A Derradeira Gesta Por:Rodrigo Fonseca


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Uma nova versão sobre a origem e as atividades de Virgulino Ferreira, o Lampião, destrói o mito do cangaceiro como expressão da miséria social e transforma o mais importante símbolo do banditismo rural do país em um braço direito dos coronéis. Resultado de uma pesquisa de 30 anos feita pela antropóloga e professora da Uerj , Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros, o livro A derradeira gesta: Lampião e nazarenos guerreando no sertão (editora Mauad), apresenta a tese de que Virgulino Ferreira não só foi culpado pela morte do pai como estava vinculado aos grandes proprietários do Nordeste. Uma teoria que contesta a versão corrente de que a vingança e a falta de leis no sertão o teriam conduzido às armas. A pesquisadora também defende que seu assassinato, em 1938, foi motivado por questões econômicas que envolviam a transferência das verbas de combate ao cangaço para a indústria açucareira do Nordeste.

Apoiada na literatura antropológica sobre o cangaço, em acervos de documentos e entrevistas, Luitgarde Barros conta que Lampião era membro de uma família de pequenos proprietários e que entrou na vida do crime ainda na adolescência. "O cangaço não é de origem pobre, mas nasce de proprietários remediados, comerciantes e donos de tropas de cavalos e burros. O próprio Virgulino Ferreira, antes de tornar-se Lampião, possuía terras e animais. Mas ainda jovem, em 1916, começou a agir como cangaceiro, sendo cabra dos Porcino, uma família criminosa  que agia em Alagoas", afirma, referindo-se ao grupo dos irmãos Pedro, Antonio e Manuel Porcino.

Em A derradeira gesta (que recebeu uma indicação para o prêmio Jabuti deste ano), Luitgarde reúne todos os detalhes para desmistificar Lampião. Envolvida com o tema do cangaço por razões pessoais - em 1927, antes de seu nascimento, sua mãe foi feita refém do cangaceiro no município de Santana do Ipanema, Alagoas - ela levanta dados em sua pesquisa que negam a versão até hoje cultivada em universidades brasileiras. Nega, portanto, que o assassinato do pai de Lampião, José Ferreira, em 1921, pelas mãos do coronel (então tenente) Lucena, teria sido o motivo que conduziu Virgulino ao cangaço. "Tenho documentos de cartório mostrando a perseguição de Lampião quando ele ainda era membro do grupo dos Porcino, ainda nos anos 10." Segundo a professora, Virgulino Ferreira vivia uma vida dupla, antes de se entregar definitivamente ao cangaço, em 1922. "Em Pernambuco, ele era um proprietário, com sua tropa de burro, e fazia comércio com a vizinhança. Mas como era exímio cavaleiro, percorria as regiões próximas e chegava em Sergipe e na Bahia praticando crimes. Aí Virgulino dava lugar ao cangaceiro", afirma. 

De acordo com Luitgarde, essa série de crimes em que Lampião se envolve, como invasões a cidades e troca de tiros, é o caminho que conduz seu pai à morte. "Em 1921, Lampião vai com os Porcino para um lugarejo em Alagoas chamado Mariconha e lá eles matam um rapaz cego de 15 anos e promovem uma série de roubos. Depois, escondem o dinheiro roubado em uma pequena fazenda próxima onde o pai dele estava vivendo, o que atrai o coronel Lucena ao local", explica. "Como entrou atirando, esperando surpreender Lampião, Lucena acabou matando seu pai." Com a morte do pai, Luitgarde defende que Lampião apelou para o código sertanejo de vingança para justificar suas ações. "Essa legitimação dos próprios atos utilizando elementos da cultura sertaneja, como valentia e obrigação de vingança, para limpar manchas desonrosas ou corrigir injustiças, foi amplamente utilizada por todos  os cangaceiros, principalmente Lampião."

 Tenente Lucena, acima a esquerda, vendo ainda outros destacados comandantes de Volantes; João Bezerra e Ferreira de Melo

A partir de 1922, já com seu próprio bando, ele passa a envolver os coronéis em sua atividade pelo sertão. "Os grandes protetores dele são desembargadores, juízes de direito e altos industriais." Luitgarde destaca também a corrupção na polícia. "Quando um destacamento policial ia perseguir os cangaceiros, eles eram avisados por membros corruptos." Luitgarde registra no texto nomes de juízes e políticos que recebiam o cangaceiro em suas residências e o apoiavam para que suas terras fossem poupadas. Alguns, como o governador de Sergipe, Eronildes de Carvalho, chegaram a lhe fornecer armas. "Existem entrevistas em que Eronildes afirma ter dado uma pistola para ele, negando ter lhe vendido armamentos. Ele foi o principal coiteiro de Lampião", denuncia. A relação de "amizade" entre Virgulino Ferreira e os grandes proprietários de terra é explicada por Luitgarde como um jogo de interesses. O esquema fazia com que Lampião atacasse apenas os adversários de seus padrinhos. "Depois os grandes proprietários compravam por quase nada as terras dos concorrentes arrasadas por ele. Assim, eles refazem o latifúndio do Nordeste". Para Luitgarde, esse sistema de favores não beneficiava Lampião, apenas alimentava a "indústria do cangaço". "Ele assaltava os pequenos e médios proprietários e esse dinheiro era usado para comprar armas, munição e polícia corrupta. Mas quem poderia vender armamento para ele sem ser punido? Só pessoas muito importantes tinham o monopólio do comércio com o cangaço. E como Lampião não poderia regatear preço com o governador, já que só este lhe poderia vender armas, era obrigado a continuar a vida de crimes para pagar os altos preços cobrados."

Alimentada por verbas do Governo Federal, essa "indústria" do banditismo chega ao fim em 1938, por questões econômicas, conforme afirma a professora. "Naquele ano, o presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool, o pernambucano Barbosa Lima Sobrinho, informa aos governadores de Alagoas e Pernambuco que a verba para o subsídio da produção açucareira vinha sendo destinada ao combate ao cangaço. E que isso ia acabar." Depois dessa notícia, o governador de Alagoas, Osman Loureiro, incumbe o coronel Lucena de comandar o extermínio do bando de Lampião em um período de um mês. "Lucena convocou seus homens e afirmou que se eles não cumprissem a tarefa no prazo seriam demitidos. Em 30 dias acabou o cangaço", lembra, referindo-se ao massacre contra o grupo do cangaceiro ocorrido em julho de 1938, na Grota de Angicos, Sergipe. Sem piedade na análise do cangaceiro, Luitgarde confessa a necessidade de se corrigir um erro histórico. "Ao contrário do que se acredita, no período de Lampião as populações pobres são as mais atingidas por seus atos, enquanto as classes que o protegiam ficavam cada vez mais ricas. Esses fatos ficaram obscuros porque quando se cria um mito a primeira coisa que a imprensa faz é esconder a verdade  sobre sua vida."

Renato Cassimiro, Manoel Severo, Melquiades Pinto e Luitgarde Barros

Mas análises como as de Luitgarde ainda não compõem a maioria dos estudos sobre Lampião e o banditismo rural nordestino, conforme comprova o sociólogo César Barreira, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Laboratório de Estudos da Violência. "Na academia, a interpretação da história de Lampião que ainda predomina é a do bandido social motivado pelo assassinato do pai e produto de uma sociedade com dificuldade de trabalho. O que ainda se discute é se a sua violência teve mesmo a natureza de atrocidade que lhe é atribuída e qual a participação da força policial na formação do cangaço", explica. Barreira lembra que a maioria das pesquisas ainda vê ações positivas no cangaço. "Há um aspecto positivo nas ações de Lampião no momento em que sua violência representa a negação das condições sociais em que vivia. A idéia é que ele tenha tomado a orientação do banditismo porque a Justiça não agiu como devia na morte de seu pai. O que temos relacionada a ele é a construção de uma nova lei. A lei do cangaço", afirma. Recentes pesquisas, contudo, apontam para a pluralidade de olhares.

Andarilhos e Cangaceiros

O antropólogo e pesquisador Jorge Luiz Mattar Villela, co-autor de Andarilhos e cangaceiros - A arte de produzir território em movimento (ed. Univali), desenvolve atualmente uma tese de doutorado pelo Museu Nacional, no Rio de Janeiro, onde analisa a formação do cangaço a partir da relação entre as famílias locais e a violência. "Analisando os exércitos privados formados no interior de Pernambuco, encontrei evidências de que eles são na verdade grupos de origem familiar que em função de terem cometido algum crime ou afronta caem na ilegalidade, podendo migrar ou se transformar em cangaceiros, entregando-se então ao uso das armas", explica Villela. Sem se preocupar em estabelecer opiniões definitivas, Villela admite que a imagem do principal membro do cangaço ainda está sujeita a interpretações. "Os povos vitimados pelo cangaço vêem Lampião como qualquer inimigo dele veria. Alguém sem qualidades, cruel e impiedoso. Há análises dele como independente dos coronéis. O ponto de vista muda. O que não se pode negar é o valor que a vida possui no sertão, já que alguém é capaz de arriscar seus bens para vingar um aliado morto", aponta.

RODRIGO FONSECA, JBOnline
Matéria nos enviada gentilmente por Alfredo Bonessi
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Em São Paulo a alegria de reencontrar a família de Antonio Amaury

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 Dona Renê, Danielle Esmeraldo e Antonio Amaury

Na última semana, aproveitando um pequeno descanso entre o primeiro e o segundo turno de nossas eleições presidenciais, estivemos, eu e Danielle, na cidade de São Paulo. Ali, além de participarmos de compromissos de natureza particular, tivemos a oportunidade de reencontrar a família Correa de Araujo. Capitaneados pelo amigo Antônio Amaury, sua maravilhosa e elegante esposa, dona Renê, os filhos Carlos e Junior além dos netos, matamos a saudade da simpática e estimada família em momentos extremamente agradáveis.

 Manoel Severo e Carlos Elydio

De novidade, além da saudade do "grande encontro que foi o Cariri Cangaço", segundo Amaury;"momento em que se encontram amigos e se controem novas amizades"; a informação da produção de dois novos livros do Mestre, um deles novamente em parceria com o filho, o escritor Carlos Elydio. Segundo Carlos, "podem esperar uma obra diferente, instigante, dentro de algum tempo estaremos colocando na editora". Bem, temos a certeza de mais um grande sucesso com a marca Antônio Amaury.

Do encontro em São Paulo ficou a confirmação de uma outra visita em Novembro, desta vez com um pouquinho de tempo, primeiro para conhecer mais de perto o acervo de Antônio Amaury e também promover um encontro com os "apaixonados pelo cangaço" da capital paulista, reunidos pelo anfitrião. Valeu.

Manoel Severo
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Feliz Aniversário para Romero Junior

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No último dia 14 foi o aniversário do jovem José Romero Junior. A data comemorativa de 15 anos é de extremo significado para uma vida que se descortina. Filho do estimado amigo, professor e escritor José Romero Cardoso, queremos deixar o nosso abraço ao Romero Júnior, que Deus Supremo possa lhe abençoar e a toda sua família. 

Romero Junior e o pai, na data festiva de seus 15 anos.

Cariri Cangaço.
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Crato se torna a capital da Música

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Secretária Danielle Esmeraldo e os vencedores do Festival Cariri da Canção, modalidade Estudantil: Foto - Wilson Bernardo

Nestes meses de Outubro e Novembro , Crato; a Capital da Cultura se torna também a Capital da Musica; neste último final de semana tivemos a abertura do Festival Cariri da Canção em sua fase Estudantil. Mais de 58 inscritos de escolas e universidades de todo o nordeste participaram da seleção que apresentou os 20 selecionados nestes dias 16 e 17 de Outubro, no Teatro Municipal Salviano Arraes. Na oportunidade tivemos um Teatro completamente tomado pela criatividade, arte e talento dos jovens estudante, numa festa há muito tempo não vista nos palcos do nosso Cariri do Brasil.


A Prefeitura Municipal de Crato e a Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude promovem também dentro da Programação do Festival Cariri da Canção eventos paralelos para a formação de plateias e fortalecimento da cultura regional, um desses projetos é " Num canto em Crato canto" , uma Mostra da música que tem sido feita na região do Cariri com artistas consagrados e a nova geração da música regional, ritmos que vão do pop rock ao xote e baião, apresentações em praças públicas em vários bairros popularizando e democratizando o acesso da população em geral à música e arte.



Teremos também como parte da mesma progamação do Festival Cariri da Canção, a Mostra Instrumental "Um Gole de Café com Arte", que vem enriquecer ainda mais esse que se consolida a cada ano como um dos grandes eventos da música do Ceará, dando oportunidade a sociedade de apreciar a boa música feita na nossa região. Esse é um dos eventos paralelos ao festival, assim como as oficinas oferecidas gratuitamente para profissionalização dos músicos. Participem, prestigiem! 

Mais informações no blog oficial do Festival:
http://festivalcariridacancao.blogspot.com/ .





Um pouco mais da maravilhosa fase estudantil do Festival Cariri da Canção, em imagens do incomparável Wilson Bernardo

E nos dias 04, 05 e 06 de novembro, Crato realiza a Fase Nacional do Festival Cariri da  Canção; são mais 30 músicas, que estarão concorrendo a uma premiação em dinheiro e o reconhecimento do seu trabalho, além da gravação do CD , onde estarão reunidas as ganhadoras do Festival escolhidas, por um júri gabaritado para esta finalidade. O Festival Cariri da Canção Nacional 2010 terá a participação de seis estados da federação.Vale ressaltar o incondicional apoio da municipalidade apo evento através do prefeito Samuel Araripe.

Se você é um amante da boa música, veio ao Cariri Cangaço, e adorou o Cariri do Brasil; esse maravilhoso pedacinho de terra aqui do nosso Ceará; não pode perder o Festival Cariri da Canção 2010. Sejam bem vindos!
 
Visite o site oficial do evento: www.cariridacancao.com
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O padre Cícero cidadão, lançado em Juazeiro

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Será lançado neste dia 20, em Juazeiro do Norte, o livro “O Político Padre Cícero – entre a Religião e a Cidadania”, de Maria Laudícia de O. Holanda. O lançamento acontece a partir das 20 horas, no SESC. O trabalho reúne uma abordagem isenta de uma faceta envolta aos aspectos políticos, mas do ponto de vista cidadão, e não partidário. Por meio de uma análise apurada, com uma ampla análise e pesquisa de escritos, como cartas deixadas pelo sacerdote, a Professora Laudícia traz essa importante contribuição para se compreensão de quem era Cícero Romão Batista, que se tornou um dos maiores nomes da religiosidade popular do Brasil. Laudícia Holanda destaca que este livro representa um relato da melhor descoberta que conseguiu do padre Cícero, como Cidadão do mundo.

O estudo analisa os aspectos da pastoral do padre Cícero Romão Batista. A abordagem histórico-religiosa busca descobrir os liames entre o padre, seus devotos e o desenvolvimento de uma ética do trabalho que aparecem vinculados, auto-sustentados e mutuamente impulsionados. O lançamento está inserido na programação de comemoração do centenário da cidade.

Elizângela Santos
Fonte:Blog do Crato/Armando Rafael
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Cosme e Damião do mundo do cangaço...

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Neste último mês, tivemos as celebrações alusivas aos santos gêmeos, Cosme e Damião; os irmãos médicos, nascidos na Arábia e que deram suas vidas em defesa dos enfermos e da fé cristã

Também na família dos pesquisadores sbequianos, temos um par de gêmeos, também concorrendo à "santidade", tamanha gentileza, cordialidade, lanheza e elegancia na conduta e nos relacionamentos, hoje o Cariri Cangaço abre espaço para homenagear os irmãos Assis e Chagas; dupla dinâmica que ao lado do estimado Manelzim, fazem valer uma das mais fortes máximas literárias: família que pesquisa unida, permanece unida para sempre...

Chagas Nascimento

 Assis Nascimento

Os irmãos Nascimento são amigos valorosos e nos deram a satisfação de estarem nas duas edições do Cariri Cangaço. Dessa forma como membros efetivos desta família, recebem o nosso afetuoso abraço de gratidão.

Manoel Severo
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Um estranho no ninho...

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Sem dúvidas o amigo Tomaz Cysne acaba nos provocando uma das mais polêmicas semelhanças do mundo da pesquisa e estudo do cangaço, na verdade, Antônio Vilela e Kydelmir Dantas, são ou não são discipulos de Cosme e Damião?

Produção Cariri Cangaço
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A bárbara Bárbara!

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Há trinta anos Caetano Ximenes Aragão publicava o seu Romanceiro de Bárbara, livro cujo título nos remete imediata e não casualmente ao Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. O autor parece querer estabelecer desde o princípio um paralelo entre os episódios da Conjuração Mineira tão magistralmente recriada em versos pela poetisa carioca, e a Confederação do Equador que, no concernente à participação do Ceará, teve na família Alencar alguns dos significativos protagonistas.

Caetano Ximenes Aragão

Movidos pelo descontentamento frente às medidas do então recente governo imperial de Dom Pedro I, camadas representativas de Pernambuco, da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará unem-se em oposição ao poder monárquico centralizador. Em nosso estado, depois de aguerridos combates, Tristão Araripe chega a empossar-se como Presidente da Província em 1824, no entanto pouco demorando como tal. A pronta e violenta reação das tropas legalistas leva-o à morte em combate, bem como instaura furiosa perseguição aos revoltosos, culminando com o fuzilamento, em 1825, dos mártires Azevedo Bolão, Ibiapina, Carapinima, Padre Mororó e Pessoa Anta — no antigo Campo da Pólvora, atual Passeio Público.

Se Bárbara de Alencar não esteve envolvida diretamente na intentona de 1824, foi figura emblemática em 1817. Não apenas “acobertara” as conspirações de seus filhos Tristão e José Martiniano (este, pai do autor de Iracema), mas alimentara o ideal revolucionário com sua força de — mais do que matrona — matriarca esclarecida do Crato. É o que atesta a carta-testamento do padre, médico e naturalista Manuel de Arruda Câmara: “A D. Bárbara de Crato, devem olhá-la como heroína”.

Heroica seria realmente sua postura quando do fracasso, em apenas uma semana, dessa primeira experiência republicana cearense: assim como seus filhos, é presa e conduzida ao antigo Quartel de 1ª. Linha da capital, e encarcerada sem direito a regalia de qualquer espécie. Pelo contrário, viveria dias de extrema penúria até sua transferência por mar para a Fortaleza das Cinco Pontas em Recife e, dali para Salvador, onde finalmente fora libertada, após uma devassa que com seus respectivos sofrimentos e represálias, durara cerca de três anos.

Crato, Ceará

O retorno para casa não resultou, porém, exatamente numa alegria: com os bens tomados pelo Império, e o nome enxovalhado (os adversários políticos naturalmente aproveitando-se da ocasião para a disseminação de toda sorte de maledicência), tornaram-se uma espécie de “exílio domiciliar” seus últimos anos. Não se tem notícias do pertencimento de Bárbara de Alencar às insubordinações que se seguiram à sua soltura. Morre em 1832, a vinte e oito de agosto, aos setenta e dois anos.

Eis os fatos que servem de motivo à lírica de Caetano Ximenes Aragão e ao Romanceiro: escrito num período marcado pela agonia do regime militar e início da Abertura, o livro faz do canto a Bárbara um canto à liberdade. O que é simbolizado exemplarmente pela contínua aparição no poema da Ave da Madrugada que “canta de noite e de dia/ é sua maldição cantar/ cantares de rebeldia/ e aquele que ouvir seu canto/ nunca mais se concilia/ será sempre um encantado/ da ave da madrugada”.

E que é revelado ainda pelo poeta no Posfácio à obra: “Este poema é uma metáfora sobre a liberdade. Nasceu em tempos de incertezas. Havia medo, exílio, prisões, torturas, homens e mulheres banidos. Bárbara Pereira de Alencar, primeira presa política do Brasil, na ordem do tempo, sofreu prisão, violência, maus tratos, exílio e teve seus bens confiscados. Mas resistiu e por isso e outras razões, é uma heroína marginalizada na História de nosso País”.

Praça dos Mártires, em Fortaleza; o famoso Passeio Público

“Uma heroína marginalizada na História de nosso País”, diz-nos o poeta. Não deixa de ser verdade, se pensamos no espaço concedido a diversos vultos tornados referências nacionais. Não deixa de ser verdade, se pensamos no espaço concedido a outros vultos tornados referências em nosso próprio estado. Não deixa de ser verdade se confrontamos o que representam as imagens de Bárbara de Alencar e seu filho Tristão Araripe, quando comparadas à imagem que atualmente exportamos como sendo a tradutora de nossa cearensidade: a de um Ceará não só Moleque, mas cuja molecagem vem identificando-se, gradualmente, com o baixo humorismo.

Enaltecemos com orgulho a figura de um povo irreverente a ponto de vaiar o próprio sol. Mas diminuímos o valor dessa mesma irreverência quando a igualamos ao riso fácil resultante da piada mal-contada, reprodutora de preconceitos e estereótipos, incapazes de sugerir quaisquer maiores enfrentamentos do status quo. Forjamos cada vez mais a face de um povo que sabe rir (de si); porém, não será esse contentamento algo um tanto forçado, esgar ao invés de sorriso? Quando Caetano Ximenes elege Bárbara de Alencar motivo de sua poética, contribui para o resgate de outra fundamental expressão de nossa formação como povo: a expressão da luta, do confronto, do heroico e do trágico, igualmente cearenses.

Bárbara de Zenon Barreto

Tomemos como simbólico o não nos ter chegado um registro, desenho, nenhum esboço sequer, dos rostos de Bárbara ou Tristão: e empreendamos o avivamento de suas feições, o avivamento de nossas feições, estimulando a presença de seu exemplo entre nós. Se Zenon Barreto soube representar a ausência de tal registro na estátua erigida em homenagem à “Guerreira do Brasil” (para lembrar a obra de Roberto Gaspar), soube também postá-la retilínea e altiva, conforme a vemos na Praça Bárbara de Alencar, na Avenida Heráclito Graça.

Felizmente há sempre quem insista na representação de um Siriará combativo, e que sabe fazer da festividade, inclusive, também um momento de exaltação dessa “outra face” de que falamos: é o caso de inúmeros anônimos. É o caso também de Maria do Amparo, que mantém um pequeno museu na Casa do Sítio Caiçara em que Bárbara de Alencar nasceu, no município de Exu, sem apoio governamental ou particular algum. É o caso de Oswald Barroso à frente do anual Cortejo dos Confederados; e agora do Maracatu Nação Fortaleza e seu tema “Bárbara Luz da Liberdade”.

Vejam que não é absolutamente necessário que tomemos a vida negativamente, por a assumirmos heroica e tragicamente: é condição maior do trágico, não a dor, mas a insubmissão ante um destino demarcado. Sorriamos, pois: não com escárnio, mas com a felicidade dos que se sabem encantados pela “ave da madrugada/ que canta de noite e de dia/ (...) cantares de rebeldia”.

Auriberto Cavalcante

"Bárbara era feita
de pedaços de brisa
certezas
e terra ensanguentada”
Caetano Ximenes Aragão

FONTE:auribertoeternochocalheiro.blogspot.com
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O dono da Passagem Por:Lampião Aceso

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Tomaz Cisne, Carlos Eduardo, Ângelo Osmiro e Afrânio

"2001 foi um ano importante para a rota do cangaço em Pernambuco. Uma certa propriedade localizada no povoado São Domingos, as margens do riacho São Domingos e aos pés da Serra Vermelha estava com placa de venda. Era um sítio, mas não era um sítio qualquer era a Passagem das Pedras que um dia pertenceu à dona Jacosa a avó de Virgulino. Neste local o jovem foi criado e educado por ela. O valor imobiliário estava ao alcance de muitos conterrâneos do antigo e ilustre morador, mas o valor histórico não estava sendo considerado. Quem sabe a cancela e a memória fossem fechadas para sempre aos estudiosos e curiosos do assunto? Carlos Eduardo Gomes pensou assim e adquiriu o lugar....

Lampião Aceso entrevistou o "cangaceiro carioca" durante o Cariri Cangaço 2010.


Qual o livro preferido de Carlos Eduardo?
Como já relatei O livro de Chandler que me introduz nesta saudável confraria. Mas o trabalho que considero a de maior importância na literatura é sem dúvida Guerreiros do Sol do Frederico Pernambucano.

Qual o capitulo?
A polêmica morte de Lampião em 1938. Polêmica porque me diverte: Chego a comparar com a convocação da seleção brasileira... Ninguém está satisfeito, não se chega a uma conclusão. Tem sempre uma tese tentando explicar o porquê daquele acontecido. Por que Lampião estava distraído? Houve ou não envenenamento? Olha, eu tenho convicção que se tivéssemos a presença de uma câmera registrando toda a cena, ainda não seria suficiente para evitar estas opiniões contraditórias. Pensando bem se acabar... perde a graça.

Trecho da fantástica entrevistra concedida pelo amigo Carlos  Eduardo Gomes ao amigo Kiko Monteiro, por ocasião do Cariri Cangaço 2010. Para ver toda a entrevista e conhecer um pouquinho mais de nosso "Cangaceiro Carioca" , visite lampião aceso:


Abraço fraterno aos amigos, Carlos Eduardo Gomes e Kiko Monteiro

Manoel Severo
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Frederico Pernambucano e as Estrelas de Couro

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Os amigos, Frederico Pernambucano e o jornalista Bezerrinha, Presidente da Revista Nordeste XXI

Autoridade no tema Cangaço – expressão do irredentismo popular brasileiro -, o historiador Frederico Pernambucano de Mello nos apresenta o livro Estrelas de couro: a estética do cangaço (Escrituras Editora), com prefácio de Ariano Suassuna.

Pernambucano, chamado por Gilberto Freyre de “mestre de mestres em assuntos de cangaço”, mergulha no universo desconhecido de sua cultura material, promovendo a leitura profunda do requinte e dos significados presentes nas poucas peças autênticas de uso dos cangaceiros, a exemplo do signo-de-salomão, da cruz-de-malta, da flor-de-lis, do oito contínuo deitado, das gregas, de variações sublimadas da flora local, e das tantas combinações possíveis de que se valia o cangaceiro na construção de um traje que atendia à vaidade ornamental de seu brado guerreiro e a anseios bem compreensíveis de proteção mística.

Resultado de estudo profundo a que se dedicou Pernambucano desde 1997, a obra é um ensaio interdisciplinar, um livro de arte com mais de 300 fotos históricas, que contou com a colaboração da Aba-Film (Fortaleza-CE), Fundação Joaquim Nabuco (Recife-PE), Instituto da Memória (Aracaju-SE), Instituto Cândido Portinari (Brodowski-SP), Instituto Ricardo Brennand (Recife-PE), Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (Maceió-AL), Museu Estácio de Lima / Instituto Nina Rodrigues (Salvador-BA), Museu da República (Rio de Janeiro-RJ) e do autor, que possui o maior acervo de peças de uso pessoal dos cangaceiros, com cerca de 160 objetos, que teve lugar de destaque na Mostra do Redescobrimento – Brasil 500 Anos (2000, São Paulo).

O livro é a primeira produção de história íntima sobre o fenômeno de insurgência social de maior apelo popular do Brasil. Sem perda do caráter epidérmico de banditismo, Pernambucano nos mostra uma tradição brasileira de insurgência recorrente, irmã do levante indígena, do quilombo e da revolta social. E conclui que nos veio do fenômeno a própria marca visual da região Nordeste: não mais que uma estilização da meia-lua com estrela do arrebitado da aba do chapéu de couro dos velhos capitães de cangaço.

“Habitando um meio cinzento e pobre”, conclui Pernambucano, “o cangaceiro vestiu-se de cor e riqueza. Satisfez seu anseio de arte, dando vazão aos motivos profundos do arcaico brasileiro. E viveu sem lei nem rei quase em nossos dias, deitando uma ponte sobre cinco séculos de história. Foi o último a fazê-lo com tanto orgulho. Com tanta cor. Com tanta festa”.

“Estrelas de couro, o livro que eu gostaria de ter escrito” – diz Ariano Suassuna


Estrelas de Couro – A Estética do Cangaço 2010 – 112 anos de nascimento de Virgulino Ferreira, o Lampião
Gênero: História/Cangaço e cangaceiros/ Usos e costumes/
Ensaio interdisciplinar
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Cariri presente na Cesta Básica de Cultura e Conhecimento Por:Elmano Rodrigues

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Dos trinta e um títulos da coleção Cesta Básica de Cultura e Conhecimento, que serão lançados na Feira do Livro de Brasília de nove a dezessete de outubro, pelo menos dois são de autores do Cariri.

Juanito e o monstro marinho, de Nezite Alencar, e O Beato Zé Lourenço e o Boi Mansinho, de José Normando Rodrigues, fazem parte dos primeiros cordéis enviados pela Academia dos Cordelistas do Crato e que foram selecionados, e estão abrindo as portas para os autores que enviaram seus trabalhos, e ainda a inclusão de ilustrações de Maércio Lopes Siqueira na obra Bezerra de Menezes - Guia de Luz, de Gonçalo Ferreira da Silva.

O trabalho de Josenir Lacerda foi de suma importância na realização desse projeto, mostrando o quanto é importante a sua visão pelo coletivo, sem preocupar-se em momento algum na inclusão da sua obra. Parabéns a Josenir pelo seu empenho e dedicação.

Elmano Rodrigues Pinheiro
Fonte: Blog do Crato

NOTA CARIRI CANGAÇO: Nos unimos a mais que oportuna homenagem atraves de seu artigo ao amigo Elmano e em nome do Cariri Cangaço abraçamos aos amigos da Academia de Cordelistas do Crato; minhas estimadas Josenir e Nezite, e aos amigos Normando e Maécio Lopes.
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Saudações Lusitanas Por:Geraldo Ferraz

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Regressando de fantástica viagem a nossa querida Portugal, envio-lhe notícias da nossa participação no Congresso da UMEAL/Lisboa. A União Brasileira de Escritores, Seccional de Pernambuco, em comemoração aos seus 52 anos de existência, através do seu vice-presidente, Geraldo Ferraz, e de alguns bravos ubeanos, esteve participando do VII Congresso Mundial de Médicos Escritores e Artistas Lusófonos - UMEAL, entre os dias 15 a 19 de Setembro de 2010, na cidade de Lisboa, Portugal.


Geraldo Ferraz com a prosa Viagem Histórica, Cultural e Sentimental, ao berço materno dos nossos antepassados , tendo como presidentes da mesa o Dr. Meraldo Zisman (Recife) e a Dra. Leonor Duarte de Almeida (Lisboa), levou aos irmãos portugueses a força do povo pernambucano e conclamou para que todos lutassem pela bandeira da União Pelas Letras.


Geraldo Ferraz fez doação de sua obra (Pernambuco no Tempo do Cangaço e Theophanes na Cavalaria) para a Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos – SOPEAM e para a União dos Médicos Escritores e Artistas Lusófonos – UMEAL, além de informativo da Polícia Militar de Pernambuco, nos seus 185 anos de fundação, revistas de turismo da Prefeitura do Recife (Recife te quer) e livros de freqüentadores do Programa Quartas às Quatro, como foi o caso de Luiz de Souza Leão (Brincando de Viver), História do Clube dos Oficias da PMPE e Bombeiros Militares, Antologia do Programa Quartas às Quatro e o Fim da Velhice. Carlos Graça (São Tomé), Noé Massango (Moçambique) e Filipe Matusso (Maputo), também receberam informativos sobre nossa região. Os cinco dias do congresso saciaram, com toda certeza, nossa fome por cultura, integrando, de forma fraterna, brasileiros, portugueses e africanos.


Aproveitando sua permanência em Portugal, Geraldo fez explanações sobre a UBE, seus programas - com ênfase ao Quarta às Quatro -, suas participações em outras entidades literárias (Academia de Letras e Artes de Gravatá - ALAG, Academia de Letras e Artes do Nordeste - ALANE, Sociedade Amiga da Briosa - SABRI, Centro de Estudos de História Municipal CEHM/CONDEPE-FIDEM, Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC), bem como, ofereceu sua obra e material informativo do nosso Estado, para Carlos Vieira Reis (médico do Exército português) – da SOPEAM, General Nelson Santos, comandante da Guarda Nacional Republicana (similar a nossa Polícia Militar), ao comando da Cavalaria Portuguesa, Biblioteca Municipal da Cidade do Porto e Biblioteca Nacional de Portugal.

Abraços do amigo
Geraldo Ferraz
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