O Primeiro Livro a Gente nunca Esquece Por: Paulo Moura


  
Danielle Esmeraldo, Paulo Moura e Manoel Severo

Dizem que o primeiro livro que a gente escreve é como o primeiro sutiã para uma adolescente, ou mesmo um primeiro beijo. A gente nunca esquece! O sentimento que tenho pelo meu livro Lampião em Verso e Prosa, é mais ou menos assim. 
 
Foi a partir dele que aprofundei meu gosto pela poesia de cordel e, como já sabia fazer cordel, fui estimulado a pesquisar e estudar com mais profundidade o tema. Desde então, procurei beber na fonte dos mais renomados cordelistas, tanto os da antiguidade, como Leandro Gomes de Barros, Silvino Pirauá, até os contemporâneos, a exemplo de José Honório, Arievaldo Viana, entre outros.
 
Certa feita, coloquei um trecho do meu livro Lampiao em Verso e Prosa, num site que eu tinha construido (isso nos meados de 2000, 2001) quando recebo um maravilhoso comentário de um internauta que me chama de artífice da poesia de cordel e me coloca no mesmo naipe de Leandro. E eu me perguntava: Quem diabos é esse Leandro? pois é. Eu não tinha conhecimento de quem era o Principe dos Cordelistas.


Hoje, vivo tão envolvido com a literatura de Cordel que acho que sem ela não existe vida.Vivo nesse universo mágico de poetas sertanejos. Nessa maravilha que é o falar metrificado. De subir num palco e recitar uma bela poesia ou mesmo uma poesia engraçada e ver o povo embaixo se emocionando com o que você diz. Na véspera do Natal, fui me apresentar a convite do mestre Allan Salles, no mercado São José, juntamente com os poetas Edgar Diniz e Altair Leal. Ficamos mais de hora e meia dizendo poesias pra aquele povo simples do mercado, que vibravam, riam e se emocionavam com nossas poesias.
 
Num certo momento, já ao final da nossa exibição, recitei um verso que fiz falando sobre o "Natal que eu Queria" e, ao terminar a fala tinha um bebinho lá embaixo chorando de emoção. Essa cena ficou guardada na minha mente, tanto que estou narrando agora, não pela novidade do choro. Pois que é a coisa mais corriqueira, se arrancar umas lágrimas do ouvinte que nos assiste, mas pela simplicidade do sentimento do bebinho. Não me perguntem porque. Mas aquilo me tocou!

Paulo Moura
Poeta, cordelista e escritor
Sócio da SBEC

13 comentários:

Marcos Assunção disse...

Caros amigos do blog Cariri Cangaço, o que seria de nossa cultura se não fosse a literatura de cordel, parabens aos valorosos cordelistas de todo o nordeste, abraços a Paulo Moura.

Assunção.

Anônimo disse...

A literatura de cordel, juntamente com os próprios emboladores, figura simples, geralmente andarilhos de "feira em feira", são os grandes responsáveis pelo mito de lampião.

lampião é mito, muito por causa desses verdadeiros artista anônimos.

Renata - Umari

Anônimo disse...

"Quisera ser ignorante,
como um cantor sertanejo!...
Era esse o meu desejo!...
Não ter nenhuma instrução,
mas ter o dom do improviso,
para dizer, de momento,
as dores do pensamento
e as mágoas do coração"

Os versos acima de Catulo da Paixão Cearense, li-o pela primeira vez ha mais de 40 anos. Desde então, guardo-o na memória porque ele exprime a admiração que tenho pelos poetas.

Ratifico o comentário oportuno do Marcos Assunção e abraço ao confrade Paulo Moura.

Assis Nascimento // Mossoró (RN)

Anônimo disse...

Parabéns a Assis Nascimento de Mossoró por também nos brindar com Catulo da Paixão Cearense, mestre dos mestres.

Ricardo Lima

Yuri Luna disse...

O Cordel faz parte da alma nordestina!

Yuri

Bruno Tavares disse...

Como afirmou a Renata, mais acima: a criação do mito foi justamente o resultado da irresponsabilidade e fantasia criados pelos cordelistas. Concordo e acrescento:
Enquanto não houver a desvinculação do cangaço x cordel, não dá para tornar o cangaço acadêmico. Será sempre mitológico.
Opinião pessoal e sem ofensa.
Bruno

Manoel Severo disse...

Caro Bruno,

Agradecemos sempre sua colaboração, e esse espaço nasceu com o sentimento de se tornar além de um veículo de divulgação do próprio evento: Cariri Cangaço; como mais um meio de possibilitar o debate, e debate, pressupõe-se a partir de opiniões divergentes; claro, com respeito e responsabilidade.

Abraço fraterno,

Manoel Severo - Cariri Cangaço

Bruno Tavares disse...

Aqui insisto novamente: cordel é cultura popular e não ciência.
Será que a cientificidade que foi tão posta em foco alguns meses atrás aqui neste blog foi relegada mesmo a um segundo plano?
Continuo a dizer que cordel é cordel, não é fonte histórica, é apenas tradição cultural e em nada ajuda a reconstrução histórica, pois as narrativas contidas neste tipo de livreto (espalhado em uma época onde não havia tanta informação e tecnologia como hoje) são apenas fantasias e muitas vezes mentiras mesmo, criadas pelo cordelista para rimar, para criar métrica ou mesmo para idolatrar.
Eu realmente não consigo engolir essa essa insistência, mesmo nos dias de hoje, em relacionar cangaço e cordel.
Abraço e grato pelas palavras.
Bruno

CARIRI CANGAÇO disse...

Amigo Bruno, como já falei: debate pressupõe-se opiniões e entendimentos diversos, diferentes, e isso é uma coisa que acredito ser positiva.

Tenho um entendimento diferente do teu, entretanto respeito profundamente, ainda mais quando vc se esmera tanto em defendê-lo, isso é muito importante e precisa ser ressaltado. Quem não sabe para onde vai...qualquer lugar serve!!!rsrsrs.

Quanto ao que vc coloca quando diz que: "Será que a cientificidade que foi tão posta em foco alguns meses atrás aqui neste blog foi relegada mesmo a um segundo plano?" , gostaria de dizer, e sem nenhuma pretensão em acirrar ou alimenatr qualquer polêmica que não seja positiva; amigo Bruno, acredito sinceramente, que todas as vertentes do conhecimento humano (seja cinetífico, empírito, místico, criação,fantasia, etc) podem sim conviver harmonicamente, principalmente no contexto do Cariri Cangaço, que em momento algum, acredite; nasceu com o sentimento de ser detentor da verdade absoluta, assim; com certeza, teremos espaço para compartilhar o científico, fruto do trabalho incasável das academias e dos acadêmicos como também o resultado simples, por exemplo do cordel.

A cada dia que passa mais me convenso que vc sem dúvidas será um grande colaborador de nosso Cariri Cangaço em agosto.

Abração.
Severo.

Bruno Tavares disse...

Bom, eu me referia mais a defesa da utilizacao de método, através de artigos complexos que foram postados mais de uma vez neste e em outros blogs (alguns até extremamente difíceis de ler), e que hoje parecem estar dando lugar ao básico e ao trivial novamente.A minha observação teria sido feita em outro sentido, mas tudo bem. Deixa prá lá, pois não seria nada a alterar o curso do debate do Seminario.
Sobre seu convite, agradeço e estudo a possibilidade de comparecimento.
Grato pela atencao.
Bruno

Iara Ribeiro disse...

Queria aproveitar uma blog tão "porreta" e divulgar que a Cia Pedras de Maringá, tem em seu repertório o espetáculo "Andarilhos de Cordel", que traz para o palco ou para as ruas: dois nordestinos que vivem de contar histórias de cordel para sobreviver. "A vida tem que ser maior que toda esta desventurança, tem seca sim, tem miséria, tem fome, só não pode faltar é a esperança". Iara Ribeiro

Iara Ribeiro disse...

Veja no site: www.ciateatralpedras.com.br

Anônimo disse...

Obrigado pelas palavras Iara, com certeza vamos visitar o site da Cia Teatral Pedras.
Abraços.

Gabriel
Cariri Cangaço