Pedro Américo
Já era fim de tarde do dia 22 de agosto de 2025 , uma sexta-feira, quando chegamos ao brejo paraibano; uma região belíssima dentro do território da querida Paraíba, nosso destino a cidade de Areia, a bela encravada no alto da serra da Borborema e berço do grande, imenso, pintor Pedro Américo.
Um conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN no ano de 2005, nos recebe com suas casinhas coloridas, uma ao lado da outra; grandes, pequenas, outras imensas; não importa, todas com muita história para contar. O paralelepípedo de pedra tosca ajuda a manter a legitima atmosfera que nos transporta no tempo, voltando a um passado cheio de memória, história, beleza e tradição. Na praça principal a imponente matriz Nossa Senhora da Conceição com seu histórico rico e sua arquitetura eclética abençoa todo o vale, e bem ali ao lado vamos encontrar o Museu Regional de Areia e um pouco mais abaixo uma não menos famosa casinha se destaca: O Museu Casa de Pedro Américo, uma casa simples, conjugada, com uma porta e duas janelas na frente, com sala de visitas, sala de jantar, dois quartos, cozinha, banheiro e um pequeno quintal.
Manoel Severo e Tailene Barros na Casa Museu Pedro Américo, em Areia
Construída ainda no ano de 1843, a casa foi berço de menino Pedro Américo de Figueiredo e Melo, filho do casal, comerciante Daniel Eduardo de Figueiredo e dona Feliciana Cirne; uma família com profunda afinidade com as artes. Com o pai violinista, apesar dos poucos recursos, desde cedo o menino Pedro encontrou em casa o estímulo necessário ao desenvolvimento de um talento precoce: Pedrinho era um exímio desenhista, o que logo lhe trouxe destaque mesmo na pequena cidade.
Em 1852, Pedro não havia completado nem 10 anos e um acontecimento seria crucial para mudar a sua vida. Uma expedição científica chegava a Areia, sob o comando do naturalista francês Louis Jacques Brunet e tomando conhecimento do talento do menino, foi ate sua casa e conheceu alguns de seus "trabalhos" que incluíam uma série de cópias de obras clássicas, tomado por justificada surpresa decidiu coloca-lo a prova: testaria seu talento , sua capacidade e habilidade. Plenamente aprovado, o pequeno Pedro de nove anos foi contratado e tornou-se o desenhista da expedição, assim o pequeno artista partiria para uma verdadeira saga que duraria vinte meses ao lado de Brunet por todo o Nordeste.
Tailene Barros
Tailene Barros e Manoel Severo
Em 1854, a partir de muitas Cartas de Recomendações e com seu trabalho já reconhecido, Pedro com apenas onze anos foi admitido na AIBA - Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, entretanto antes ainda passaria uma temporada no Colégio Pedro II, onde estudou o latim, francês, português, aritmética, aprimorando o estudo do desenho e da música e novamente tornando-se destaque entre todos. Em 1856 outro acontecimento decisivo: havia de ingressar no curso de Desenho Industrial da Academia, tendo novamente um progresso e um sucesso impressionantes recebendo 15 medalhas e ali receberia o apelido de "papa-medalhas". Mesmo antes de terminar o curso obteve uma pensão do imperador Dom Pedro II, partindo dali para uma fase de aperfeiçoamento na Europa.

Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro; instituição que foi fundada por D. João VI em 1816 como Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, com o objetivo de estabelecer o ensino das artes no Brasil
A origem do primeiro prédio do Colégio Pedro II remonta ao ano de 1739, quando por inspiração de Dom Antônio de Guadalupe, 4º Bispo do Rio de Janeiro, foi fundado ali o Colégio dos Órfãos de São Pedro.
O ano era 1859 e Paris era seu destino quando matriculou-se na Escola Nacional Superior de Belas Artes, sendo discípulo de grandes mestres como Ingres, Leon Cogniet, Hippolyte Flandrin e Sebastien-Melchior ; continuaria ganhando prêmios e aperfeiçoando no mundo das artes e do conhecimento, bacharelou-se em Ciências Sociais na Sorbonne como também aprofundou-se em arquitetura, filosofia, teologia e literatura. Em 1862 aos 19 anos partia para a Bélgica e matriculava-se na Universidade Livre de Bruxelas.




Em 1864, com 21 anos retornou ao Brasil e foi convocado pelo imperador Pedro II a participar de um concurso para professor de Desenho Figurado no curso de Desenho Industrial da Academia Imperial, foi o vencedor, mas não assumiria o cargo. Depois de pouco tempo na corte no Rio de Janeiro, votaria em 1865 a Europa. Quatro anos depois voltaria ao Brasil, era o ano de 1869 quando casaria com Carlota, filha de Manuel de Araújo Porto-Alegre, cônsul brasileiro em Lisboa, com quem teria três filhos. No Rio no início de 1870 e passou a dedicar-se à pintura de telas mitológicas, históricas e retratos. Na Academia Imperial lecionava e escrevia. Nessa época ainda era um pintor desconhecido mas logo logo acabaria se tornando um dos maiores pintores do Brasil, passando a figurar constantemente na imprensa ganhando prestigio e apoio, reconhecido em todo o país.






Veio a proclamação da República em 15 de novembro de 1889, fato que traria outra mudança na vida de Pedro Américo que de volta ao Brasil, conseguiu manter parte do seu prestígio junto ao governo, produzindo obras importantes como "Tiradentes esquartejado", "Libertação dos escravos" e "Honra e Pátria e Paz e Concórdia". Em 1890 foi eleito deputado por Pernambuco junto ao Congresso Constituinte e durante seu mandato defendeu a criação de museus, galerias e universidades pelo país. Em 1894, empobrecido, com a saúde piorando e com a visão prejudicada, mudou-se definitivamente para Florença. Apesar dos seus problemas, ainda pintava muito e escrevia. Publicou os romances O Foragido em 1899, e Na Cidade Eterna em 1901, viria a falecer ali mesmo em Florença no dia 7 de outubro de 1905, vítima de "cólica de chumbo", suposta intoxicação pelas tintas que usava.
Por ordem do presidente do Brasil, Rodrigues Alves e aos cuidados do Barão do Rio Branco, seu corpo foi embalsamado e transladado para o Rio de Janeiro, onde ficou exposto durante alguns dias no Arsenal da Guerra, para depois ser traslado para capital paraibana João Pessoa, onde recebeu exéquias solenes entre luto oficial, comércio fechado e uma multidão de admiradores, e em 29 de abril de 1906 foi provisoriamente depositado no Cemitério São João Batista para em 9 de maio foi novamente traslado e sepultado definitivamente na sua terra natal, Areia.
“Batalha de Avaí” (1874 - 1877)
“Fala do Trono”
"Independência ou Morte!" (1888)
“Tiradentes esquartejado” (1893 )
"Pedro Américo deixou obras que permanecem vivas até hoje no imaginário coletivo da nação, como “Batalha de Avaí” (1874 - 1877), “Fala do Trono”, "Independência ou Morte!" (1888) “Tiradentes esquartejado” (1893 ), "Batalha de Campo Grande" (1871), e outras obras como "Dom Pedro II na Abertura da Assembleia Geral" (1872). o Museu Casa de Pedro Américo possui mais de vinte reproduções de telas famosas do artista, alguns esboços autênticos e o original “Cristo Morto”, de inestimável valor, um dos seus últimos trabalhos, pintado em 1901. Há também um retrato de Pedro Américo, pintado por seu irmão Aurélio de Figueiredo. Expostos numa vitrine, objetos de uso pessoal: alguns pincéis, um velho esquadro. Também uma palmatória que pertenceu à sua mãe, um álbum de caricaturas, fotos da família e os livros escritos por ele na Europa – “Holocausto”, em 1882, “O Foragido”, em 1899, “Na Cidade Eterna”, em 1901; além de um crucifixo e um vidro contendo uma página de jornal, retirados de seu caixão mortuário. Na outra sala funciona a galeria de areienses ilustres. Ao total, o acervo conta com 150 peças."
Visita do Cariri Cangaço ao Museu Casa de José Américo, em Agosto de 2025 na cidade de Areia no Brejo Paraibano