Alagadiço e a Polêmica Saga de Zé Baiano Por: Manoel Severo

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Nós que somos apaixonados pela temática cangaceira, que por muitos minutos, horas, dias, meses e alguns: vidas; percorremos este mundão de caatingas perdidas de nosso nordeste, não cansamos em nos surpreender com a forte energia que os cenários do cangaço acabam nos trazendo. Estivemos, ainda no primeiro semestre deste ano, visitando a simpática Alagadiço, distrito do município de Frei Paulo, Sergipe; cerca de 70 Km da capital Aracaju.
Quem já se aventurou a conhecer um pouquinho mais a história de Lampião em Sergipe, com certeza terá em Alagadiço, pouso certo para um dos mais marcantes episódios do mundo cangaceiro e um de seus mais intrigantes personagens: Zé Baiano.
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Zé Baiano ao centro
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Foi nesse pequeno pedaço de chão, encravado no meio do sertão sergipano, que perderia a vida o “Pantera Negra dos Sertões”, um dos mais cruéis cangaceiros que já písaram as terras nordestinas, Zé Baiano.Alagadiço foi por muito tempo um coito seguro para Lampião e os vários sub grupos sob sua liderança; para ali foi estabelecido o comando do famigerado cangaceiro de Chorrocho. Zé Baiano, negro alto, nariz achatado, "feio demais, parecia um gorila", segundo informações de quem conviveu com a fera; passou a visitar costumeiramente as terras do Alagadiço e em especial a casa de um determinado morador: Antonio de Chiquinho; que passou a ser o principal coiteiro da região.
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O inesperado aconteceria em 7 de Julho de 1936, Antonio de Chiquinho, cansado das perseguições das forças policiais, une seis companheiros civis e a partir de uma ousada ação de traição mata Zé Baiano e seu grupo.Ao final quatro cangaceiros estavem mortos no meio da caatinga de Lagoa Nova, Alagadiço.
Zé Baiano ficou famoso por sua crueldade e desumanidade, e dois episódios marcaram a ação do bandido: A morte de sua amada Lídia, supreendida em adultério e morta a pauladas pelo companheiro e pela absurda prática de ferrar as muitas sertanejas que lhes caiam em desgraça.
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No local da morte do bando; foi edificado pelo pesquisador Antônio Porfírio, um pequeno mausoléu: Ali "descansam" Zé Baiano,Demudado, Chico Peste e Acelino.
Também em Alagadiço se encontra um Museu do Cangaço, com peças pertencentes ao grupo de cangaceiros, livros, fotografias, enfim. Dentre os artefatos mais curiosos; o temível "ferro" do perigoso cangaceiro.Para os amantes do tema sugerimos a leitura do livro:“Lampião e Zé Baiano no povoado Alagadiço” de autoria de nosso confrade e amigo Antônio Porfírio.
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Sawanna, uma das apresentadoras do Cariri Cangaço e o ferro de Zé Baiano
Pai do Pesquisador Antonio Porfírio e Severo no Museu do Cangaço
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10 comentários:

Ivanildo disse...

AMIGO SEVERO:

Parabéns pela matéria sobre o famigerado "ZÉ BAIANO".
Realmente, quem tiver a oportunidade de ir a Sergipe, não deixe de dar um pulinho até o povoado de ALAGADIÇO ( dista 70 km de Aracaju). Nesse local, estão os restos mortais de ZÉ BAIANO, e mais três cangaceiros.

O escritor Antonio Pofírio, que possui uma chácara na Comunidade, acima nominada, possui um Museu, com objetos de cangaceiros ( armas, punhais, objetos..etc..), e tem o prazer de mostrar aos visitantes.

Conheça, também, " A TOCA DE ONÇA ", gruta de pedra,na fazenda Caipora/ALagadiço, onde o Zé Baiano se escondia. Também, na área, existe um famoso pé de MULUNGU, que apresenta um profundo buraco em sua base, onde Zé Baiano, guardava armas, dinheiro e jóias.

Em Aracaju/SE, o visitante poderá conhecer o "Memorial de Sergipe", situado na AV. Via costeira, onde tem uma sala, totalmente dedicada ao cangaço. Nela, você conhecerá a "CRUZ" original, a qual foi colocada em Angicos pelo Cel. João Bezerra, em homenagem á Batalha/Morte de Lampião. Lá, também, tem um rico acervo (armas, punhais, bornais, cartucheiras, retratos...etc..etc..)ligados ao ciclo do cangaço.

Um abraço a todos.
IVANILDO SILVEIRA
Colecionador do Cangaço
Membro da SBEC

CARIRI CANGAÇO disse...

Com certeza caro Ivanildo, visitar Alagadiço é quase uma obrigação para todos os curiosos e pesquisadores do Cangaço,e ali, temos que ressaltar a dedicação de Porfírio e sua família em manter vivo, no seu lugar natal, a história e a tradição daquele povo.

Manoel Severo-Cariri Cangaço

Anônimo disse...

Pessoal esse ferro de marcar que aparece nestas fotos são as originais de Zé Baiano? Os ferros de marcar usados por exemplo em Canindé do São Francisco?

Quem pergunta quer saber...

Ronaldo - Caridade Ceará

Anônimo disse...

Para o pessoal do SBEC, de acordo com vocês qual seria o museu mais completo de artefatos da época do cangaço?

Ronaldo - Caridade Ceará

Anônimo disse...

Visitem o Museu do Cangaço em Triunfo e também em Serra Talhada, para mim os mais completos.

Sidney - Juazeiro do Norte.

Anônimo disse...

Antonio de Chiquinha, este é o nome do coiteiro, pelo menos é o que consta em várias obras que trata do assunto.
Concordo com o Sidney quanto aos museus.
Um forte abraço aos confrades.

Assis Nascimento - Mossoro-Rn.

Anônimo disse...

Ronaldo

Não, aquele não é o ferro original, apenas uma réplica feita recentemente, mas os ossos do cangaceiros liquidados alí, estão visíveis num aquário dentro da capelinha que aparece nas imagens de Severo. As quatro cabeças nunca foram localizadas.

Abraçando
Kiko Monteiro

JOSÉ MENDES disse...

Amigo Severo:
Entre as traições de Lídia, Lili, Cristina e Pedro de Cãndido, o Antonio de Chiquinho superou todos esses outros. As três mulheres traíram os seus companheiros por exigência do cupido. Pedro de Cândido traiu Lampião e o resto do bando, pressionado pelos policiais, que ao ver as suas unhas sendo arrancadas pelo bico de alicate, ou talvez através de ponta de punhal, não agüentando as torturas, até de outras formas, teve que entregar o seu chefe ao carrasco, pois do contrário não salvaria a sua vida. E o Antonio de Chiquinho traiu o cangaceiro Zé Baiano, simplesmente para se ver livre dele ao saber que uma das suas filhas estava de chamego com o perigoso assecla.
É óbvio que nenhum pai quer ver sua filha de amores com marginal. Mas isso é uma decisão dela. Mas no meu entender, Antonio de Chiquinho foi o maior traidor do cangaço.
Abraço aos confrades do Cariri Cangaço.
José Mendes Pereira – Mossoró-Rn.

Aldo Vasconcelos disse...

Era se correr o bicho pega se fica Lampião come!È tolice e romantico achar que a grande maioria dos coiteiros apoiavam Lampião e seus asseclas por que gostavam deles. Faziam isso pra não morrer. Quando determinado cangaceiro morria, era uma alivio, pois estava livre do bandido que o executaria a qualquer momento, bastasse que alguém inventasse uma história. Ao mesmo tempo, era constantemente assediado pelas volantes, que uavam os mesmos métodos. Se todos tivessem feito como o Antonio de Chiquinho, ocangaço não teria sobrevivido tanto tempo.

Beta disse...

Cresci ouvindo meu avô contar que teve um irmão que era cangaceiro, um tal de Zé Baiano. Você tem informações sobre o nascimento de Zé Baiano? Filiação, por exemplo?