Ângelo Osmiro: O Guardião da Verdade no Sertão das Letras Por Gilmar Teixeira

Ângelo Osmiro

Há homens que atravessam o sertão não a cavalo, nem de alpercatas gastas, mas armados de livros, paciência e verdade. Ângelo Osmiro é um desses. Caminha pela caatinga da história com o cuidado de quem sabe que cada pegada mal dada pode virar invenção, e que cada palavra fora do lugar pode trair a memória de um povo inteiro. Pesquisador, historiador e escritor, Ângelo não coleciona apenas quase três mil livros sobre o cangaço; ele coleciona respeito. Respeito pela história autêntica, pelos registros confiáveis, pelas vozes que realmente viveram o fenômeno sertanejo. Em tempos de modismos fáceis e romantizações perigosas, ele escolheu o caminho mais difícil: o da verdade. E quem escolhe esse caminho, invariavelmente, se torna referência. Na sua biblioteca — que mais parece um santuário do sertão — convivem Lampião e Benjamin Abraão, coronéis e beatos, Antônio Conselheiro, Padre Cícero, Padre Ibiapina, Frei Damião, Pedro Batista. Todos ali não como lendas folclorizadas, mas como personagens históricos, humanos, contraditórios, reais. Ângelo Osmiro não aceita atalhos: para ele, a história não se inventa, se pesquisa.

Cearense de Fortaleza, nascido em 5 de junho de 1963, formado em História pela UVA, servidor público por profissão e sertanejo por vocação, ele construiu uma trajetória sólida também nas instituições: presidiu a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, é membro da ABRAES, da SCGH, da SBEC, Conselheiro do Cariri Cangaço, e de tantas outras casas onde o saber ainda tem valor. Seus livros, Curiosidades do Cangaço, Da caatinga do Góes a Jaguaruana, Assim era Lampião e outras histórias, e Lampião e Benjamin Abraão, não são apenas obras publicadas; são marcos de um compromisso assumido com o Nordeste.

Mas Ângelo não vive só de arquivos, atas e fotografias amareladas. Vive de afetos. Torcedor apaixonado do Fortaleza — desses que sofrem, vibram e até adoecem quando o time cai —, ele sabe que a vida é feita de derrotas e resistências. E acima de qualquer paixão clubística, está o amor pela família: filhos e netos que já aprendem, desde cedo, a amar a literatura nordestina. É aí que mora a maior vitória: o legado que continua. Chamam-no, com justiça, de Doutor no assunto. Mas ele é, antes de tudo, um ser humano especial, educado, inteligente, firme nas convicções e generoso no compartilhar do saber. Dentro da historiografia do sertão nordestino — e especialmente do cangaço — Ângelo Osmiro é unanimidade. Quem pesquisa, quem estuda, quem lê, sabe: ali está um guardião da memória.

Num sertão onde tantas histórias se perdem no vento, Ângelo Osmiro fincou estacas de verdade. E enquanto houver alguém disposto a ouvir o Nordeste como ele escuta, o cangaço não será mito vazio — será história viva, contada com responsabilidade, paixão e honra.

Gilmar Teixeira, Conselheiro Cariri Cangaço - Feira de Santana

Lidia a Mais Bela das Cangaceiras

Imagem criada por IA

Diz a lenda — e no sertão a lenda costuma ter mais força que a certidão de nascimento — que a beleza de Lídia era uma afronta ao cenário árido do Cangaço. Enquanto a caatinga era feita de espinhos e cinza, ela era feita de curvas e viço. Baiana de dentes perfeitos e cabelos pretos como a asa da graúna, Lídia entrou no bando de Lampião aos dezoito anos, trazendo consigo uma alegria que parecia não caber na rotina de fugas e poeira. Ela era a companheira de Zé Baiano, o temido "Ferrador de Mulheres". Mas, no universo brutal do cangaço, a beleza não era um escudo; era, muitas vezes, uma sentença.

O Rosto que se Perdeu no Tempo

A busca por um retrato de Lídia tornou-se, para historiadores e curiosos, uma espécie de procura ao Santo Graal. Vasculham-se baús, interrogam-se descendentes, analisam-se negativos mofados, tudo na esperança de encontrar o brilho daquele olhar. O que temos, porém, é apenas um reflexo: a fotografia de sua irmã, Francelina Pereira de Souza. Dizem os antigos que eram idênticas, como se o destino tivesse preservado o rosto de uma para que pudéssemos imaginar a tragédia da outra. Mas a verdade é que a fotografia de Lídia foi revelada em sangue e enterrada em silêncio.

O Código de Honra e a Cova Rasa

A história de Lídia não termina com o clique de uma câmera, mas com o som seco de pauladas ao amanhecer. Acusada de traição, ela conheceu a face mais cruel do homem que dizia amá-la. Zé Baiano, carrasco e vítima de sua própria honra bárbara, desfigurou o rosto que o mundo tanto admirava. Ali, sob o sol que nascia para testemunhar o horror, a beleza foi sistematicamente apagada para cumprir o implacável Código de Honra do Cangaço. Diz o relato popular que, após o ato, o bruto chorou como criança. Enterrou-a em uma cova rasa, tentando esconder da terra o que ele mesmo tinha destruído. O choro de Zé Baiano é o paradoxo do sertão: a mão que fere é a mesma que lamenta a perda da flor que ela própria arrancou.

O Mito que o Baú Protege

Talvez seja melhor assim. Talvez o fato de não existir uma foto de Lídia seja a última proteção que o tempo lhe concedeu. Sem uma imagem real para limitar nossa imaginação, ela permanece sendo a "mais bela" de forma absoluta, intocada pelas marcas da velhice ou pela má qualidade de uma lente antiga. Lídia habita o campo do mito. Se a foto aparecesse hoje, provar sua autenticidade seria um desafio hercúleo. Mais do que isso: a realidade poderia empalidecer a lenda. Enquanto o retrato continuar guardado no "fundo do baú" da história — ou perdida para sempre na poeira do sertão e do tempo — Lídia continuará viva em cada descrição de sua beleza e em cada lamento sobre sua partida precoce. Ela é a face invisível do Cangaço. Aquela que foi bela demais para um mundo tão feio, e que, por isso, preferiu tornar-se apenas memória.

Créditos :A fotografia foi criada por IA a partir da original do rosto de Francelina Pereira de Souza e que está disponível na internet. A Crônica é de minha autoria.

Fonte: Grupo de Facebook Lampião, Cangaço e Nordeste.

Antônio Amaury: Quando a Memória não Morre Por Gilmar Teixeira


Há homens que partem e deixam silêncio. Outros partem e deixam caminhos. Antônio Amaury partiu deixando trilhas abertas no sertão da história, veredas firmes por onde seguirão, por muito tempo, aqueles que desejarem compreender o cangaço para além do mito, do exagero ou da caricatura. A notícia de sua morte não trouxe apenas tristeza; trouxe também a consciência de uma ausência imensa. O Brasil perde o maior pesquisador do cangaço, mas o Nordeste — mesmo aquele que não o viu nascer — perde um dos seus filhos mais devotados. Paulista de Araraquara, Amaury foi nordestino por escolha, por encanto e por pertencimento espiritual. Mudou-se para o sertão em alma, mesmo mantendo os pés fincados em São Paulo.

Não estudou o cangaço à distância. Foi ao chão rachado, às casas simples, às memórias guardadas no fundo dos olhos dos que viveram aquele tempo. Sentou-se para ouvir cangaceiros, soldados, coiteiros. Abriu a porta da própria casa para Dadá, ouviu o que muitos não tiveram paciência ou coragem de escutar. Colecionou relatos como quem recolhe fragmentos de uma verdade espalhada pelo tempo.

Antônio Amaury não pesquisava números frios; pesquisava gente. Gente marcada pela dureza da caatinga, pela violência da história, pela sobrevivência possível. Seu rigor científico caminhava lado a lado com o respeito humano. Talvez por isso fosse tão grande: porque nunca se colocou acima do sertão, mas dentro dele.

Em Paulo Afonso, encontrou parceiros de caminhada. Com João de Sousa Lima e Luiz Ruben Bonfim, construiu laços que iam além dos livros. Eram amizades feitas de confiança, de longas conversas, de partilhas sinceras. Apresentou livros e aceitou ser apresentado. O maior escritor do cangaço nunca se vestiu de soberba; preferiu a humildade dos grandes mestres. Sua casa, sempre aberta, virou ponto de romaria intelectual. Pesquisadores, jornalistas, estudantes, cineastas: todos encontravam ali não apenas um acervo monumental, mas um homem disposto a ensinar, ouvir e orientar. Amaury era farol. E faróis não caminham, mas iluminam.

Hoje, o sertão perde uma voz, mas não perde a memória. Seus livros seguem como mapas seguros. Seu legado permanece como obrigação moral para quem estuda o tema: pesquisar com seriedade, escrever com honestidade, respeitar a história e as pessoas que a viveram. Antônio Amaury descansa. Mas o cangaço, graças a ele, jamais voltará a ser apenas sombra ou lenda. Ele deu nome, rosto, contexto e verdade a um dos capítulos mais complexos da história brasileira.

E há perdas que, paradoxalmente, confirmam a imortalidade. Amaury agora é tempo. É referência. É memória viva.

Gilmar Teixeira, Conselheiro Cariri Cangaço - Feira de Santana

Expedições Cariri Cangaço 2026 - Sousa, Uiraúna, Nazarezinho e Aparecida

Programação Oficial
Expedições Cariri Cangaço 2026
Sousa, Uiraúna, Nazarezinho e Aparecida
Paraíba - Nordeste do Brasil

05 fevereiro 2026 Quinta-feira
Uiraúna-PB
15h - Auditório da Escola Municipal Benevenuto Mariano
Rua Manoel Mariano, 177 - Centro Uiraúna

15h10 - Entrega de Comenda do Mérito Cultural Cariri Cangaço
Prefeita Municipal Leninha Romão

Conferência
"Os heróis da resistência de Uiraúna -A inteligência venceu o Cangaço"
Conselheiro Cariri Cangaço Dannylo Maia

16h Visita aos Cenários da Resistencia
Inauguração do Monumento da Chegada de Lampião à Rua da Proa
Rotatória - Rua Francisco Leão Veloso

16h20 Consagração de Lugar de Memória
Inauguração do Monumento aos Heróis da Resistência
Igreja Matriz Jesus, Maria e José

17h Visitas ao Sítio Canadá e fixação de Placas Comemorativas
Casarão do senhor Teodoro Figueiredo
Palavras pelo proprietário, senhor Teodoro Figueiredo

Casa Grande da Família Roque
Palavras por representante da Família Roque

18h Praça de Eventos Joca Claudino
Espaço Cultural - Vila do Artesão Josefa Maria da Conceição
Exposição e Peça Teatral "Os Heróis da Resistência"
Orquestra de Frevo de Uiraúna


06 fevereiro 2026 Sexta-feira
Sousa-PB
9h Saída para Rota "Caminhos da Invasão a Sousa"
Caminhada pelas ruas do centro da cidade, cenário da invasão do 
bando de Lampião em julho de 1924
Visitas conduzidas pelo pesquisador Gabriel Mariz
Consagração "Lugar de Memória"
Conselheiros Manoel Severo e Luma Hollanda

9h Concentração 
Largo da Estação Ferroviária
Cenário Histórico precioso para toda a região, o Largo da Estação Ferroviária; espaço restaurado e revitalizado; nos transporta no tempo, com o Museu do Ferroviário de Sousa, localizado nos antigos prédios da REFESA, e ao próprio passado da cidade de Sousa. 

10h  Visita Técnica 
Casarão do Coronel Emídio Sarmento
O Casarão do coronel Emídio Sarmento é um dos importantes representantes do patrimônio histórico e arquitetônico de Sousa; hoje é a sede do Memorial Coronel Emídio, uma das mais destacadas personalidades da historia politica e econômica da região, o Memorial nos traz a historia da família, através de seu Museu com acervo vasto.

10h15 Comenda de Mérito Cultural ao Memorial Coronel Emídio

10h45  Visita Técnica 
Casarão da Família Mariz
A família Mariz; um dos mais tradicionais nucleos familiares do nordeste; com raízes antigas em Sousa, com figuras históricas como o Padre Antônio Marques da Silva Guimarães, que foi o primeiro prefeito de Sousa em 1854 e mais recentemente o governador Antônio Mariz, encontra no Casarão da família Mariz; hoje sede da Fundação Antônio Mariz; um espaço precioso e fundamental para entendermos a história não só da família e seus destacados membros, mas e principalmente a própria política e desenvolvimento de Sousa e de toda Paraíba. 

11h40  Visita Técnica 
Casarão do Juiz Archimedes Soutto Mayor
Dr. Archimedes Soutto Mayor, juiz de direito da cidade de Sousa em julho de 1924, uma das maiores vítimas da selvageria cangaceira por ocasião da invasão. o cangaceiro “Paizinho” tinha queixas pessoais contra o magistrado, a quem acusava de tê-lo condenando injustamente. Retirado ainda com roupas de dormir, o Juiz foi submetido a todo tipo de suplicia e humilhação, sendo forçado a andar de cangalha e em posição vexatória pelas ruas de Sousa. O ato final seria o assassinato do magistrado, mas Chico Pereira interveio e evitou a consumação do ato extremo. 

Almoço

15h Visita ao Parque dos Dinossauros

19h Fundação Antônio Mariz
 Dr. José Mariz, n° 20 – Centro – Sousa-PB

19h15 Comenda de Mérito Cultural 
Prefeito Helder Moreira Abrantes de Carvalho
José Célio de Figueiredo
Heitor de Sousa Camilo
Zé de Mariz
 
19h30 Conferência
"O Cenário Político e Econômico da Região de Sousa na época da Invasão"
Conselheiro Cariri Cangaço José Otavio Maia de Vasconcelos

20h10 Conferência
"A Invasão de Sousa pelo Bando de Lampião"
Conselheiro Cariri Cangaço Bismark Martins de Oliveira

20h40 Lançamento Cordel
"Lampião e o Dragão pelejando na lua cheia"
Jackson Queiroga


07 fevereiro 2026 - Manhã do sábado
Nazarezinho-PB
9h Saída para a Fazenda Jacu
Lendária Fazenda Jacu da família de Chico Pereira

9h30 Fazenda Jacu - Nazarezinho
Consagração e Consolidação como Lugar de Memória

11h Visita ao Centro de Nazarezinho - Rua Velha
Local da antiga "Bodega de seu João Pereira"
Fixação de Marco Histórico

11h15 Auditório da Escola Maria do Carmo Mendes Pedroza
Centro Nazarezinho

11h10 - Entrega de Comenda do Mérito Cultural Cariri Cangaço
Prefeito Municipal Marcelo Batista Vale
Primeira-Dama Andressa Roberto
Secretário de Cultura Sebastião Cordeiro Braga
Secretária de Ação Social Virgínia Leite
Francisco Ramon Batista Neves
Helena Maria Pereira
Iris Mendes Medeiros

Conferência
"Conhecendo o Cangaceiro Chico Pereira"
Conselheiro Cariri Cangaço Wescley Rodrigues Dutra

Lançamento
"A Saga do Sargento Clementino Quelé"
Conselheiro Cariri Cangaço José Tavares de Araújo Neto

Almoço

07 fevereiro 2026 - Tarde do sábado
Aparecida-PB
14h30 Saída para a Aparecida

15h30 - Fazenda Acauã
Visita Guiada por Laércio Filho
Conselheiro Cariri Cangaço Manuel Dantas Vilar Suassuna
Lugar de Memória Luma Hollanda
Lendária Fazenda Acauã, construída ainda no século XVIII, marcou a infância do Mestre Ariano Suassuna e foi palco de inúmeros eventos políticos marcantes ao longo de seus quase 300 anos. 

16h30 - Entrega de Comenda do Mérito Cultural Cariri Cangaço
Prefeito Municipal João Rabelo de Sá Neto
Secretário Laércio Filho
Escritor José Almeida Pereira
Manuel Dantas Vilar - Dantinhas
Conselheiro Cariri Cangaço Manuel Dantas Vilar Suassuna
Miguel Mourão

16h50 Conferência e Lançamento
"A Lendária Fazenda Acauã"
José Almeida Pereira

17h30 Conferência
"O Cangaço Lampiônico no Alto Sertão da Paraíba"
Fabiana Agra

18h10 Merenda Sertaneja

 18h30 Documentário
"A Pedra do Reino e o Sertão de Dom Pantero"
Manuel Dantas Vilar - Dantinhas

Roda de Conversa
Conselheiro Cariri Cangaço Valdir Nogueira
Conselheiro Cariri Cangaço Carlos Alberto Silva
Conselheiro Cariri Cangaço Kydelmir Dantas

Encerramento



Expedições Cariri Cangaço 2026
Sousa, Uiraúna, Nazarezinho e Aparecida
Paraíba - Nordeste do Brasil

Realização
Conselho Alcino Alves Costa - Cariri Cangaço

Apoio na Realização
Prefeitura Municipal de Sousa
Prefeitura Municipal de Uiraúna
Prefeitura Municipal de Nazarezinho
Prefeitura Municipal de Aparecida
Acauã Produções Culturais
Memorial Coronel Emídio
Fundação Antônio Mariz

Apoio Institucional
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
 ABLAC - Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
ABRAES - Academia Brasileira de Estudos do Sertão Nordestino
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
GECAPE - Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco
GSEC - Grupo Sergipano de Estudos do Cangaço
 

João de Sousa Lima Toma Posse como Novo Presidente da ALPA

A Academia de Letras de Paulo Afonso (ALPA) empossou, na noite da última quarta-feira, 19, sua nova diretoria para o biênio 2026/2027. A cerimônia, realizada no plenário Dr. Manoel Josefino Teixeira, na Câmara Municipal de Vereadores — espaço gentilmente cedido pelo presidente da Casa, Zé de Abel — reuniu autoridades, vereadores, familiares, amigos e a maior parte dos acadêmicos, em um momento marcado por emoção, reconhecimento e compromisso com a cultura.

A solenidade foi conduzida pelo ex-presidente, Dr. Isac Oliveira, que presidiu a mesa e recebeu aplausos pelo trabalho desempenhado ao longo de sua gestão. Durante o evento, foi oficializada a posse do novo presidente da ALPA, o escritor e pesquisador João de Sousa Lima, que assume seu primeiro mandato à frente da instituição.

Nova Diretoria da ALPA – Biênio 2026/2027
Presidente: João de Sousa Lima
Vice-Presidente: Francisco Araújo
Secretário-Ge ral: Aníbal Nunes
2º Secretário: Antônio Marcos Lima
Tesoureiro: Jorge Henrique
2º Tesoureiro: Edson Barreto

Também foram empossados os membros do Conselho Fiscal, Conselho de Contas e do Conselho Editorial, reforçando o compromisso de fortalecimento institucional e literário da ALPA para os próximos anos. Em seu discurso, João de Sousa Lima fez questão de destacar o legado da gestão anterior e demonstrou profundo respeito ao trabalho que o antecedeu:


“Meus agradecimentos e admiração pela diretoria passada, que conduziu com dedicação e trabalho exemplar o momento de transição. Principalmente ao ex-presidente, Dr. Isac Oliveira, que honrou o nome da Academia durante todo o período, dentro de suas possibilidades, com dedicação e esmero.”

A posse da nova diretoria marca um novo capítulo na história da Academia de Letras de Paulo Afonso, que segue firme em sua missão de preservar, promover e valorizar a literatura, a cultura e a memória da cidade e da região. O biênio 2026/2027 promete avanços, projetos culturais e uma atuação ainda mais próxima da comunidade, sob a liderança de João de Sousa Lima e sua equipe.

Por Gilmar Teixeira
Conselheiro Cariri Cangaço

NOTA CARIRI CANGAÇO
O Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço, através de seu Presidente, Manoel Severo Barbosa, congratula-se com votos de pleno sucesso e muitas realizações ao mais novo Presidente da ALPA, nosso Conselheiro Cariri Cangaço João de Sousa Lima, posse que reconhece o enorme e responsavel trabalho deste brilhante intelectual na direção do fomento da literatura e cultura pauloafonsinas.  



Areia uma Jóia do Patrimonio Nacional encravado no Brejo Paraibano

Igreja do Rosário dos Pretos em Areia

É inegável a força da região do brejo paraibano, encravada no alto da serra da Borborema, pontuada pelas cidades que guardam beleza, tradição e cultura num ambiente de patrimônio tombado e um clima ameno de suíça brasileira, onde despontam dentre outras, as cidades de Bananeiras, Areia, Solânea, Guarabira e Alagoa Grande.

Depois de uma saga de 9 dias pelas estradas nordestinas, saindo de Fortaleza, passando por João Pessoa, Recife, Gravatá e Campina Grande, chegamos a Areia; eram cerca de 15 horas, ainda havia tempo para aproveitar a maravilhosa magia e as muitas belezas desta que sem dúvidas é uma das mais belas cidades paraibanas. Museu Casa de Pedro Américo, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Igreja do Rosário dos Pretos, Museu Regional de Areia, enfim, Areia guarda em si, memorias e lembranças para toda uma vida. 

Tailene Barros e Manoel Severo na praça central de Areia
Tailene Barros e Manoel Severo na Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Tailene Barros e Manoel Severo na praça central de Areia

Recorremos ao site "Brejo Paraibano" para trazer um pouco da história de Areia:"Em 1625, Areia era conhecida como Sertão dos Bruxaxás, numa alusão à tribo Bruxaxá. Posteriormente esse povoado foi elevado à condição de vila, com o nome de Villa Real do Brejo de Areia. Areia foi a primeira cidade do Brasil a libertar os escravos dez dias antes da oficialização da lei áurea, em 3 de maio de 1888. O município está a uma altitude superior a 600 metros e apresenta um clima agradável o ano inteiro, sendo um dos mais frios da Paraíba. No inverno, a temperatura chega a 12 ºC. A cidade possui um conjunto arquitetônico peculiar, tanto urbano como rural, formado por igrejas, museus, prédios públicos, fazendas e engenhos que fabricam rapadura, açúcar mascavo e as famosas cachaças." 

Manoel Severo e Tailene Barros no Museu Regional de Areia

Vamos com o Paraíba Criativa : "Construído em 1972, o Museu Regional de Areia também conhecido por seu nome artístico, “Mura”, tem como missão institucional resgatar, preservar e difundir a memória da região da cidade de Areia, promovendo atividades científicas e culturais com vistas ao desenvolvimento social. Foi criado em 1972, pelo cônego Ruy Barreira Vieira, juntamente com alguns representantes da sociedade areiense, preocupados em registrar a história da cidade e dos seus ancestrais. O museu foi reconhecido como de utilidade pública pela Lei nº 147 de 04 de outubro de 1973, da Câmara Municipal de Areia, e pela Lei nº 3.870 de 28 de dezembro de 1976, da Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba. Dentre os principais objetivos destacam-se: zelar pelo acervo histórico e cultural da região; despertar, principalmente na juventude, o respeito ao passado através do conhecimento dos hábitos, costumes, cultura e arte das gerações anteriores; apoiar o turismo cultural e a difusão do patrimônio cultural da cidade de Areia e entorno; e colaborar com o desenvolvimento de planos, projetos e programas que fomentem o progresso científico, artístico e cultural da região do brejo paraibano."


"O acervo do Museu Regional de Areia (Mura) é composto por peças de diversas categorias, como Arte Sacra, Artes Decorativas, Artes Visuais, Etnologia, Documentos Textuais e Iconográficos, além de uma pequena coleção de Mineralogia, Zoologia e Paleontologia. Está organizado de acordo com as seguintes temáticas: “Areia e a história”, registro da evolução da cidade, da rota de tropeiros, dos movimentos políticos, dos cuidados com a educação, os ciclos econômicos até o tombamento pelo Iphan como patrimônio nacional; e “Areia e a Arte”, registro das manifestações culturais com destaque para a vida e obra dos pintores Pedro Américo e Aurélio de Figueiredo e do escritor José Américo, dentre outros."

"Areia tem a cultura forte que partem de filhos que deixaram um legado memorável à história da cidade e do país. A cidade é lembrada como a terra do pintor Pedro Américo, do escritor José Américo de Almeida e do Padre Azevedo, inventor da máquina de escrever e de tantos outros filhos ilustres. Conhecida como “Terra da Cultura”, sedia o primeiro teatro construído no estado da Paraíba, o Teatro Minerva, edificado em meados do Séc. XIX e outros prédios históricos que tornam emblemática a cultura regional." Fonte: brejoparaibano.com.br

A Praça Pedro Américo em Areia, Paraíba, é um ponto central e histórico de Areia. É um lugar que simboliza a beleza dos casarões antigos da cidade, que tem um conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN. Ali vamos encontrar a bela Igreja do Rosário dos Pretos.
Manoel Severo
Igreja do Rosário dos Pretos 

"Com construção datada no  Início do século XVII , embora não se tenha dados concretos, sabe-se que a Igreja do Rosário é uma das mais antigas da Paraíba e acha-se situada no centro da cidade de Areia, em frente a Praça Ministro José Américo de Almeida. Sua construção foi iniciada em meados do século XVIII (18), vindo a ser concluída somente no século XIX (19), no ano de 1886, com a chegada de uma verba de quatro contos de réis concedida pelo Governo da Província da Paraíba. Ainda em 1886 foi celebrada a primeira festa religiosa na Igreja do Rosário. Segundo histórias relatadas e comprovadas por pessoas da cidade, a igreja foi construída com mão-de-obra dos escravos. De acordo com elas, os negros não podiam rezar na igreja matriz. A Igreja do Rosário passou algumas reformas, mas mesmo assim manteve a fachada, o altar e o interior, ambos construídos no estilo barroco."

Visita do Cariri Cangaço ao Museu Casa de José Américo, em Agosto de 2025 na cidade de Areia no Brejo Paraibano