Bárbara de Alencar, Símbolo de Guerreira

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A heroína Bárbara Pereira de Alencar foi, sem dúvida, o maior símbolo da mulher cratense. Guerreira, idealista, líder da revolução de 1817 no Cariri, Bárbara de Alencar terminou sendo presa em nome dos seus ideais libertários. Apesar da sua importância no contexto histórico do Ceará, restaram poucas lembranças da heroína. Até a casa onde ela morou, no Crato, localizada na Praça da Sé e, segundo os historiadores, primeira construção de cal e pedra da cidade, foi demolida. Em seu lugar foi erguido o prédio da Secretaria da Fazenda do Estado.

No Sítio Pau Seco, hoje Município de Juazeiro do Norte, restam somente os escombros da velha casa de campo, onde ela e os filhos planejaram e sonharam com os ideais republicanos.Porém, no Sítio Caiçara, Município de Exu (PE), onde ela nasceu, a família restaurou e transformou a velha casa num museu particular. Decorridos 170 anos de sua morte, a família tenta restaurar a sua memória. A heroína morreu no Sítio Touro, Estado do Piauí, em 1832. Pediu um enterro simples, dentro de uma rede, assim como eram sepultados seus escravos que, segundo afirmou, foram os amigos leais..
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Casa onde nasceu Bárbara de Alencar - Exu, Pernambuco..

SEPARATISTA — O Crato projetou-se no cenário político da colônia com as lutas pró-independência, quando representante da aristocracia agrária — principalmente a família Alencar — engajaram-se na Revolução Pernambucana de 1817 e envolveram a Vila Real do Crato e Jardim, no projeto revolucionário de 1817: Independência de Portugal e instituição de um sistema republicano de governo. Apesar da repressão sofrida, o espírito de luta desta elite local a faz proclamar antecipadamente a independência, em 1º de setembro. Igualmente ocorre em 1824, quando essa mesma elite liberal se engaja na Confederação do Equador, contrária a política absolutista de Dom Pedro I e favorável à idéia de uma República Separatista. .

Casa onde morou Bárbara de Alencar em Crato

O aumento abusivo dos impostos e da dominação política exercida pela Coroa Portuguesa no país, gerou insatisfação das províncias. Estas organizaram um movimento contra Dom Pedro I. A Revolução Pernambucana de 1817 lutava pela Independência do Brasil de Portugal. O ato espalhou-se por todo o Nordeste e chegou ao Crato. José Martiniano, após missa no púlpito da igreja da Sé catedral, proclamou a independência do Brasil no dia 03 de Maio de 1817. Foi apoiado por sua mãe; Bárbara de Alencar, e pelo irmão Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, que tinham ideais republicanos. Esta atitude deixou muitas personalidades influentes da época insatisfeitas; dentre elas Leandro Bezerra Monteiro, o mais importante latifundiário da região, católico e cheio de ideais monárquicos; mandou prende-los.

Tristão Gonçalves,Bárbara de Alencar (aos 57 anos de idade) e José Martiniano são encontrados e presos em Jardim, em 05 de maio de 1817, pelo Capitão Mor José Pereira Filgueira, quando buscavam apoio do tio Leonel Pereira de Alencar, para a causa republicana. Enviados às masmorras de Fortaleza, depois para Salvador e Recife onde foram humilhados e torturados. Posteriormente receberam anistia da coroa e foram soltos. Os presos políticos foram denominados de “Infames Cabeças”. Enviados para Icó, no Ceará, em seguida para Fortaleza; de lá transferidos para Recife, em Pernambuco e finalmente para a Bahia. Dentre eles estava D. Bárbara, a primeira mulher presa por motivos políticos no Brasil.

Bandeira do Estado de Pernambuco, idealizada

pelos revolucionários de 1817
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Durante os três anos e meio que passou na prisão, D. Bárbara foi afastada de sua família, tratada com crueldade e submetida a diversos tipos de humilhações, porém nunca desistiu de seus ideais. Foi libertada em 1820. Veio à óbito em 1832, aos 72 anos, .em na fazenda Touro, no Piauí.
Em 1824 Tristão Gonçalves, aderiu ao movimento da Confederação do Equador e foi aclamado pelos rebeldes presidente da Província do Ceará. Faleceu em combate com as forças contrárias ao movimento em 31 de outubro de 1825.O Crato ficou dividido entre monarquista e republicanos. Merece destaque o monarquista que ordenou a prisão dos revolucionários: Capitão Joaquim Pinto Madeira, chefe político da Vila de Jardim. Com a renúncia de D. Pedro I em 07 de Abril de 1831, inimigos da monarquia aproveitaram para se vingar de Pinto Madeira, que, na ocasião, armou dois mil Jagunços, com ajuda do vigário de Jardim, Antônio Manuel de Sousa e invadiu o Crato em 1832. Sua tropa Começou vencendo a batalha, porém sucumbiu.

Pinto Madeira e Padre Antonio foram presos e Enviados à Recife e ao Maranhão. Em 1834 Pinto Madeira foi condenado a forca, em Crato. Porém, alegando patente de coronel, morreu fuzilado.Fechando um parêntese da história do cariri, faleceu em 15 de março de 1860, o Senador José Martiniano de Alencar, sem nunca ter desistido de lutar pelas causas republicanas .Houveram muitos acontecimentos marcantes que marcaram a história do Crato.

FONTE: Site oficial do Município do Crato e Blog do Crato

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3 comentários:

Kiko Monteiro disse...

Muito obrigado confrade Severo por este belo resumo, como diria o rei do Baião

...Quero louvar os grandes desse lugar
Luis Pereira, Dona Bárbara de Alencar...

Abraçando!

Anônimo disse...

Valeu Severo,
É preciso trazer para as gerações mais jovens o real valor de brasileiros que fizeram história, Dona Bárbara é história, é a nossa história.

Professor Mário Hélio.

CARIRI CANGAÇO disse...

Estimado Kiko Monteiro,
Nós é que nos sentimos estimulados recebendo suas verdadeiras "aulas cibernéticas" com o maravilhoso Lampiâo Aceso. Muito obrigado por tudo.

Manoel Severo - Cariri Cangaço