O Ataque de Lampião a Uirauna - Pb Por:Sérgio Dantas




Alguns dos defensores de Uiraúna. Ao centro, de paletó escuro, Luiz Rodrigues. Na extrema direita, sentado, o Subdelegado Nelson Leite.


Uma vitória da inteligência sobre a força

Há meses Lampião sumira dos noticiários dos jornais. O ano de 1926 encerra-se sem grandes novidades sobre a horda do famoso cangaceiro de Vila Bela. Bem instalado e seguro no ‘coito’ da Serra do Diamante, do poderoso Coronel Isaías Arruda, Lampião sai da aparente inatividade apenas em fins de abril de 1927. Naquele fim de mês, o bandoleiro deixa o refúgio e pratica assaltos em pequenos vilarejos situados na região noroeste da Paraíba, entre os municípios de Cajazeiras e São José de Piranhas. São ataques rápidos, com vistas apenas ao saque. A proximidade desta parte da Paraíba com o valhacouto do ‘dono’ de Missão Velha facilita sobremaneira a ação do bando.

De fato, no dia 15 de maio daquele ano, liderando uma falange de cerca de trinta e cinco homens, Lampião se prepara para tomar de assalto a Vila de Belém do Arrojado - atual cidade paraibana de Uiraúna. Há dias que ‘olheiros’ residentes em sítios da fronteira já haviam sondado o vilarejo e o cangaceiro – decerto bem ciente das condições do lugar – crê que tem plena chance de sucesso na empreitada que pretende levar avante.

o Arruado de Belém situa-se junto à fronteira do Rio Grande do Norte e é então inexpressivo. Ali não há mais que cento e trinta casas e uma igreja singela. Comércio pobre ou quase inexistente. Também ali não está destacado sequer um contingente policial para manutenção da ordem ou para oferecimento de uma defesa – mesmo que acanhada – no caso de um eventual ataque de cangaceiros. A ‘ordem’ no povoado é garantida somente por um Subdelegado civil, o potiguar Nelson Leite. Apesar de reiteradas notícias sobre incursões de cangaceiros naquela parte da Paraíba nos últimos dias, o Governo do Estado parece ignorar os eventos propalados pelos jornais e pela boca do povo. Apesar de vários reclamos por parte de proeminentes de Belém, o Estado não enviara tropa regular para a localidade.



o início da tarde daquele dia 15 de maio, no entanto, o sertanejo Leonardo Pinheiro percebe a marcha de cangaceiros em direção a Belém. Sem demora, espora o cavalo e entra no povoado em sonoro alarde:

-“Vem cangaceiro por aí! Vem cangaceiro por aí! Parece que é Lampião e não está a mais que umas duas léguas!”

Enquanto a horda marcha em busca do vilarejo, Nelson Leite se apressa em organizar uma defesa. Sangue quente, cioso de suas obrigações, Leite parece disposto a sacrificar a própria vida na defesa da comunidade que lhe fora confiada.

Abandonados à própria sorte, os habitantes de Belém – incentivados por Nelson Leite - tratam de se armar e garantir a resistência do lugar. Civis são convocados e há mesmo os que comparecem voluntariamente para pegar em armas. Ao final do rápido recrutamento, chega-se à desanimadora soma de onze homens apenas. Um contingente ínfimo que tentará rechaçar um bando com cerca de trinta e cinco cangaceiros. Uma luta desigual – se considerarmos a proporção de três bandoleiros para cada defensor e a falta de experiência de guerrilha dos citadinos. Por volta das dezessete horas, finalmente, Lampião avizinha-se da Vila. O frágil agrupamento de casas lhe parece excessivamente frágil e torna-se ainda mais amiudado pela sombra da serra de Luís Gomes, não muito distante dali. “Um alvo fácil”, provavelmente terá pensado o poderoso cangaceiro. O desenrolar dos fatos, porém, lhe revelará um grave erro de prognóstico.


Em que pese a correria desenfreada que se seguiu ao alarma dado por Leonardo Pinheiro, os homens de Nelson Leite aprestam munição e armas. Tudo é feito com rapidez e disciplina.Ao mesmo tempo, mulheres, velhos e crianças – a seguir igualmente os apelos do Subdelegado – buscam refúgio na caatinga ou em sítios de familiares fincados nos arredores de Belém. Pequenos “tesouros” são previamente enterrados em lugares seguros. Potes de barro, caixas de papelão, latas de querosene: qualquer coisa serve como invólucro para as ‘economias’ adquiridas ao longo de anos de trabalho.

Em pouco tempo, os defensores se organizam e estão posicionados em lugares previamente definidos pelo Subdelegado. Dedos nervosos aguardam o desfecho do ataque. Uma testemunha registra os momentos iniciais do entrave:

“O ‘delegado’ Nelson Leite distribuiu uns homens nos pontos mais altos da rua principal, dois outros guarnecendo as laterais e três instalados no teto da Igreja. Quando Lampião entrou com o bando, pela ‘rua velha’, começou a fuzilaria”. (Sinforosa Claudina de Galiza, entrevista).

Nelson Leite, de fato, engendrara bom plano. Distribuíra os poucos rifles e fuzis disponíveis com os onze defensores. Repartiu com irrepreensível parcimônia a rala munição que tinha ao seu dispor. Os melhores atiradores foram destacados para pontos estratégicos. Na teto da igreja - prédio mais alto e com abrangente visão dos arredores - posicionaram-se Luís Rodrigues, Moisés Lauriano, José Teotônio e Joaquim Estevão. O tempo corre lento. Não há novidades. Até perto das oito horas nem sinal da sinistra patuléia de chapéu de couro. A espera alongada transforma as trincheiras em ninhos de ansiedade.


Matriz Jesus, Maria e José, Uirauna atualmente.

De súbito, Luís Rodrigues dá o alarma. Alguém se aproxima. O luar denuncia vultos sorrateiros. Homens armados aproximam-se do povoado pela ‘rua da Proa’. É o início da invasão. De pronto, grande incêndio ilumina a noite na pequena Belém. Grossas labaredas passam a consumir a casa de um agricultor e espalham-se rapidamente para um antigo curral e plantação de milho já há dias quebrado. O incêndio. Método infalível para incutir terror aos sitiados.

Josefa Augusta Fernandes, bem jovem à época do evento, anota a origem do fogaréu:

"Lampião começou destruindo a propriedade do finado João Gabriel, tendo em seguida tocado fogo nos currais e nas plantações de feijão e milho. O fogo serviu para alertar os homens da cidade, sendo que eles já estavam em posição nos principais pontos daqui”. (Maria do Socorro Fernandes, entrevista).

Não havia mais o que esperar. Ao primeiro grito de comando de Nelson Leite, trava-se pesado tiroteio. Lampião, decerto, não esperava semelhante reação. A fantástica fuzilaria oriunda da Vila lhe faz recuar. De efeito, os tiros vindos da rua da Proa tornam inviável uma entrada por aqueles lados.

Sem sucesso na primeira investida, o chefe de cangaço tenta confundir os defensores entrincheirados. Sob sua batuta, os bandoleiros passam a gritar, urrar como animais e a praguejar insultos e xingamentos aos defensores e suas famílias. A permear a gritaria, grossas baterias de tiros.

O rei-do-cangaço deseja tomar Belém. Tentará de todas as maneiras penetrar no vilarejo para vilipendiar suas casas e lhes extrair até o último ‘cobre’. Sem demora, ordena aos comandados a ‘abertura’ de uma linha de fogo pela lateral, com o fito de invadir a Vila pelo flanco oposto.

Nada, entretanto, parece gerar resultado prático. A posição privilegiada dos atiradores locados no telhado da igreja permite que tiros sejam disparados em todas as direções. A resistência agiganta-se com estrondos de repercussão fantástica e de curiosa origem. Nelson Leite improvisara – no pouco tempo que dispôs antes da consecução do ataque - algumas “ronqueiras” e logo começou a fazer uso dos artefatos. Os estrondos causados pelas bombas caseiras são assustadores e surpreendentemente surtem efeito. Um simples improviso que, ao que tudo faz crer, parece realmente ser a chave para uma vitória. (1)

Em pouco, qualquer objeto metálico em formato cilíndrico - e vazado pelo menos em um dos lados - torna-se invólucro para manufatura dos pesados rojões. Joel Vieira, com dezoito anos à época do fato, registrou em depoimento:

“Os que estavam no alto da Igreja, começaram a atirar de ponto e também para dentro da igreja, causando um eco que parecia canhão. O Subdelegado também tinha improvisado umas ‘ronqueiras’, feitas com pólvora socada dentro de latas, e de quando em quando estourava uma. Já estava escuro, e aqueles tiros davam a impressão que havia um canhão com a gente”.

No alto da igreja, Luis Rodrigues - artilheiro mais aguerrido – resolve acrescentar estrondos adicionais aos estampidos das ‘ronqueiras’ improvisadas pelo Subdelegado. Dessa forma, com o intuito de causar impacto ainda maior, começa a atirar quase em paralelo à lateral da nave do prédio sagrado. Estrondos fantásticos, causados pelo eco do salão quase vazio, dão ainda mais ânimo aos outros defensores entrincheirados no teto da igreja. Decide-se que alguns deles, alternadamente, passarão a atirar também para dentro da nave.

A estratégia funciona. Os estrondos se multiplicam. De fato, para quem está do lado de fora, resta a impressão de que algum tipo de canhão está sendo utilizado. Os cangaceiros, atarantados, mantém posição de cautela e não avançam. O escuro da noite enevoada pela fumaça dos disparos os impedem de enxergar, na verdade, o tipo de “arma” adicional que ora se usa na defesa do arruado. O engodo paulatinamente funciona.

No calor da peleja, porém, passos apressados denunciam silhueta humana esgueirando-se próximo à igreja. A escuridão da noite não permite distingui-la com precisão. Da torre principal um defensor atira. O civil Antônio Correia é atingido. Confundiram-no com um cangaceiro. Correia morre pouco tempo depois em razão do profundo ferimento à altura do pulmão. É a única baixa durante o combate.

Os cangaceiros não desistem e tornam a investir contra o território inimigo por uma ruela lateral à igreja. Lampião brada ordens aos seus homens. Todos, contudo, parecem hesitar em razão dos estrondos que continuam a reverberar entre as casas da pequena Belém.

Do lado dos defensores, um voluntário prontifica-se para preparar novas ronqueiras, de forma ininterrupta, servindo-se como espécie de municiador.

Dominado pela ira, Lampião manda reacender o fogo que arde tênue na propriedade de João Gabriel. O vento rapidamente espalha as labaredas em espantosa velocidade. As chamas consomem vacas e bezerros cativos no cercado contíguo a casa. Urros de dor de animais engolidos pelas chamas desenham dantesco suplício. Poucos escapam ao bizarro holocausto.


A derradeira tentativa de conquista do povoado fracassa. Com pesar, os cangaceiros reconhecem que não conseguirão penetrar em Belém.

O desconhecimento dos pontos de defesa, o espocar das “ronqueiras”, o ribombar de tiros reverberados pelo salão da igreja, a configuração física da vila, o cansaço da longa marcha até ali. Tudo parece sugerir uma retirada. Lampião não demora em perceber o malogro da empreitada:

- Vamos sair para economizar munição! – grita furioso.

Ainda se ouvem tiros por mais um quarto de hora. Aos poucos os cangaceiros se retiram do campo de luta. Disparos tornam-se esparsos. Ao compasso da retirada, a fuzilaria regride até reinar o mais absoluto silêncio. Lampião e seus homens deixam Belém em definitivo. É ainda Joel Vieira quem destaca:

“Eles tentaram muito, mas não conseguiram entrar. Antes das sete horas da noite, já tinham ido embora. No dia seguinte, o festejo foi grande, pois todos pensavam que ia morrer muita gente, mas não. Apenas um rapaz morreu vítima de uma ‘bala doida’ e caiu ali perto da Igreja. Tirando o incêndio na propriedade de João Gabriel, o prejuízo aqui foi pouco. Com pouco recurso, a gente botou Lampião prá correr!”.

E Lampião, de fato, jamais voltou a Uiraúna. Nos dias seguintes, um telegrama é enviado para as principais cidades do sertão do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Anunciava-se a vitória de um povo contra o poderoso rei do cangaço. O Intendente local assinou o comunicado:


“Fomos atacados dia 15 famigerado Lampião. Resistimos cerrado fogo, bandoleiros recuaram. Vítima tiroteio Antônio”. (a) José Caboclo.

É a vitória inconteste de um sumário grupo de cidadãos contra quase quarenta cangaceiros. Uma vitória nascida da confiança de homens do povo; sertanejos comuns. Não houve – como aconteceu em Mossoró – um grande lapso de tempo para a preparação de uma defesa. Não houve reuniões; não se teve tempo para comprar armas modernas. Não havia sequer uma torre na igrejinha da cidade. Existia, apenas, a vontade de preservar os próprios lares.

Uiraúna se defendeu heroicamente, a exemplo da resistência mostrada pela pequena Nazaré, em Pernambuco, quatro anos antes. Uiraúna impediu a entrada dos cangaceiros de Lampião como faria a população sergipana de Capela, liderada pelo destemido Mano Rocha, três anos mais tarde.

A vitória do povo de Uiraúna foi obtida sem recursos, sem alarde e sem exploração midiática posterior. Vitória conseguida sem um ‘notável planejamento prévio’ e sem colóquios barulhentos. Vitória de um pequeno grupo de homens pegos de surpresa pelo maioral do cangaço. Vitória, porém, recheada de atos do mais real e verdadeiro heroísmo. Vitória, enfim, da inteligência sobre a força.

Sérgio Dantas

Sérgio Augusto S. Dantas é autor dos livros “Lampião no Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada” (2005), “Antônio Silvino – O Cangaceiro, o Homem, o Mito” (2006) e “Lampião: Entre a Espada e a Lei” (2008).

NOTA:
(1) s.f. – Ronqueira: “Cano de ferro, preso a uma tora de madeira e cheio de pólvora, o qual produz grande detonação quando se lhe inflama a escorva”. (Aurélio). As ronqueiras já haviam sido largamente usadas em revoltas populares, como na guerra de Canudos. N do A.

FONTES UTILIZADAS:
A União, edições de 17 e 18 de maio de 1927.
DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. LAMPIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE – A HISTÓRIA DA GRANDE JORNADA. Editora Cartgraf, Natal/RN. 2005. 452 pgs.
SOUZA, Tânia Maria de. UIRAÚNA NO ROTEIRO DE LAMPIÃO, in Revista Polígono, 1997, 158 pgs.
Entrevistas concedidas ao autor por Maria do Socorro Fernandes (2003), Joel Vieira da Silva (2001), Josefa Augusta Fernandes (2000) e Sinforoza Claudina de Galiza (2000).

24 comentários:

Anônimo disse...

Amigo Severo,

Ler os artigos postados no blog passou a ser uma obrigação prazerosa, para aqueles que buscam o conhecimento. Cada artigo lido além de nos proporcionar um acréscimo intelectual, nos permite um sensacional retorno ao um passado histórico recente e fantástico.

Só tenho a agradecê-lo pela iniciativa e organização do blog, assim como parabenizo aos autores pelos os artigos postados. O artigo em tela nos mostra de forma magistral o outro lado da história, ou seja, nos apresenta uma reação vitoriosa de um povo simples desprovido de recursos materiais e um planejamento prévio, porém carregando nas veias o sangue quente e pulsante de um povo bravo, condutores de seus destinos. Como bem escreveu o autor, estes homens defenderam com heroísmo e inteligência, não só o espaço, mas a honra como um legado para as gerações futuras.


Juliana Ischiara

Quixadá-Ceará

Sérgio Dantas.'. disse...

ADENDO AO ARTIGO:

Na época do ataque, a igreja de Uiraúna ainda não possuía a torre central e nem as 'platibandas' direita e esquerda.
Estas - além das naves laterais - só seriam acrescidas depois de uma reforma feita na década de 40, segundo me informou Padre Luiz Gualberto, antigo vigário da paróquia.
Saudações
Sérgio.'.

IVANILDO ALVES SILVEIRA disse...

Parabéns ao "Dr. SÉRGIO DANTAS" pela postagem do excelente texto.

Com a maestria que lhe é peculiar, e vislumbrada, também, nos seus livros publicados, o autor discorreu sobre o famoso ataque do Rei Vesgo á cidade de Uirauna/PB, em que a inteligência venceu a força. E, a utilização da "RONQUEIRA", foi sensacional.

O referido tipo de arma, também foi utilizado pelos moradores do Povoado do Alagadiço/SE, para se protegerem contra um possível ataque de Lampião, em represália á morte do famigerado cangaceiro Zé Baiano, por populares daquele povoado.

Um abraço a todos.
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN

Manoel Severo disse...

Caro Ivanildo,

Estive em Alagadiço no Museu particular do amigo confrade Porfírio e pude conhecer a famosa ronqueira que fez com que Lampião, segundo atestam os mais velhos do lugar, desistisse de vingar a morte de seu ferrador mor, inadindo Alagadiço.

Manoel Severo

Anônimo disse...

Também na fronteira do Ceará com Pernambuco, aqui na serra do araripe tivemos outro exemplo de resistencia e valor de uma família brava que impediu que Lampião invadisse e tomasse o seu lugar: Ipueira dos Xavier. Vale a pena conhecer essa história.

Hildebrando Rocha - Serrita , Pernambuco

Sérgio Dantas.'. disse...

O episódio ao qual Hildebrando Rocha se referiu acima, é mais um exemplo do destemor do sertanejo.
É preciso acabar com esse mito de que "somente Mossoró" enfrentou Lampião, como se todo o resto do povo sertanejo se constituísse em um grande agrupamento de omissos e covardes.
Se a situação se afigurava favorável, muitos destes homens do sertão nas décadas de 20 e 30 pegaram em armas para defender suas famílias e suas propriedades.
Enfrentar Lampião e seus cangaceiros experimentados não era tarefa das mais triviais, mas os exemplos não são tão raros.
É só pegar a estrada do sertão ou as 'linhas' dos livros, jornais e processos que existem sobre o personagem para muito se descobrir. As provas dos fatos ainda estão por aí.....Basta buscá-las.
Saudações e votos de um feliz 2010
Sérgio Dantas.'.

Helio disse...

Saudações Dr. Sérgio Dantas, autor de um dos melhores livros sobre o cangaço que eu já li "Entre a Espada e a Lei". è um prazer encontra-lo nas páginas do cariri cangaço,esperamos contar com o senhor em 2010, vamos "emprensar Severo na parede" para trazê-lo, o que será muito proveitoso para o simpósio.

Sobre Ipueira dos Xavier, temos em Crato um descendente direto da família e que é apaixonado pelo assunto e inclusive esteve conosco na Cariri Cangaço deste ano, o grande Nemésio Barbosa, profundo conhecedor dessa his´toria e poderia ser nosso guia até a terra brava dos Xavier. Acorda Severo!!!! Vamos em frente cabra!!!rsrsrsrs
Professor Mario Hélio.

Juliana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Juliana disse...

Fantástico!!! Sempre que leio algo sobre a resistencia dos mossoroenses como um fato isolado, vejo uma afronta aos bravos nordestinos. Quantos homens e mulheres tiveram suas vidas ceifadas por resistirem aos ataques cangaceiros?
Não estou digo que devemos minimizar a resistencia dos mossoroenses, porém não precisamos manter no ostracismo histórico os demais nordestinos, que se opuseram com galhardia aos desmandos praticados pelos cangaceiros.
Não podemos esquecer que o povo nordestino não se esconde nem treme frente as adversidades. O heroísmo visto no nordeste nas décadas de 20 e 30 não estava no cangaceirismo, mas na coragem daqueles que defederam seus lares.

Sérgio Dantas.'. disse...

Prezado Hélio, grato pelas palavras a mim dirigidas. São observações e críticas desse tomo nos faz ter gosto em seguir adiante na pesquisa. Muito obrigado mesmo.
Sobre a questão em foco, acrecente-se à lista já comentada (Capela, Nazaré, Fazenda Ipueira e Mossoró), a atual cidade de PARANATAMA/PE, antiga Serrinha do Catimbau, onde houve renhida resistência dos moradores do então povoado, na madrugada de 20 de julho de 1935. Do combate saiu ferida Maria Gomes de Oliveira, a 'Maria Bonita', com com duas lesões consideradas de natureza grave.
Em 1929, registro também, Lampião recuou quando soube que as cidades de Morro do Chapéu e Itiúba, ambas na Bahia, estavam com homens em armas e prontas para rechaçá-lo.
São casos que ficam obscurecidos ou mesmo esquecidos, em virtude do episódio "Mossoró", já por demais moído e remoído. Ontem pela historiografia tradicional e atualmente pela mídia.
Abraço e votos de um Feliz 2010 para todos.

Anônimo disse...

Vejo o episódio "Mossoró", como um exemplo a ser seguido pelas demais cidades. Mossoró não deixou passar a oportunidade de ter seu nome ligado na historia do combate ao cangaço.
Creio que a importância da cidade, aliada a capacidade empreendedora de seu povo foram peças fundamentais para manterem acesa a chama do tema "resistência ao bando de Lampião".
Mossoró soube valorizar seu feito, hoje vejo a região do cariri correndo atrás do prejuizo.
Este blog, juntamente com todos os seus colaboradores estão andando nessa direção. O Cariri Cangaço de 2010 poderia nos dar essa grande oportunidade. Façamos como os mossoroenses "moamos e remoamos" os casos esquecidos.
Um grande abraço a todos e um Feliz Ano Novo.

Assis Nascimento // Mossoró (Rn)

CARIRI CANGAÇO disse...

Estimado amigo Assis, ficamos felizes por ter essa semente germinado, com certeza o exemplo fantástico do povo de Mossoró, como o de Uirauna, tão bem colocado pelo grande Sérgio Dantas, o da família Xavier, das Ipueira; que meu amigo Hélio sempre me provoca para irmos lá no Cariri Cangaço 2010, quem sabe??? E de tantas outras manisfestações de resistencia como fala Juliana; sejam lembradas e cantadas em prosa e verso pelos que não podem deixar a história morrer, e temos muita responsabilidade diante disso tudo. Obrigado a todos os que colaboram com esse sentimento.

Abraços ao amigo Sérgio Dantas pela espetacular colaboração.

Manoel Severo - Cariri Cangaço

Anônimo disse...

Severo fico muito feliz por ver o blog do cariri cangaço cada vez mais rico. Sua forma de tratar as pessoas, a maneira cordata, sincera e amável com que conquista os muitos amigos é sem dúvida um dom, e que contribui sobremaneira para termos essa maravilhosa revista eletrônica.

Quero dizer ao Doutor Sérgio Dantas, que não o conheço pessoalmente,mas também concordo com o rapaz que citou sua obra; para mim "Entre a Espada e a Lei" é uma das melhores obras sobre o cangaço, ao lado de obras de outros ícones como Antonio Amaury, Frederico Pernambucano, Alcino Costa, enfim. Parabéns a todos.

Rivaldo Ferreira Loti - Fortaleza Ceará

Sérgio Dantas.'. disse...

Agradeço as palavras, prezado Rivaldo. E as agradeço de coração, fique certo!!
É sempre um alento para quem se dedica, percorre estradas ruins em busca de fontes, revira jornais e documentos tomados pelo ácaro, anda quilômetros - debaixo de sol forte - para encontrar um local perdido em meio ao nada, com o objetivo único de resgatar a História. É gratificante receber elogios de uma pessoa de seu naipe. Suas palavras dão ânimo e coragem para seguir essa trilha espinhosa e por vezes ingrata.
Abraço e calorosos votos de um feliz 2010.
Sérgio Dantas.'.
NATAL

Jose C Araújo disse...

Dr. Sérgio é um verdadeiro abnegado e estuda o assunto com a seriedade de poucos. Não inventa, não supõe, não exagera, não toma partido e só joga o assunto no papel quando tem provas suficientes do que está defendendo.
Tive o privilégio de conhecê-lo aqui em Caicó no ano de 2000, quando ele estava mergulhado na pesquisa para o Lampião no Rio Grande do Norte - A História da Grande Jornada, de longe o trabalho mais profundo sobre a presença do cangaceiro aqui no Estado.
Parabéns ao Dr. Sérgio pelos trabalhos publicados e aos organizadores deste Blog pela ótima iniciativa de divulgar um pouco desta nossa cultura tão surrada pela mídia massificadora.
José Carlos de Araújo
Caicó/RN

Anônimo disse...

Penso que a resistência mossoroense é digna de reverencia, assim como todas as outras já citadas. Tanto o é verdade que há trabalhos muito bons sobre o fato ocorrido em Mossoró, inclusive o citado por José C. Araujo. No mais, sabemos que alguns fatos se mantêm apregoados aos quatros ventos não só pela importância real, mas pelos frutos que trás aos seus divulgadores, claro, não é o caso de Mossoró.

Quanto à capacidade empreendedora, eu diria que esta capacidade se estende a todos os nordestinos, principalmente aqueles que defenderam com a vida suas famílias e lares, e sem qualquer recurso material, sem terem seu lado ou a sua frente líderes políticos ou militares, agiram por amor, destemor e galhardia.

Ratifico o que disse Assim Nascimento o blog tem sido um excelente espaço para debates, melhor ainda por serem salutares. Como disse Assis, vamos moer e remoer nossa história, pois só assim corrigiremos alguns erros e injustiças cometidas pela historiografia e por alguns de nós. O provérbio chinês diz que, há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. Porém, reconhecer que somos falhos já será um grande passo.

Desejo a todos um ano novo de realizações, sucesso, saúde e paz. Que a paz do Senhor se faça presente em nossas vidas agora e sempre. Feliz 2010!!!!!!



Juliana Ischiara

Quixadá-Ceará

CARIRI CANGAÇO disse...

Estimado Dr. Sérgio Dantas,

Essa postagem com certeza nos traz além da história de Uirauna; o exemplo de bravura e destemor daqueles homens simples, perdidos muitas vezes no "meio do nada", que encontraram coragem e determinação nos momentos marcantes de defesa de suas famílias e casas. Ficamos felizes pelo grande número de comentários, mostrando o interesse pelo tema e o respeito de todos por seu trabalho.

Muito obrigado ao senhor.

Manoel Severo.

Sérgio Dantas.'. disse...

Amigo Severo:
Não há o que agradecer. Sempre que puder, e dentro do meu ainda modesto conhecimento sobre o assunto, estarei colaborando com o 'blog'.
Agradeço a todos os comentários aqui deixados -os quais para mim servem de pleno incentivo a produzir outros trabalhos.
No mais, resta-me desejar a todos os amigos e frequentadores do BLOG CARIRI CANGAÇO, um 2010 repleto de venturas, alegrias e muita paz.
Fraternalmente,
Sérgio Dantas.'.
Apartador de arenga e escrevinhador de província.

Bruno Tavares disse...

Discordo do senhor Assis somente em um ponto: a questão não ficou resumida a relembrar o e comemorar o episódio ocorrido em Mossoró, mas ficou TAMBÉM como uma forma de faturar turisticamente com festas gigantescas, que importam em grandes investimentos do poder público.
Abraço
Bruno

Anônimo disse...

Olá Dr Sérgio Dantas. Quanto tempo?
Lembras de mim? Professor gil de MAiri _BA.
Espero que tenha ajudado...
gil_mairi@hotmail.com

Mendes e Mendes disse...

Ilustre escritor Sergio Dantas:
Lendo o seu maravilhoso texto, vi que o povo uiraunense, na Paraíba, foi bem mais corajoso do que o povo de Mossoró. Pelo total de homens atiradores que tinha Lampião, a cidade de uiraúna foi uma grande guerreira, pois com poucos homens e além disso, despreparados, obrigaram o bando do rei sair da cidade o mais rápido que pudesse.
Mossoró teve tempo para se preparar, devido o erro de Lampião em mandar dois bilhetes para o prefeito.
Uiraúna não foi avisada pelos cangaceiros. Apenas (como fala o escritor), o sertanejo Leonardo Pinheiro percebeu a marcha de cangaceiros em direção a Belém e avisou a possível entrada dos facínoras na cidade Uiraúna.
José Mendes Pereira - Mossoró-Rn.

Solange disse...

Parabens pela linda materia e vou procurar ler mais seus livros!!!!
Solange Leite Paiva
Neta de Nelson Leite

Banda Fases da lua disse...

Fala- se muito que Lampião não entrou em " MOSSORÓ " que foi a única cidade que resistiu aos ataques do bando de lampião
e Uiraúna??
com apenas 11 ou 17 homens, não sei bem o número contra 50 cangaceiros e resistiu também..
tem até um museu que fala da resistência de " Mossoró " aos ataques do bando de lampião e Uiraúna??
resistiu também. e fala-se que Mossoró, foi a única cidade do nordeste que Lampião não conseguiu entrar.
algum historiador por favor me explique isso..

onavesh@gmail.com

Anônimo disse...

Sabe! Eu conheço bem a história da tentativa da invasão a Mossoró, que não deu certo para Lampião e seu bando. Não conhecia esta outra tentativa frustrada. É algo mais que estou a aprender sobre o cangaço. Grato, Antonio José de Oliveira - Povoado Bela Vista - Serrinha-Ba. Email:antonioj.oliveira@yahoo.com.br