Vem aí Lampião Aceso no Cariri Cangaço 2010...

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Kiko Monteiro, o Lampião sempre Aceso...
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Não preciso dizer que o Cariri Cangaço 2010 além de se consolidar como maior evento do gênero foi mais uma excelente oportunidade para rever amigos, atualizar conhecimento, coleções e matar as minhas saudades do Crato (ai, como eu me sinto bem naquela atmosfera. Danielle não se esqueça do meu titulo de cidadão). Eu ainda não sei como expressar a intensidade da minha paixão por esta cidade.

Descendo das nuvens: Levei comigo nosso eficiente gravador de bolso, selecionamos alguns dos grandes pesquisadores presentes no evento para que estes abordassem um pouco de suas obras, preferencias e concepções sobre esta história tão instigante. E hoje um mês exato após o evento vamos confeirir estas conversas de pé de ouvido.

Kiko Monteiro e Lívio Ferraz

Leo, Luiz Ruben e Kiko Monteiro

Do tipo que: Quando pensamos que não há mais nada para surgir nem a acrescentar... uma bomba estoura, um novo ou um velho personagem é descoberto, teorias, tramas e mistérios infinitos saltam da obscuridão. Alguns destes segredos foram para o além junto com seus guardiões. Já outras são postas em questão. Iniciamos ano passado com Antonio Amaury e Ângelo Osmiro. 

Gostariamos de ter abordado a todos. Colegas vão se perguntar: por que fiquei de fora?, ops é só por enquanto, não foi por preferencia, jamáis, foi questão de planejamento e desencontros mesmo. O processo deu e ainda está dando uma trabalheira tremenda. Viemos nas últimas semanas dedicando horas para repassar "fielmente" os áudios para o PC, mas vai valer a pena. Se eu arquivasse mais três só ia publicar em Dezembro. Enquanto a maioria está mais interessada no que planejam nossos pretensos governantes que tal descontrair um pouco com estes textos e descobrir o que planejam nossos pesquisadores?

As perguntas são basicamente as mesmas. Tento repassar o interesse dos leitores e consumidores. Haverá uma "quase unanimidade" em determinadas recomendações e cada um deixa uma prévia de seus projetos em andamento ou quase finalizados. Desta vez o desafio foi maior cruzamos a peixeira com sete distintos cavalheiros que já puseram no papel, no DVD e na rota do cangaço o resultado de sua paixão pela história do Cangaço. Durante as próximas semanas entre um artigo e outro vamos publicar estes momentos de aprendizagem e admiração por estes confrades. Nossos questionamentos tem caracteristica de "feijão com arroz", mas aqui e acolá os entrevistados adicionam um tempero mais extravagante e se encarregaram de colocar uma pimenta, abrem o coração e desfilam suas convicções.

Os leitores e até mesmo o entrevistado poderá se surpreender ou não com repercussão de determinada resposta. Afirmo que as declarações contidas nestas são de inteira responsabilidade do entrevistado. Não foram inventadas nem sequer alteradas pelo Lampião aceso. Foram transcritas apartir de entrevista gravada com respectivo arquivo dispónível para dirimir quaisquer dúvidas. Palavras poderão gerar algum mal entendido. Porém não aceitaremos comentários de cunho agressivo estes deverão ser dirigidos aos emails de seus responsáveis. Leiam, comentem!

Kiko Monteiro

NOTA CARIRI CANGAÇO: Quem conhece este excelente carater que é Kiko Monteiro sabe que visitando o maravilhoso "lampião aceso" é ter a certeza de se manter sempre bem informado sobre o que acontece no meio "cangaceiro", com responsabilidade, seriedade e uma sensibilidade ímpar, daqueles de bom coração. Ao querido companheiro e amigo Kiko, a nossa homenagem, nosso respeito e admiração.

AGORA É SÓ AGUARDAR E CONFERIR, VISITANDO http://www.lampiaoaceso.blogspot.com/
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Os Labirintos de Lampião Parte III Por:Alcino Alves Costa


Não imaginava teimar tanto com “As mentiras e os mistérios de Angico”. Mas, dominado por uma poderosa obsessão, aqui estou, espicaçando muitos de nossos historiadores e pesquisadores, especialmente aqueles tidos e havidos como os mais profundos conhecedores da história cangaceira e em particular a de Virgulino Ferreira – Lampião. O meu maior desejo é ter o prazer de conhecer as opiniões, contra ou a favor, postadas por todos os nossos queridos companheiros, cada um declarando com sinceridade o seu ponto de vista sobre as mentiras e os mistérios de Angico, ou mesmo de sua verdade.

A minha vontade e o meu interesse é fazer com que os vaqueiros da história do cangaço coloquem o seu pensamento em relação a este apaixonante tema. Não me conformo que se deixe perpetuar na saga do grande e genial homem do Riacho São Domingos, tantos labirintos não identificados e aceitos pelos pesquisadores. É por esta razão que aqui estou fazendo chegar aos escravos da vontade de Lampião justamente aquilo de mais estranho e misterioso que possa ter acontecido em Angico.

Sinceramente, ficarei muito feliz e agradecido se os nossos queridos companheiros de caminhadas pelas veredas e bibocas dos cafundós do sertão, bravos rastejadores da jornada heróica de Virgulino Ferreira da Silva, se dignassem em opinar sobre as possíveis mentiras e mistérios de Angico. Cada um dos comentários registrados no blog me encherá de prazer e felicidade. É este o meu desejo. Discutir e, todos nós, juntos, tentar colocar algumas pedrinhas que faltam no tabuleiro da história.

Meus companheiros e amigos, antes de tentar destrinchar o meu pensamento sobre as mentiras e os mistérios de Angico, eu lhes peço, por favor, tenha em mãos o livro “Assim morreu Lampião”, do correto, sincero e o mais profundo conhecedor da história do cangaço, Antonio Amaury Correia de Araújo. Analise com cuidado, paciência e imparcialidade os depoimentos neste livro existente e registre o seu pensamento sobre o assunto.

Os Mestres Antônio Amaury e Alcino Costa; Mentiras e Mistérios de Angico...Também  no Cariri Cangaço 2010

Não levarei em consideração o depoimento de Zé Sereno quando ele afirma que a bebida tinha veneno, mesmo tendo Balão em seu testemunho dito que ouvira Zé Sereno dizer que o cinzano, apenas o cinzano, estava envenenado. Como se sabe esta afirmativa do companheiro de Sila caiu num descrédito total. Por qual motivo? Para não contrariar o desejo e a vontade dos vencedores, aqueles que registram a história conforme suas conveniências? Não sei.

Balão ainda diz que matou um soldado quando este batia na cabeça do cangaceiro Mergulhão. A história conta que morreu apenas o soldado Adrião, mas ele estava ao lado de Bezerra e Antônio Jacó quando foi atingido pelas balas do cangaceiro Elétrico. Quem mente. Balão ou a própria história? Uma outra distorção da verdade dos fatos é aquela versão que apareceu dizendo que Pedro de Cândido seguiu da Forquilha até o riacho do Angico amarrado ao corpo de um soldado.

É impossível que alguém acredite que Maria Bonita gritou para Luiz Pedro: - Cumpadi Luiz Pedro, cumpadi Luiz Pedro, ocê num dissi qui quando Lampião morresse ocê morria tamém? Estas palavras de Maria Bonita estão na página 49 do “Assim morreu Lampião”. E os dois tiros e sua morte quando ia apanhar água no poço aconteceram ou não? A Grota de Angico devia chamar-se a Grota da Mentira. Mentiras, mentiras e mais mentiras – e elas são intocáveis. Vamos nos aprofundar sobre os depoimentos estranhos e desencontrados de Abdom, Panta de Godoy, e um trecho do de Balão.

Juliana Ischiara, Alcino Alves Costa e os Mistérios e Mentiras...

1 – Na página 110, do “Assim morreu Lampião” Abdom diz: “O cangaceiro veio i começô a panhá água no cantil quase qui im cima di ondi nóis tava ajoeiado i aí eu atirei”. Continua: “Daí nóis avancemo i caimo im cima du meio di ondi tava Lampião i nóis recuemo pra trais um pouco di Lampião”. “Quando nóis recuemo um pouco nóis si intrincheiremo i mandamo bala nos cangaceiros i o pau quebrô”.

2 – Agora trechos do depoimento de Panta de Godoy, contidos na página 89 do “Assim morreu Lampião”. “Quando nóis tava subindo i chegando nessas pedra, topemos com um cabra qui tava apanhando água a uma déis braças, mais o menos, di distância”. “Nóis corremo pra dentro, corremo dentro i quando chegamo na frenti um pouquinho topei cum Maria Bonita, que vinha buscar água, com uma bacia de queijo do reino na mão”. E Panta prossegue: “Aí quando avistei cum ela, ela deu meia volta, correu i disse: - Valha-me Nossa Sinhora”!  “Aí eu atirei nas costas dela i ela caiu”. “No qui ela caiu ela feiz corcunda e levantou-si i ia saindo i Antonho Ferro gritô: - Cumpadi, sigura a bandida qui ela vai-si imbora”! “Eu dei otro tiro, na barriga dela, assim por ditrais, ela caiu i morreu”. E Maria Bonita ainda teve tempo e se lembrou de chamar por Luís Pedro avisando-o que Lampião estava morto? Você acredita nesta aberração?

3 – Em seu depoimento, à página 111, do “Assim morreu Lampião”, Balão diz:“...Durmimo um pedaço de tempo quando Lampião falô: Zé Sereno. Chama todu mundo aí qui nóis vamu rezá u ofício de Nossa Sinhora”. “O pessoá si levantô si ajoeiô i adispois qui eli acabô di rezá tornô a si deitá”. E ninguém escutou os tiros, quase naquele mesmo instante?
 
Os nossos companheiros e especiais amigos Aderbal Nogueira e Severo Barbosa tem em DVD um depoimento de Panta de Godoy ele dizendo que do poço onde Amoroso estava enchendo o cantil até a barraca de Lampião tem mais de 50 metros de distância. Esta distância entre o poço e a barraca eu precisava conhecê-la.

Foi o que fiz. Convidei Vicente Rodrigues do Nascimento, aquele rapaz que levou a máquina para Maria Bonita costurar a roupa do sobrinho de Lampião, ainda vivo, e que era neto de dona Guilermina, a mãe de Durval e Pedro de Cândido. Com ele caminhei do poço até a barraca, a distância entre um ponto e outro é de quase 100 metros.

Não desconheço que existem afirmações atestando que a distância não passava de 20 metros. É uma lástima que assim digam, não é verdade. Eu abomino mentiras e jamais iria afirmar algo que não fosse real e verdadeiro. Eu sei, porém não me envergonho e não escondo de minha nenhuma formação escolar, no entanto, mesmo assim, procuro ser consciente naquilo que faço. Assim agindo, não posso deixar de reconhecer que nestes três célebres testemunhos estão documentadas verdadeiras aberrações. Aberrações que me surpreende. Uma delas é saber que pessoas cultas, de uma capacidade e competência muito além da normalidade, acreditam nestes depoimentos que agridem a inteligência humana, e os defende com todo vigor de seu sentimento e de seu espírito.

Juliana, Alcino e Aninha do Ó
 
É inacreditável que estes historiadores e pesquisadores, homens da mais alta responsabilidade, teimarem em desprezar e até mesmo escarnecer quando se fala das mentiras e mistérios de Angico. Ora, meus companheiros, quem em sã consciência poderá acreditar que após o tiro que Abdom deu em Amoroso, Panta de Godoy dar dois tiros em Maria Bonita e ninguém, nem Lampião, nem os outros cangaceiros e nem os cachorros, ouviram nada?

Como é que se entende Maria Bonita ir descendo o riacho à procura do poço para também apanhar água, acontecer o disparo no cangaceiro, e ela continuar descendo o riacho, caminhando tranquila, sem escutar o estampido? Ainda mais. Balão diz que antes do primeiro tiro, Lampião e os cangaceiros estavam rezando o Ofício de Nossa Senhora e logo após foram novamente se deitar. Aconteceram três tiros; Maria Bonita gritava chamando por Nossa Senhora; Abdom e seus companheiros avançaram e chegaram tão próximo de onde estava Lampião que tiveram que recuar com tempo suficiente para se entrincheirarem e então atirarem em Lampião.


Você acredita nesta versão? Eu não. Qual a pessoa inteligente e imparcial que acredita nestas anomalias que circundam a Grota de Angico? Sinceramente, não posso acreditar que ninguém neste mundo aceite uma distorção histórica de tamanha monta. É por estas e outras fortíssimas razões que este velho Caipira de Poço Redondo, teima com convicção total e absoluta que a Grota de Angico é envolta em mentiras e mistérios. Meus amigos, eu posso garantir, se os depoimentos de Abdom, Panta e Balão forem verdadeiros, a morte de Lampião é tão misteriosa que a nossa pobre mente jamais conseguirá decifrá-la. Mas, por favor, não vamos perpetuar tantas e tantas mentiras e contradições.

A todos vocês o meu muito obrigado pela deferência. Abraços!!!

Alcino Alves Costa,
O Caipira de Poço Redondo
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Até a próxima edição Por:Gilmar Teixeira

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Gilmar Teixeira e Luiz Ruben, no Cariri Cangaço 2010

Gostaria de mandar minhas impressões a respeito do nosso evento, pois assim passarei a denominá-lo: nosso ! Parabéns é pouco pela grandeza e ao mesmo tempo singelo Cariri Cangaço. Organizado, atraente e feito por pessoas maravilhosas e afetuosas...

Fiquei apaixonado por todos: da cozinha a sala de estar. Abraços a todos; meu e da minha filha Louise, uma nova cangaceira do bando de estudiosos e adeptos da cultura nordestina. Fica meu fraterno abraço ao casal vinte cearense: Danielle e Severo, a quem externo para todos os amigos e participantes do Cariri Cangaço 2010. Até a próxima edição!

Gilmar Teixeira e Louise Farias.
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Serra Grande e o Governador do Sertão

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O mês era novembro, o ano 1926, Lampião contava com perto de 90 cangaceiros em seu bando. Homiziado na Serra Grande, cerca de 25 km de Vila Bela, mantinha preso sob resgate de 16 contos de réis, o representante comercial da multinacional Standard Oil, Pedro Paulo Mineiro Dias.


Lampião em foto de 1926 em Juazeiro do Norte


No dia 27 daquele mês, depois de quase 15 dias de perseguição as volantes localizam o bando e irrompe violento combate entre o grupo cangaceiro e as volantes sob o comando geral de Teófanes Torres Feraz, e em campo comandadas por Manuel Neto, Arlindo Rocha e Higino Belarmino, mobilizadas para resgatar Mineiro Dias, ao todo eram cerca de 295 volantes contra perto de 90 cabras dos grupos cangaceiros.



O combate da Serra Grande teria se configurado como um dos maiores da história do cangaço. A luta que iniciou perto das oito da manhã se seguiu até o final do dia com um resultado desastroso para as tropas volantes, preponderantemente pela vantagem inegável do posicionamento estratégico dos bandidos em cima da serra; uma garganta de quase duas léguas de extensão; enquanto as volantes subiam quase de peito aberto de encontro ao ataque cangaceiro. Pela primeira vez na guerra contra os cangaceiros, estavam sendo usadas metralhadoras, no caso, duas hot Kiss. Primeiro chegaram as forças de Manuel Neto e Arlindo Rocha, aguardavam a chegada de Higino Belarmino para entrarem juntos na garganta da Serra Grande, segundo Marilourdes Ferraz em seu livro O Canto do Acauã, “tornava-se difícil traçar um plano com segurança relativa para os soldados. A serra, muito acidentada, era um local adequado para emboscadas”, o que com certeza veio a ser fatal para as forças volantes. O grupo cangaceiro estrategicamente localizado estava dividido em três frentes, aguardando a chegada dos soldados, que se organizavam; para o enfrentamento, entretanto as forças policiais não conseguiam se entender sob que plano executar para o embate vital, Higino havia traçado um plano exeqüível no que foi rejeitado por Arlindo Rocha, ao final Higino acabou ordenando o ataque que foi relato por Marilourdes Ferraz como segue: “Belarmino desistiu do ataque coordenado, puxou o relógio do bolso e disse que, quem fosse homem, subisse a serra. Escapasse quem Deus quisesse. E acrescentou São sete e quarenta e cinco. Fico aqui escutando a hora que a espoleta quebra em cima da serra”. E recorrendo a João Gomes de Lira relatamos a resposta dos outros comandantes da volante: “ Manuel Neto - venho de longe, com mais de 30 léguas, no encalço, para brigar, e quero é brigar. Já estou com o pé na embocadura da serra. Já vou subindo.” Já O anspeçada Euclides de Souza Ferraz também falou: - “Com meu pelotão da morte, também vou subindo a grande serra.” E o sargento Arlindo Rocha “Ah! Tá bom! Eu hoje também quero é almoçar bala!” Vendo Arlindo se adiantar, querendo tomar sua frente, Manuel Neto protestou:- “Não, Arlindo. Você sabe que a vanguarda é minha e não cedo o lugar.”

Manoel Neto

O combate se deu violento em todas as suas frentes, Antônio Ferreira combatia ora na vanguarda e ora na retaguarda do soldados, Higino por sua vez impediu que os bandidos fechassem a saída da garganta da serra impedindo um verdadeiro massacre. Nesse momento Manuel Neto teria sido atingido por vários balaços que cortaram as pernas e ali Lampião teria gritado: “Perdeu a fama hoje, cachorro azedo”. Perdendo as forças Manuel Neto conseguiu escapar da morte rolando serra a baixo sob a cobertura dos primos Antônio Capistrano e Euclides Flor e ainda do soldado Raimundo Barbosa, naquele momento a chuva de balas era enorme e as volantes em maior número de membros era fragorosamente derrotada sendo obrigada a abandonar suas posições de combate. O sargento Arlindo Rocha levou um disparo na boca que quase lhe destruiu a mandíbula, O curioso é que ele havia dito, antes de enfrentar os bandidos, que naquele dia "ia comer bala". Diante de um revés jamais imaginado os comandantes das forças volantes ordenaram a retirada imediata dos soldados, passavam das cinco da tarde e acabava ali um dos maiores combates da história do cangaço em Pernambuco.



Antonio Ferreira, irmão de Lampião ficou ferido de leve e Corisco abandonou temporariamente o cangaço após esse combate. Pelo lado das forças policiais dez soldados morreram e perto de 30 ficaram feridos. Já entre os cangaceiros, somente alguns feridos. O consolo para as forças volantes após o desastroso combate foi alimentar nos sertões o boato mentiroso da morte do irmão mais velho de Lampião, Antônio Ferreira, fato que só veria a acontecer em Janeiro de 1927 em um “sucesso” envolvendo o cangaceiro Luiz Pedro na fazenda Poço do Ferro em Floresta.


Higino Belarmino, Nêgo Gino, em foto de 1973


Após a memorável vitória sobre seus mais aguerridos perseguidores, Lampião se retira para a Fazenda do coronel Ângelo Gomes, o “Anjo da Gia”, ali urdiu um dos mais pitorescos episódios da história do cangaceira. O Rei do Cangaço mandaria uma ousada carta à maior autoridade do estado de Pernambuco. Ditada por Virgulino foi datilografada pelo próprio Mineiro Dias, na máquina de escrever portátil do mesmo que a colocou em um envelope branco com o ilustre destinatário: "Ex° governador de Pernambuco", o próprio seria o portador daquele importante documento escrito...

Lampião, O Governador do Sertão.



O então chefe de polícia Antônio Guimarães acabara levando a atrevida e ousada correspondência do audacioso Virgulino Ferreira para o Governador de Pernambuco Júlio de Melo. Na missiva o líder cangaceiro propõe à autoridade governamental a divisão do estado de Pernambuco em dois, sendo o próprio se auto-proclamado: Lampião – o Governador do Sertão. A referida carta havia chegado às mãos de Guimarães pelo próprio representante da Standard Oil, Mineiro Dias, solto sem pagamento de resgate, após o combate de Serra Grande. A divisão proposta por Virgulino, dividia o estado em dois: Lampião governaria o trecho de Rio Branco; atual Arcoverde; até o sertão e o governador: de Rio Branco até "onde bate a pancada do mar", a capital Recife. Àquela época em Rio Branco terminava a linha férrea da Great Western and Brazil Railway. O fato é que os jornais de então em muito contribuíram para o atrevimento, uma vez que estampavam quase que diariamente o título ao bandido, em função de suas incursões quase que impunes pelos sertões pernambucanos ao longo daqueles anos.



O governador Júlio de Melo teve poucos dias para se ocupar do desaforo, já no dia 12 de dezembro assume o governo, Estácio Coimbra que ato contínuo faz a nomeação para a chefia de polícia um jovem advogado, filho de uma família aristocrática da Zona da Mata, Eurico de Souza Leão, que teria a responsabilidade de responder à altura tamanha ousadia daquele que buscava desmoralizar as forças do estado. Começava ali uma urdida e bem engrenada campanha em Pernambuco para acabar com banditismo de Virgulino Ferreira.

CARTA DE UM GOVERNADOR PARA O OUTRO



Senhor governador de Pernambuco,
Suas saudações com os seus.
Faço-lhe esta devido a uma proposta que desejo fazer ao senhor para evitar guerra no sertão e acabar de vez com as brigas. (...) Se o senhor estiver no acordo, devemos dividir os nossos territórios. Eu que sou capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão, fico governando esta zona de cá por inteiro, até as pontas dos trilhos em Rio Branco. E o senhor, do seu lado, governa do Rio Branco até a pancada do mar no Recife. Isso mesmo. Fica cada um no que é seu. Pois então é o que convém. Assim ficamos os dois em paz, nem o senhor manda seus macacos me emboscar, nem eu com os meninos atravessamos a extrema, cada um governando o que é seu sem haver questão. Faço esta por amor à Paz que eu tenho e para que não se diga que sou bandido, que não mereço. Aguardo a sua resposta e confio sempre.



Capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão.

Consultas: Floresta uma Terra - um Povo ;Leonardo Ferraz Gominho, Canto do Acauã; Marilurdes Ferraz e as Memórias do Grande João Gomes de Lira.
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Quebra-cabreça do Clã Marçal Diniz

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Dentre todos os arranjos e conchavos vivenciados por Virgulino Ferreira, um dos que mais se destacam foi sem dúvida a relação mantida com a grande oligarquia da família Diniz, do coronel Marçal Diniz, seu irmão Laurindo, seu filho Marcolino Pereira Diniz e seu genro, o chefe político de Princesa, o poderoso Zé Pereira.

Coronel Zé Pereira

É Interessante observar a incrível ligação consangüínea que acabou ligando esses personagens chaves desse período cangaceiro de Virgulino na Paraíba, senão vejamos: numa época em que os casamentos consangüíneos eram corriqueiros, o número de filhos bastante elevado e os homônimos existiam em todo lugar, Princesa apresentou alguns casos dignos de um autêntico quebra-cabeça.


 Dona Alexandrina Pereira Lima (Dona Xandu)

Marcolino Diniz, filho de Marçal Diniz irmão de uma Xandu e esposo de outra...
 
O “coronel” Marcolino Pereira casou com Águida de Andrade, a “Sinhá" Águida, a união gerou Zé Pereira e Doninha. Esta enamorou o “coronel” Marçal Florentino Diniz e teve os filhos Xandu e Marcolino Diniz. Esse se uniu a outra Xandu, a famosa Xanduzinha, filha do "major" Floro Diniz. Zé Pereira casou-se com a própria sobrinha, Xandu, essa, a irmã de Marcolino. Então temos: Zé Pereira que é irmão de Doninha, que é mãe de Marcolino Diniz, que é irmão de Dona Xandu, que firmou matrimônio com Zé Pereira. Fácil, fácil de entender.
 
Manoel Severo
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Recado de Sabino Basseti...

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Olá Severo,
Soube por intermédio de participantes, que o Cariri Cangaço foi uma beleza. Então... Parabéns pelo sucesso do empreendimento. Se Deus quiser no próximo ano estarei presente. O Antonio Amaury me contou que em outubro você vai estar em São Paulo. Quem bom! Vou conhece-lo pessoalmente.
Abração forte.

Sabino Basseti
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Napoleão Tavares Neves...Feliz Aniversário!!!!

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Napoleão, entre Professora Diana e Pereira

"Neste dia 17 de setembro, dr. Napoleão completa 80 anos. Aproveitamos para enviar-lhe uma mensagem:

Era uma vez um que, há 80 anos, nasceu menino de engenho no Belo Horizonte de um Jardim. Atravessou Porteiras, venceu Araripe, fez-se forte numa Fortaleza e na jangada da vida aportou num arRecife. Napoleão, venceu batalhas, fez-se doutor da medicina. No lombo do ideal retornou ao ninho. Vencedor sempre, tornou-se doutor nas letras, na oratória e principalmente na vida. E sua jangada continua velejando no oceano do existir, raras vezes em mares calmos, o mais das vezes vencendo procelas. Sem naufragar, sem desistir. E os 80 anos ainda o encontram menino de engenho, provando a doce rapadura quente, bebendo a deliciosa garapa, montando os burros de cambitar cana, brincando na bagaceira.

Parabéns menino de engenho. Segue em frente, felicidades ... "

Ao querido amigo Napoleão Tavares Neves, todo o nosso carinho, respeito e admiração. Feliz Aniversário estimado Mestre, que Deus continue abençoando a você e sua família; são os votos da Família Cariri Cangaço. 
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Prestes, Magérbio e Napoleão...só no Cariri Cangaço

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Estado Maior da Coluna Prestes

A "Grande Marcha" de 1925 a 27 foi o ponto culminante de um movimento militar, denominado de Tenentismo. Esse movimento armado visava derrubar as oligarquias que dominavam o país e, posterirormente, desenvolver um conjunto de reformas institucionais, com o intuito de eliminar os vícios da República Velha. No inicio de abril de 1925, as forças gaúchas comandadas pelo capitão Luís Carlos Prestes se uniam com as tropas que fugiam de São Paulo. Os dois grupos haviam participado das rebeliões do ano anterior, mantiveram focos de resistência e procuravam manter e fortalecer sua organização, para retomar a luta pelo grande ideal: Salvar a Pátria.

Magérbio de Lucena

Depois de convencer os líderes paulistas da possibilidade da vitória contra o governo e as tropas fiéis a ele, Prestes iniciou a longa marcha afastando-se do país. A coluna atravessou o Paraguai no final de abril e voltou ao país através do Mato Grosso, do Mato Grosso, passando por Goiás, a coluna dirigiu-se para o Nordeste, atingindo o Estado do Maranhão no mês de novembro de 1925, chegando logo depois a ameaçar diretamente a cidade de Teresina. Na região nordeste os rebeldes percorreram praticamente todos os estados, chegando ao estado do Ceará em 1926.

Neste momento sob o comando de Floro Bartolomeu, os Batalhões Patrióticos, milicias armadas pelo poder central, criados para combater a Coluna, ganhou o seu mais polêmico integrante, o "Capitão Lampião", objeto de controverso convite de Padre Cícero/Floro... Esse foi o pano de fundo da espetacular Conferência do escritor Magérbio de Lucena, na última noite do Cariri Cangaço 2010.

Manoel Severo e Napoleão Tavares Neves  no  Cariri Cangaço 2010

Caro Magérbio, abraço-o.
Ninguém mais poderá ignorar a inserção da Coluna Prestes no mundo do cangaço, depois de ouvi-lo tão magnificamente na sua palestra, um dos pontos altos do Cariri Cangaço 2010. Foi magnifica a sua palavra, a sua postura cenica, a sua sabedoria. Sugiro publicação em livro. Será um grande benefício à historiografia Nordestina. Parabéns do colega e amigo,



Napoleão Tavares Neves.
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O Show a parte dos meninos de Aderbal.

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José Wilson e Adriano; eficazes e eficientes profissionais da produtora Laser Vídeo, já podem se considerar patrimônios do Cariri Cangaço. Pela segunda vez a empresa produtora de vídeo, do competente Aderbal Nogueira realiza a cobertura completa do Cariri Cangaço. Ano passado foram mais de 56 horas de imagens imortalizando com maestria o primeiro seminário em nosso cariri do Brasil.


O trabalho dedicado e aplicado dessa equipe da Laser Vídeo nos garantem guardar para a prosperidade momentos únicos de um grande encontro,onde o conhecimento se uniu à cultura, folclore, arte, lazer e o encontro de muitos amigos irmãos, de todas as partes do Brasil.

É isso aí grande amigo e irmão Aderbal; mais uma etapa do desafio foi vencida, vamos em frente!!!

O entardecer de Missão Velha cumprimenta os meninos de Aderbal; Zé Wilson e Adriano, parecendo dizer: Muito obrigado e parabéns pelo trabalho.


LASER VIDEO - Desejando conhecer mais de perto o trabalho da Laser Vídeo, adquira o DVD Documentário Cariri Cangaço 2009, clicando na aba lateral de nosso blog; mas se deseja ver já; visite o site da Tv Mandacaru: http://www.tvmandacaru.com.br/e assista um pouquinho do que foi o Cariri Cangaço 2009.

Laser Vídeo: (085) 3225.7090

Diretores:Aderbal Nogueira e Maristela Mafuz
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Bosco André, patrimônio de nosso Cariri Cangaço

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Ainda quando estávamos construindo o primeiro Cariri Cangaço, no comecinho de Março de 2009, mantive contato com vários companheiros para ensaiar o conjunto de palestrantes para nossa primeira empreitada. A partir de um contato que mantive com a professora Célia Magalhães de Missão Velha, ouvi pela primeira vez o nome de um certo memorialista, ali mesmo do "Portal do Cariri", chamado João Bosco André. Dali busquei informações com o amigo Rodrigo Torres e o mesmo me confirmou, "excelente pedida, vamos conversar com ele..."

Bosco André e a história marcante da Fazenda Padre Cícero dos Dantas

Saimos, eu, Danielle e Rodrigo para o primeiro encontro com o tal Bosco André, naquele mês de Março encontrando-o na Câmara Municipal. Mantemos um primeiro contato, e aí, vem o velho "Chavão": Amor a primeira vista!!! rsrsrsrs. Na verdade a afinidade foi imediata, mantemos uma primeira conversa de muitas horas que.... se perpetuaram até os dias de hoje. Daquela tarde na Câmara Municipal de Missão Velha até hoje, se passaram cerca de 1 ano e 6 meses; o Cariri Cangaço ganhou um grande conferencista, o Brasil passou a conhecer um pouco mais a história de nosso Cariri e eu ganhei um grande e espetacular amigo. A você Bosco, o meu abraço de carinho, respeito e gratidão.

Manoel Severo
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Todos os pés pisaram esta terra do Cariri do Brasill

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Pés de todo o país estiveram por estas bandas do Cariri do Brasil; Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Distrito Federal e Santa Catarina... Não importa de onde vieram, eram mais de 100, não importa como esses pés chegaram, mas como eles saíram...


Cariri Cangaço do Cariri do Brasil !
Sejam sempre muito bem vindos!
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Revendo os Blogs Amigos...

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DEU NO BLOG DO BARROS ALVES.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010



Na semana que passou estive participando do II Seminário denominado Cariri Cangaço, uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço-SBEC, sob curadoria do pesquisador Manoel Severo, firma-se como um dos mais significativos eventos de debates sobre o fenômeno do cangaço no Nordeste brasileiro e temas afins, entre os quais destacam-se a religiosidade popular e os movimentos de rebeldia do povo.

Subordinado ao tema “Coronéis, beatos e cangaceiros”, o Cariri Cangaço/2010 ensejou a realização de importantes discussões sobre as nuances históricas e culturais que permeiam esses assuntos. Aproximadamente uma centena de pesquisadores, escritores, poetas, jornalistas, professores e cineastas ávidos de informações participaram dos debates realizados nas cidades anfitriãs do Encontro, quais sejam Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha e Aurora.

Barros Alves

Além das conferências e palestras proferidas por qualificados especialistas na temática abordada, a comitiva de participantes meteu-se caatinga a dentro, a visitar inóspitos lugares onde Lampião e seu bando protagonizaram suas estripulias; ou onde a religiosidade popular assomou como background de revoltas populares, como é o caso do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, lugar escondido na aridez de socavões de serrotes onde o Beato Zé Lourenço plantou sua semente de utopia e tragicidade.

Todos se deleitaram na audição ou no debate com figuras como o historiador Bosco André, de Missão Velha, um estudioso da sociologia dos coronéis da região; Napoleão Tavares, escritor de nomeada, que se debruça há muito sobre os estudos do cangaceirismo; Lemuel Rodrigues, sociólogo, presidente da SBEC, cuja tese sobre movimentos messiânicos do Nordeste procura demonstrar a irrelevância da identificação desses movimentos com os fundamentos do pensamento marxista revolucionário; Múcio Procópio, estudioso perspicaz do Beato Conselheiro e da saga de Canudos; Antônio Amaury, Honório Medeiros, Alfredo Bonessi, Antônio Vilela, Paulo Gastão, Ivanildo Silveira, Osmiro Barreto, Kydelmir Dantas, Alcino Costa, João de Sousa Lima, Magérbio Lucena, Juliana Ischiara, e tantos outros nomes de não menos importância pontificaram com seus conhecimentos nesse Cariri Cangaço/2010, esquadrinhando gestos, garimpando histórias, relatando fatos que fizeram a epopéia cangaceira no Brasil do final do século XIX e primeira metade do século XX, período da história do Nordeste brasileiro em que assomou a figura do sertanejo Virgulino Ferreira da Silva, cognominado Lampião, que se tornou mundialmente conhecido como o Rei dos Cangaceiros.

Visita a Fazenda Ipueiras em Aurora

O Cariri Cangaço/2010 configurou uma empreitada digna de constar nos anais da história da cultura nordestina, especialmente do Ceará, cujo sucesso se deve, sobretudo, à sensibilidade aliada ao espírito empreendedor do casal Manoel Severo e Danielle Esmeraldo, o qual não mediu esforços para a concretização do evento. É certo que não se pode olvidar o concurso dos demais participantes, em especial dos confrades e confreiras da SBEC, mas, por dever de justiça, já pelo estímulo permanente, já pela ação concreta na feitura do evento, Manoel Severo e Danielle Esmeraldo merecem os louros de mais essa vitória na seara da nossa cultura.

Barros Alves
Fonte:www.barrosalvescoisaetal.blogspot.com
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