28 de Julho, 72 anos de culto ao heroi errado Por:Luiz Berto

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 Tenente João Bezerra

Uma simbiose perfeita entre o homem e a natureza oferece, atualmente, um espetáculo fulgurante às cidades de Piranhas (Alagoas) e Canindé do São Francisco (Sergipe) com belíssimas paisagens, exóticas formações rochosas, águas cristalinas, trilhas ecológicas; e, sobretudo, uma singularidade ímpar de vegetação diferenciadamente exuberante e diversificada fauna.Navegando pelo Velho Chico (aquele da “unidade nacional”), mais ao sul do lado sergipano entre cânions e rochas, ninhais de garças, praias fluviais e ilhas flutuantes, encontramos o município de Poço Redondo, na antiga região de campo-santo do Morgado do Porto da Folha; e, mais precisamente, após uma trilha de aproximadamente meio quilômetro, nos deparemos com a histórica Grota do Angico.

Tal Grota testemunhou, há exatos 70 anos, a derrocada do “Cangaço” quando da morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros. Tal empreitada foi comandada pelo célebre, e historicamente esquecido, comandante das “Volantes”, Tenente João Bezerra da Silva (Foto), da Polícia Militar de Alagoas, na manhã da quinta-feira 28 de julho de 1938.

Entendendo-se o Cangaço como hordas de bandoleiros e salteadores que aterrorizavam as cidades e povoados da região, marcadas pelo medo, pânico, pavor, terror e desmedida violência. Entendendo-se, por outro lado, as Volantes como forças policiais surgidas na década de 1920, itinerantes e de rápido emprego tático em ações no interior dos enfeudados sertões do nordeste “sub-saariano” brasileiro e criadas para combaterem este fenômeno fora-da-lei; poderemos conhecer o real significado do acontecimento, ora em transcurso, para estas ordeiras e honestas comunidades sequiosas de desenvolvimento e melhor qualidade de vida.

Contudo, não devemos nos esquecer que, na gênese do cangaço, mormente sua atividade criminosa e não justificada, manifestava-se uma forte reação social ao obtuso poder central, ao descaso dos políticos regionais e aos “coronéis de terra”, responsáveis pela miséria, trabalho servil e pelo abandono das populações interioranas da região Nordeste do Brasil.

Volante de João Bezerra

Portanto, em vez de se querer “endeusar”, “martirizar” ou “canonizar” a figura de um bandido; conclamamos que seja feita uma revisão histórica dos fatos, atos e personagens envolvidos nos episódios em pauta. Talvez, se conhecêssemos melhor o verdadeiro papel das Polícias Militares (Força Pública ou Brigada Militar, à época) - em particular - as Forças Volantes; e, mais ainda, a trajetória policial-militar do Coronel Bezerra (então Tenente); talvez, não se cultuassem facínoras ou heróis errados de todos os matizes.

Luiz Berto; Blog Besta Fubana: http://www.luizberto.com/?p=5124
Fonte: lampiaoaceso.blogdspot.com
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Um comentário:

Julio Cesar disse...

Se entendi direito, vamos estudar a possibilidade de "endeusar", "martirizar" ou "canonizar" as volantes e, em particular o ten. João Bezerra?

Eles seriam os facínoras ou heróis certos?