Aurora 1908: Ataque,Invasão e Saque Parte I Por:Amarílio Gonçalves Tavares



Manoel Severo e Vicente Landim Macedo no lançamento do Cariri Cangaço


Em 1908, exercia a Intendência Municipal de Aurora o 'coronel' Antônio Leite Teixeira Netto (1858-1914), Vulgo Totonho Leite.

Totonho havia substituído o seu sobrinho Antônio Leite de Oliveira, grande amigo de José Antônio Macedo, finado marido de D.Marica da Soledade Landim, que residia no Tipi, onde se tornara política de grande influência. Até então, D. Marica Macedo, como era conhecida, a proprietária do Tipi e o cel. Totonho Leite eram correligionários no âmbito estadual, de vez que apoiavam a mesma facção política, que era a de Nogueira Acioli, presidente do Estado. A nível municipal eram adversárias, pois havia disputa pela chefia do município.

O ambiente sócio-político de Aurora era de animosidade. Era de estranhar que houvesse divergências entre D. Marica Macedo e o Cel. Totonho, pois havia estreitos laços de parentesco e afinidade entre a família da primeira e a do segundo. Basta lembrar que Ana Isabel de Macedo, Naninha, esposa de Totonho Leite, era sobrinha de José Antônio de Macedo, primeiro marido de D. Marica e filha deste casal, de nome: Joaninha, casada com Vicente Leite de Macedo, filho do mesmo Totonho Leite.

O município de Aurora limitava-se com o de Milagres, no sítio Taveira. Ali viviam os Santos, que pertenciam ao rebanho eleitoral do Cel. Domingos Furtado. Bafejados pelo poderoso chefe de Milagres, tais indivíduos tentavam constantemente apoderar-se de terrenos de fazendeiros de Aurora, praticando, além disso, espancamentos e arrombamentos de açudes.

As autoridades de Aurora, que eram Antônio Leite Teixeira Netto (Intendente Municipal), Manuel Gonçalves Ferreira (1º Suplente de Juiz) e Róseo Torquato Gonçalves (Delegado), e que já faziam plano de atacar o Taveira, tendo em vista a prática, por pessoas dali de agressões, ora às pessoas, ora ao patrimônio de correligionários do Cel. Totonho. Estas autoridades não tinham mais o que esperar, diante do esbulho causado pela demarcação do Coxá.


Um grave incidente foi o espancamento de um correligionário do Cel. Totonho, de nome José Gonçalves Pescoço, praticado por dois filhos de D. Idalina Santos, cunhada de Seu Cândido do Pavão, revidando agressão sofrida tempos atrás, por Joaquim dos Santos. Ante a queixa apresentada por Gonçalves Pescoço, o delegado Róseo Torquato fez o processo e tratou de prender os Paulinos. O Cel. Cândido, que transferiu os sobrinhos para o sítio Taveira, onde o “cel.” Domingos os garantiria.

O Fogo do Taveira

Em dezembro de 1908, observou-se movimentação de jagunços na faixa Taveira Coxá, em vista do trabalho de demarcação coordenado por Dr. Floro Bartolomeu. Por esse tempo, correram rumores de que os homens reunidos no Taveira preparavam-se para atacar Aurora. Em represália à ofensa causada a Joaquim dos Santos. Manuel Gonçalves chamou Róseo Torquato e lhe disse: Antes que eles venham almoçar aqui, vamos tomar o café lá. O número de capangas a serviço de Totonho Leite era insignificante. Sem um número de guarda-costas com os quais pudesse enfrentar um inimigo que se sabia ser extraordinariamente forte, Teixeira Netto pediu e conseguiu do presidente Nogueira Acioli a vinda dos destacamentos policias de Iguatu e Lavras, num total de 60 praças sob comando do tenente Florêncio. A pretensão do cel. Totonho era capturar os homens que haviam espancado seu correligionário Gonçalves Pescoço e que se achavam refugiados no Taveira, em casa do Cap. José dos Santos.

D. Marica Macedo – peça chave do episódio – foi avisada pela filha Joaninha de que a sua propriedade Tipi seria atacada. A fim de pedir apoio ao Cel. Antônio de Santana e a João Raimundo de Macedo (Joça do Brejão), seus parentes, D. Marica retirou-se com a família, a cavalo, para Missão Velha, indo pernoitar no Taveira, exatamente de 16 para 17 de dezembro de 1908.

Quando a força policial chegou no Taveira, na madrugada de 17 de dezembro, foi recebida a bala. Houve um tiroteio que durou das três horas da manhã até uma da tarde. Quando começou o tiroteio, todo mudo cuidou de correr para dentro de casa. José Antônio, de 14 anos, filho de d. Marica, lembrou-se do cavalo que estava amarrado num pé de juá, e correu para soltá-lo. Não deu tempo; e o rapaz, estando do lado de fora, foi mortalmente atingido por uma bala. Conquanto o número dos que estavam no Taveira fosse inferior ao dos atacantes, ali havia farta munição. A diligência que saira de Aurora tinha setenta e dois homens, mas pouca munição, que logo se esgotou. Avisado do conflito, Zé Inácio partiu para o Taveira, conduzindo cerca de 50 cangaceiros. Lá chegando, às duas da tarde, já os atacantes haviam batido em retirada.

A morte do filho, naquelas circunstâncias, desencadeou a fúria de D. Marica Macedo, que, incontinente, foi se valer de Dr. Floro, que se encontrava nas imediações. Dr. Floro foi com D. Marica até a presença de Domingos Furtado, e este, sob as alegações de Floro, redigiu um telegrama, para o presidente Nogueira Acioli, pedindo a retirada da tropa estacionada em Aurora. No referido telegrama, que foi assinado por Domingos Furtado, José Inácio e Antônio Joaquim de Santana, os signatários exigiam, uma vez que o seu propósito era destruir a sede do município. Imediatamente, - na mais evidente demonstração de pusilanimidade, Nogueira Acioli – apelido de Babaquara, ordenou a saída do contingente policial.

Extraído do livro: Aurora – História e Folclore, de autoria do escritor aurorense Amarílio Gonçalves Tavares -Fonte - Site oficial do município de Aurora: www.aurora.ce.gov.br

NOTA CARIRI CANGAÇO: Vicente Lamdim de Macedo (foto acima) é advogado radicado em Brasília, Distrito Federal, é neto de Marica Macedo e autor da obra: Marica Macedo a Brava Sertaneja de Aurora.

6 comentários:

Anônimo disse...

A história de Aurora e de Marica Macedo é pontilhada de episódios marcantes, o Cariri Cangaço e os organizadores marcaram um ponto trazendo essa história para o evento em 2010. O Fogo do Taveira, a Invasão de Aurora, a uniãi dos coronéis com Dona Marica, o cerco a Lampião por Isaias Arruda, enfim,

E rever o neto de Dona Marica, o grande escritor Vicente Landim nas paginas deste blog foi uma surpresa muito boa mesmo
parabens aos organizadores.

Rubens - Fortaleza

Anônimo disse...

Fogo do Taveira uma das passagens mais incríveis dos tempos dos "coroneis de saias". Dona Marica Macedo do Tipi era de fazer inveja a muito "cabra macho sim seunhor"

Abraços a todos do Cariri Cangaço.

Lima Verde - Limoeiro do Norte

Anônimo disse...

Marica Macedo deveria sim fazer parte da programação de tão importante evento,juntamente com dona Fideralina, dona Bárbara de Alencaer foram as matronas mais poderosas do sertão em épocas passadas.

Ribamar Lemos - Juazeiro do Norte

Anônimo disse...

oi, Sou fã do escritor Amarílio Gonçalves Tavares lá de Aurora

Américo Gomes de Almeida - OAB - PB 8424 disse...

Aqui mando o meu abraço para o escritor Amarilio e nem sei se ele ainda mora no Cabo Branco, em João Pessoa.Que continue escrevendo assim.

Américo Gomes de Almeida - OAB - PB 8424 disse...

Sou fã de Amarilio e hoje estive no Tipi de Cima, onde só tem algumas vacas magras