mais previlegiados do nordeste. Ali em ambiente mais que apropriado, "Restaurante Lampião" na praia da Pipa, o encontro foi com Honório de Medeiros e Carlos Santos.

Honório de Medeiros, um dos mais festejados conferencistas de 2009, assumiu a partir daquele momento um novo desafio: Cariri Cangaço 2010, com tema mais que intrigante e polêmico: A Presença dos Conroneis nos Bastidores da Invasão a Mossoró. Além da confirmação da presença do professor Honório de Medeiros, a organização do Cariri Cangaço, através de Manoel Severo e a SBEC, através de seu diretor Aderbal Nogueira, firmaram convite oficial ao jornalista Carlos Santos, do prestigiado blog potiguar, blogdocarlossantos; a também se unir a família Cariri Cangaço, no próximo mês de agosto no cariri cearense.


Jornalista Carlos Santos, Aderbal, Honório de Medeiros e Severo


Severo e Honório


Honório e Gabriel Barbosa

Além da pauta direcionada à organização do evento de 2010, também foram discutidas outras pautas ligadas a SBEC, como a possibilidade de marcarmos; de acordo com a anuência do nosso presidente Angelo Osmiro, uma reunião extraordinária da entidade, em Fortaleza, reunindo os confrades do Nordeste, para o construção de um plano de trabalho para 2010.

Na oportunidade, Honório de Medeiros ressaltou a forma democrática e harmonica, a exemplo da edição 2009, como o Cariri Cangaço 2010 está sendo montado; "é a certeza do sucesso renovado". E quanto á sua conferencia dos "Coronéis e a Invasão de Mossoró", nada adiantou... "Terão que ir até o cariri e participar do Cariri Cangaço para conhecer mais de perto essa verdadeira epopéia que foram os bastidores do ataque a Mossoró" confirma.

Gabriel Barbosa

Cariri Cangaço Visita Natal



Cariri Cangaço e SBEC em Natal

Foi uma grande satisfação para nós que fazemos o Cariri Cangaço nos reunirmos em Natal com um grupo tão seleto de amigos numa noite de "trabalho" extremamente agradável. Na noite deste último dia 05, estivemos jantando na cidade de Natal com os amigos: Sérgio Dantas, Ivanildo Silveira, Múcio Amaral, Rostand Medeiros e João Marcílio.

O encontro, programado dentro do planejamento de construção do Cariri Cangaço 2010, trouxe novas informações aos confrades e também foi muito importante para acolhimento de sugestões e orientações para esta nova edição, pré marcada para o mês de agosto deste ano.


 Aderbal, Sérgio Dantas e Ivanildo Silveira


Rostand Medeiros, Severo e Múcio Amaral


Ivanildo Silveira e Gabriel Barbosa 

Dentre a pauta extensa da conversa, o cangaço como não poderia deixar de ser ocupou lugar de destaque, entretanto houve tempo para discussões sobre outras temáticas ligadas à história do nordeste e ainda sobre ajustes na sugestão de programação e visitas técnicas.

Confirmados para estarem no Cariri Cangaço 2010 quando agosto vier, foi mais uma vez evidenciado pelos companheiros, o sentimento de harmonia;que o evento acabou proporcionando a todos os amantes da temática.


Dr.Sérgio Dantas confirma participação no Cariri Cangaço 2010

Na oportunidade foi selada a participação importantíssima do Dr. Sérgio Dantas como conferencista com o tema: O Cangaço sob o Olhar da Lei ; e do Dr. Múcio Amaral com o tema Antonio Conselheiro, um Perfil.Tivemos ainda a confirmação do Dr. Ivanildo Silveira coordenando uma de nossas mesas e dos confrades Rostand Medeiros e Dr. João Marcílio.

De Natal a Organização do Cariri Cangaço ainda terá agendas em Recife, Garanhuns, Buique, Piranhas, Poço Redondo e Paulo Afonso.

Manoel Severo - Aderbal Nogueira

Começa a Construção do Cariri Cangaço 2010



Paulo Gastão, Severo, Lemuel e Aderbal , em Mossoró.

Foi dada a largada para o Cariri Cangaço 2010. O evento que em setembro do ano passado reuniu na região do Cariri cearense um número significativo de estudiosos da temática cangaço no Brasil, começa a ser contruido em sua versão 2010; com data pré programada para o mês de agosto de 2010, os organizadores já se movimentam na direção da escolha dos temas e palestrantes.

Neste último dia 05 de janeiro, terça-feira, a organização do Cariri Cangaço, representada por seu curador Manoel Severo, e ainda, por Danielle Esmeraldo e Gabriel Barbosa e representando o presidente da SBEC, Angelo Osmiro, o diretor Aderbal Nogueira, iniciaram uma epopéia de visitas; principiando por Mossoró, onde almoçaram com os confrades Paulo Gastão e Lemuel Rodrigues. Na oportunidade o confrade Lemuel Rodrigues recebeu os cumprimentos do Cariri Cangaço e da SBEC pelo recente sucesso da conclusão de seu doutorado.


Lemuel Rodrigues


Paulo Gastão e caderneta do Cariri Cangaço 2010

 Além da confirmação da presença dos amigos de Mossoró, também ficou confirmada a participação de Lemuel Rodrigues dentre os Conferencistas de 2010, com o tema Caldeirão do Beato Zé Lourenço. Aderbal Nogueira representando a SBEC já adiantou outra iniciativa da entidade; a formação de uma caravana de amigos para celebrar em Serra Talhada o centenário do lengendário Luiz de Cazuza, um dos últimos contemporâneos de Virgulino, o posterior Lampião; e sobrinho de José Saturnino.

De Mossoró a caravana Cariri Cangaço ainda mantém agendas em Natal, Recife, Garanhuns, Piranhas, Poço Redondo e Paulo Afonso.

Gabriel Barbosa

O Cangaço na vida de Poço Redondo Por:Alcino Costa




Alcino Costa, João de Sousa, Angelo Osmiro e Ivanildo Silveira

Ao contrário dos que garantem e afirmam ser o cangaço um flagelo que teve seu início por volta de 1870, pode-se afirmar com segurança que ele surgiu nos campos do sertão nordestino desde os idos do Brasil Colonial. O cangaço e as secas foram os grandes flagelos dos povos sertanejos. Todo o nordeste se rendeu aos horrores daquela tenebrosa sociedade do crime. A seca dizimava os campos e a vida pastoril. O cangaço fazia nascer e florescer brutais criminosos, mestres do bacamarte e do clavinote. Alguns desses sanguinários matadores se tornaram célebres personagens da história sertaneja. Estão nos livros as aventuras de Inocêncio Vermelho, João Calango, Jesuíno Brilhante, Né Dadu, Sinhô Pereira, Luiz Padre e aquele que foi a sua maior e mais luminosa estrela: Virgulino Ferreira da Silva – Lampião.

Em se estudando o cangaço não se pode desconhecer uma verdade pura e cristalina que é aquela de se verificar que essa epopéia nordestina legou o seu povo a um terrível sofrimento, uma provação sem precedente e que varou anos e mais anos, só vindo ter fim na histórica chacina de Angico, no Riacho do Tamanduá, conhecido famosamente como Riacho do Angico, em Poço Redondo, local onde morreram Lampião, Maria Bonita, e ainda, nove de seus companheiros.


Cruz na grota do Angico

Pode-se atestar, com toda convicção, que o cangaço, através da sanha perversa e homicida do cangaceiro, e até das volantes do governo, eram pestes que só traziam dores e sofrimentos para os povos catingueiros.

Nada neste mundo se compara ao sofrimento e agonia que viveu a nossa indefesa gente cabocla, vivendo, por tão longos anos, a mercê daquela turba sanguinolenta que sentia especial prazer em judiar, esfolar e matar as pobres, desvalidas e desafortunadas famílias caipiras. Cangaceiro e soldado achavam-se os senhores da vida e da morte dos que habitavam as terras dos cafundós dos sertões.

Positivamente, cangaço e volante foram desgraças que enlutaram o povo sertanejo. Que os digam as 83 mortes acontecidas no Estado de Sergipe, sendo 69 delas acontecidas no Sertão do São Francisco. Infelizmente, o nosso sofrido e heróico Poço Redondo teve a desventura de ver suas terras empapadas pelo sangue de 55 pessoas assassinadas pelas armas bandoleiras e pelos soldados de volante.


Poço Redondo, norte do estado de Sergipe

Os tempos de Lampião causaram estragos irreparáveis na vida do homem do campo. O flagelo do cangaço foi o responsável pela perda total da tranqüilidade e paz do simplório campônio que viu estupefato e indefeso o seu mundo sertanejo preso, dominado, oprimido e torturado pelos senhores do crime e pelos senhores da lei, tão ferozes como aqueles.

O sangue sertanejo embebeu a terra cabocla de Poço Redondo. Desesperada e indefesa, a população do lugarzinho de China deixou suas casas e se jogou pelo mundo, não ficando uma só família, um só morador naquela abandonada e triste povoação. O êxodo foi total. Por duas vezes – 1932 e 1937 – essa diáspora do povo de Poço Redondo aconteceu. As ruas e praças ficaram abandonadas, nelas não se via um ser humano. As taperinhas com suas portas e janelas abertas e os animais silvestres descansando em seus telheiros, sem nenhum receio de serem atacados pelos caçadores. Os pebas e tatus faziam suas moradias nas salas, varandas, quartos e cozinhas das casas desertas. Quem visse Poço Redondo estava vendo um cenário de dor e infinita tristeza.


Alcino Costa em entrevista a TV Diário, por ocasião do Cariri Cangaço

Fugindo da maldição daqueles terríveis tempos, os tempos do cangaceiro e das volantes, os habitantes de Poço Redondo deixaram o seu mundo amado e foram viver em outros lugares, principalmente Canhoba, Telha, Propriá e a então Serra Negra do tenente João Maria de Carvalho.

Essa comovente aventura conhecida como “As carreiras” é um marco glorioso na história de Poço Redondo que após a morte de Lampião viu seu povo retornar e refazer o seu lugarzinho tornando-o com o andejar dos anos um lugar de respeito e destaque em todo Sertão do São Francisco.

Filho do sofrimento e da pobreza, mesmo assim, a coragem e a fé dos filhos e habitantes de Poço Redondo fizeram-no um grande e considerado município que é um dos fortes pilares do Sertão do São Francisco e de Sergipe

Alcino Alves Costa (O caipira de Poço Redondo).
Fonte: blogdorangel.blogspot.com
Rangel Alves da Costa é filho de Alcino Costa


Aurora 1908: Ataque,Invasão e Saque Parte I Por:Amarílio Gonçalves Tavares



Manoel Severo e Vicente Landim Macedo no lançamento do Cariri Cangaço


Em 1908, exercia a Intendência Municipal de Aurora o 'coronel' Antônio Leite Teixeira Netto (1858-1914), Vulgo Totonho Leite.

Totonho havia substituído o seu sobrinho Antônio Leite de Oliveira, grande amigo de José Antônio Macedo, finado marido de D.Marica da Soledade Landim, que residia no Tipi, onde se tornara política de grande influência. Até então, D. Marica Macedo, como era conhecida, a proprietária do Tipi e o cel. Totonho Leite eram correligionários no âmbito estadual, de vez que apoiavam a mesma facção política, que era a de Nogueira Acioli, presidente do Estado. A nível municipal eram adversárias, pois havia disputa pela chefia do município.

O ambiente sócio-político de Aurora era de animosidade. Era de estranhar que houvesse divergências entre D. Marica Macedo e o Cel. Totonho, pois havia estreitos laços de parentesco e afinidade entre a família da primeira e a do segundo. Basta lembrar que Ana Isabel de Macedo, Naninha, esposa de Totonho Leite, era sobrinha de José Antônio de Macedo, primeiro marido de D. Marica e filha deste casal, de nome: Joaninha, casada com Vicente Leite de Macedo, filho do mesmo Totonho Leite.

O município de Aurora limitava-se com o de Milagres, no sítio Taveira. Ali viviam os Santos, que pertenciam ao rebanho eleitoral do Cel. Domingos Furtado. Bafejados pelo poderoso chefe de Milagres, tais indivíduos tentavam constantemente apoderar-se de terrenos de fazendeiros de Aurora, praticando, além disso, espancamentos e arrombamentos de açudes.

As autoridades de Aurora, que eram Antônio Leite Teixeira Netto (Intendente Municipal), Manuel Gonçalves Ferreira (1º Suplente de Juiz) e Róseo Torquato Gonçalves (Delegado), e que já faziam plano de atacar o Taveira, tendo em vista a prática, por pessoas dali de agressões, ora às pessoas, ora ao patrimônio de correligionários do Cel. Totonho. Estas autoridades não tinham mais o que esperar, diante do esbulho causado pela demarcação do Coxá.


Um grave incidente foi o espancamento de um correligionário do Cel. Totonho, de nome José Gonçalves Pescoço, praticado por dois filhos de D. Idalina Santos, cunhada de Seu Cândido do Pavão, revidando agressão sofrida tempos atrás, por Joaquim dos Santos. Ante a queixa apresentada por Gonçalves Pescoço, o delegado Róseo Torquato fez o processo e tratou de prender os Paulinos. O Cel. Cândido, que transferiu os sobrinhos para o sítio Taveira, onde o “cel.” Domingos os garantiria.

O Fogo do Taveira

Em dezembro de 1908, observou-se movimentação de jagunços na faixa Taveira Coxá, em vista do trabalho de demarcação coordenado por Dr. Floro Bartolomeu. Por esse tempo, correram rumores de que os homens reunidos no Taveira preparavam-se para atacar Aurora. Em represália à ofensa causada a Joaquim dos Santos. Manuel Gonçalves chamou Róseo Torquato e lhe disse: Antes que eles venham almoçar aqui, vamos tomar o café lá. O número de capangas a serviço de Totonho Leite era insignificante. Sem um número de guarda-costas com os quais pudesse enfrentar um inimigo que se sabia ser extraordinariamente forte, Teixeira Netto pediu e conseguiu do presidente Nogueira Acioli a vinda dos destacamentos policias de Iguatu e Lavras, num total de 60 praças sob comando do tenente Florêncio. A pretensão do cel. Totonho era capturar os homens que haviam espancado seu correligionário Gonçalves Pescoço e que se achavam refugiados no Taveira, em casa do Cap. José dos Santos.

D. Marica Macedo – peça chave do episódio – foi avisada pela filha Joaninha de que a sua propriedade Tipi seria atacada. A fim de pedir apoio ao Cel. Antônio de Santana e a João Raimundo de Macedo (Joça do Brejão), seus parentes, D. Marica retirou-se com a família, a cavalo, para Missão Velha, indo pernoitar no Taveira, exatamente de 16 para 17 de dezembro de 1908.

Quando a força policial chegou no Taveira, na madrugada de 17 de dezembro, foi recebida a bala. Houve um tiroteio que durou das três horas da manhã até uma da tarde. Quando começou o tiroteio, todo mudo cuidou de correr para dentro de casa. José Antônio, de 14 anos, filho de d. Marica, lembrou-se do cavalo que estava amarrado num pé de juá, e correu para soltá-lo. Não deu tempo; e o rapaz, estando do lado de fora, foi mortalmente atingido por uma bala. Conquanto o número dos que estavam no Taveira fosse inferior ao dos atacantes, ali havia farta munição. A diligência que saira de Aurora tinha setenta e dois homens, mas pouca munição, que logo se esgotou. Avisado do conflito, Zé Inácio partiu para o Taveira, conduzindo cerca de 50 cangaceiros. Lá chegando, às duas da tarde, já os atacantes haviam batido em retirada.

A morte do filho, naquelas circunstâncias, desencadeou a fúria de D. Marica Macedo, que, incontinente, foi se valer de Dr. Floro, que se encontrava nas imediações. Dr. Floro foi com D. Marica até a presença de Domingos Furtado, e este, sob as alegações de Floro, redigiu um telegrama, para o presidente Nogueira Acioli, pedindo a retirada da tropa estacionada em Aurora. No referido telegrama, que foi assinado por Domingos Furtado, José Inácio e Antônio Joaquim de Santana, os signatários exigiam, uma vez que o seu propósito era destruir a sede do município. Imediatamente, - na mais evidente demonstração de pusilanimidade, Nogueira Acioli – apelido de Babaquara, ordenou a saída do contingente policial.

Extraído do livro: Aurora – História e Folclore, de autoria do escritor aurorense Amarílio Gonçalves Tavares -Fonte - Site oficial do município de Aurora: www.aurora.ce.gov.br

NOTA CARIRI CANGAÇO: Vicente Lamdim de Macedo (foto acima) é advogado radicado em Brasília, Distrito Federal, é neto de Marica Macedo e autor da obra: Marica Macedo a Brava Sertaneja de Aurora.

Cariri Cangaço no Caldeirão do Deserto




Lemuel Rodrigues orienta os confrades do Cariri Cangaço para a foto oficial programada, por ocasião da visita ao Caldeirão do Deserto; ao fundo a Igrejinha de Santo Inácio de Loyola.

Fotografia de Dario Castro Alves

União, Fraternidade e Coletividade Por:Lemuel Rodrigues



Lemuel Rodrigues em noite do Cariri Cangaço

Caros amigos e amigas,


2009 foi um ano dificil, porém bastante produtivo, para nosso país como também para nós. Apesar dos problemas e obstáculos que sempre aparecem, conseguimos superar e atingir as metas estabelecidas com êxito.

Os desafios e obstáculos prosseguem em 2010, mas com a experiência adquirida em 2009, tenho certeza que será mais fácil enfrentar as dificuldades que virão. Nada como união, fraternidade e coletividade para enfrentar os desafios de um novo ano.

É o que desejamos para todos que fazem parte do nosso círculo de amizade e do nosso meio profissional.

Portanto, união entre nós, fraternidade para com os outros, e pensar e agir voltado para a coletividade.
Abs,

Lemuel, Rosimeiry, Alexandre, João Pedro e Maria Luiza

Moreno e Durvinha um Século de História



Moreno e Durvinha em fotos de Leonardo Lara



Moreno e Durvinha, um dos casais mais emblemáticos do ciclo do Cangaço, em fotos de Leonardo Lara. Durvinha, que entrou no cangaço para ficar ao lado de Virgínio, cunhado de Lampião, passou a viver ao lado de Moreno, após a morte do companheiro. Durvinha nos deixou; Moreno completou 100 anos de vida ao lado de seus familiares no estado de Minas Gerais, entre esses, os queridos amigos João Souto e Neli Gonçalves; que nos deu o prazer de vir ao Cariri Cangaço.

Manoel Severo

A Porta de Entrada de Nosso Cariri: Missão Velha




Inauguração da Estação de Missão Velha, 1925
Cortesia Renato Cassimiro, acervo Memorial Padre Cícero

Uma das maiores surpresas do Cariri Cangaço foi a espetacular participação do município de Missão Velha, desde o apoio firme e decidido da equipe do prefeito Washington Fechine, dos Secretários Moreira Paz e Amélia Linard, e todo o pessoal de nosso amigo Rodrigo Torres, que se desdobrou sobremaneira para que tudo corresse bem.

Missão Velha é  a porta de entrada de nosso Cariri, ali pela fronteira com a simpática e acolhedora Barbalha foi erquido o Engenho de Santa Teresa, origem e berço dos Terésios, tradicional tronco de "todas as origens" desse lado de cá de nosso Ceará.


Bosco André, Maraton Linard, José Ivo Dantas e Carlos Macedo

Na manhã do domingo, 27 de setembro, recebemos uma verdadeira aula do grande amigo e historiador, professor Bosco André, que nos brindou com passagens marcantes da ligação de Lampião com a região do Cariri; as várias visitas e incurssões do líder cangaceiro pelas terras de Missão Velha, notadamente pela famosa fazenda Serra do Mato do Cel. Santana e as ligações com o prefeito Isaias Arruda. Realmente uma grande oportunidade de conhecer mais de perto toda essa história.


Aderbal, Lívio, Amaury e Waldir; a caminho de Missão Velha


João de Sousa e Alcino Costa em Missão Velha


Dona Eailce, Carlos Elydio, Amaury e Magérbio de Lucena


Peixoto Junior, Prof. Pereira e Dona Fátima, Messias e Dra. Francisquinha



Alcino, João de Sousa, Aderbal e Kiko Monteiro

NOTA CARIRI CANGAÇO: As imagens se referem a palestra do professor Bosco André, na manhã do dia 27 de setembro no Salão Paroquial de Missão Velha, último dia do Cariri Cangaço.