Joana Conceição, a Moça de Cirilo Por: Geziel Moura


Moça e Inacinha

O escritor Antônio Amaury Corrêa de Araújo, em sua obra "As Mulheres e o Cangaço", nos conta história interessante sobre a trajetória de Joana Conceição dos Santos, conhecida nas hostes cangaceiras como Moça. Segundo aquele escritor, ela foi companheira de antigo cabra, que se encontrou com Lampião na Bahia em 1928, no início da segunda fase da saga de Virgolino, chamado Cirilo de Ingrácia. Círilo juntamente com seu irmão Antônio, Zé Baiano, Manoel Moreno, Luiz e Zé Sereno formavam o famoso grupo dos Ingrácias, sendo que Antônio fora assassinado por ele, Cirilo, numa questão de assédio deste com a noiva de Antônio, o que levou seus companheiros e parentes a reprovarem tal atitude.


Para Zé Sereno, que teve um entrevero com Moça, ocasionado por pedido para que ele lavasse seus pés, dizia que ela era geniosa e encrenqueira.Em julho de 1935, Dadá no final de sua gravidez, de Sílvio Bulhões, pediu a Corisco que mandasse alguns dos "meninos" buscar o enxoval da criança, que estava preste a nascer, na região de Mata Grande (AL). Logo, o escolhido para a tarefa foi Simão, primo de Dadá, conhecido pela alcunha de Limoeiro, e que foi acompanhado por Cirilo de Ingrácia.


Assim, ao chegarem em determinada casa para pedir comida, foram surpreendidos pelo sub delegado Agripino Feitosa aliado a mais cinco civis, que atiraram nos dois cabras, Limoeiro sendo mais jovem conseguiu escapar, o que não aconteceu com Cirilo, que fora alvejado e encontrado morto, mais adiante, nas margens de um riacho. Moça ao saber do acontecido, desesperou-se e ficou inconsolada, permaneceu por um período no grupo de Corisco, momento em que serviu de parteira do primeiro filho de Corisco e Dadá.

Na medida em que, Corisco não aceitava mulher nem casal em seu grupo, além da sua, disse: "De mulher para dar trabalho, basta a minha", Moça que também não mais se juntara com outro homem, foi intimada a deixar o grupo de Corisco, por mais que ela não quisesse o fazer, levou consigo o dinheiro de seu companheiro, foi denunciada e ficou pouco tempo na prisão, depois conseguiu sobreviver com a soma que foi entregue, pelos companheiros e que pertenceu a Cirilo de Ingrácia. 

Geziel Moura, pesquisador do cangaço.
Fonte: Grupo Lampião Cangaço e Nordeste
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