A Tragédia Guaribas de Chico Chicote, Parte III


Napoleão Tavares Neves e Manoel Severo, em Guaribas

A manhã daquele primeiro de fevereiro de 27, avançava nas Guaribas. A força comandada pelo tenente José Gonçalves Bezerra, após o assassinato do grupo de Antônio Gomes Granjeiro em Salvaterra e Antônio Marrocos no terreiro de Chico Chicote, iniciava um dos mais terríveis cercos da história do cangaço.

De dentro de casa, acompanhado apenas pela esposa, Dona Geracina, da filha Josefa, do filho Vicente Inácio, e os cabras Sebastião Cancão e Mané Caipora; Chico Chicote numa das resistências mais célebres do sertão, sustenta uma verdadeira chuva de bala de seus oponentes, que mantinham Guaribas quase que totalmente cercada.

O tenente Zé Bezerra ordena avançar e antes mesmo que o corneteiro Louro pudesse fazer soar o instrumento, foi mortalmente atingido por um balaço vindo da arma de Sebastião Cancão. A fuzilaria se fazia ouvir por todos os recantos daquele sovaco de serra; Lampião estacionado a poucas léguas dali, no local chamado Malhada Funda, na serra do Araripe, ouviu o combate, mas não daria retaguarda a um inimigo confesso: Chico Chicote.

A refrega continuava feroz, de dentro da casa a reação dos sitiados era impressionante, chegando a dá a impressão que havia um verdadeiro exercito na defesa; dona Geracina e a filha Josefa se desdobravam na refrigeração e carregamento das armas; do lado de fora, dois moradores de Chico Chicote, Zé Francisco e Fiapo; chegavam e davam uma retaguarda, atacando a força volante pelos flancos e conseguindo algumas baixas na tropa de Zé Bezerra.


O que restou da Casa Grande de Chico Chicote

Na vila de Porteiras a repercussão do cerco a Guaribas já havia chegado. Os muitos amigos de Chico Chicote se organizaram para auxiliar na defesa do lugar, achavam que o mesmo estava sendo atacado por Lampião e seus homens e partiram para as Guaribas para atacar o cangaceiro. Eram dez horas da manhã quando o grupo partiu de Porteiras, entre os cerca de 50 homens sob o comando do cabo Cesário,dentre esses, um grande amigo de Chico Chicote, Antônio da Piçarra.

O grupo de Porteiras sustentava o fogo na defesa de Chico Chicote, pelas quatro da tarde o fogo recuou um pouco e Antônio da Piçarra chamou Chico Chicote para romper o cerco e vir se refugiar ao lado da tropa, no que foi rechaçado pelo sitiado, ele ficaria ali até a morte.

Uma hora depois, outro componente do plano , se evidenciaria. Chegava no campo de batalha a volante pernambucana de Arlindo Rocha e  a volante paraibana do tenente João Costa; a esses se somavam homens do poderoso Zé Pereira (foto ao lado), comandados por Sinhô Salviano, terrível inimigo de Chico Chicote e protegido do coronel de Princesa.

Com a chegada do reforço das volantes o fogo intensificou, já eram mais de 10 horas de combate ferrenho, àquele momento o grupo de Porteiras percebeu que combatia forças policiais e não o bando de Lampião, supostamente atacante das Guaribas; ali, o grupo recuou e acabou deixando Chico Chicote entregue a seu próprio destino.

Continua...

NOTA CARIRI CANGAÇO: Esta é a terceira e penúltima parte da postagem sobre a tragédia de Guaribas; fonte de pesquisa: Revista Itaytera, nº16; cordel "A Tragédia de Guaribas" de Maria do Rosário e entrevista com o memorialista Napoleão Tavares Neves.

12 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Manoel Severo,

Ainda não tenho a satisfação de conhecê-lo pessoalmente, mas os ecos do seu profícuo trabalho já se espalham ao longo de todas as terras ressequidas e viçosas deste Nordese imenso e querido.

Agradeço a sua valiosa atenção em mandar-me estes ensaios sobre o próximo Cariri Cangaço, no qual, SE DEUS QUISER, estarei presente.

O nosso amigo FRANCISCO PEREIRA DE LIMA tem me estimulado a conhecê-lo e, principalmente, a participar deste evento.

Com certeza,em breve havemos de nos encontrar.

No mais, prontifico-me ao inteiro dispor do amgo.

abraços,

Bismarck Martins de Oliveira

Yuri Luna disse...

Severo e Dr. Napoleão, parabéns pela postagem maravilhosa, eu particularmente não sabia desse combate de Guaribas, nunca havia ouvido falar em Chico Chicote, que coisa!E tudo isso aí na Serra do Araripe no Ceará ?!!!

Abraços e visitar o blog passou a ser obrigação.

Yuri.

IVANILDO SILVEIRA disse...

AMIGO SEVERO E DR. NAPOLEÃO:

Parabéns pela postagem desse magnífico tópico, que é pouco conhecido na literatura cangaceirística, mas que, agora, está vindo á lume.
O combate de Guaribas/Chico Chicote deve ser considerado, como um dos maiores atos de "COVARDIA" e brutal assassinato de pessoas, patrocinado por elementos do Governo. A desproporção de "forças" entre as parte envolvidas, é imensurável, mas a bravura de CHICO CHICOTE foi fenomenal, e deve ser "lida" e "relida" sua história, para ficar para a posterioridade.

Um abraço, e, parabéns pelo sucesso do BLOG, que a cada dia, é objeto de leitura obrigatória pelos amantes da cultura nordestina, e, especialmente, pelo cangaço.

IVANILDO SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Natal/RN

Anônimo disse...

Severo, perfeita a observação de Ivanildo Silveira, o massacre de Guaribas, pouco conhecido pela maioria de nós, foi um dos atos mais bárbaros cometidos pelas forças "oficiais" e que por muito tempo esteve encoberta.

Saudações aos amigos do blog

Ricardo Lima

Marcos Assunção disse...

Essa história de Guaribas com suas repercurssões foram poucamente divulgadas, é importante manter este veículo de divulgação do cangaço, só assim podemos manter vivo a verdade histórica.

Severo, você coloca como fonte de pesquisa a revista Itaytera, me dê notícias de Lindemberg, ainda é o editor da espetacular revista?

Ainda temos a revista sendo mantida, o amigo teria o contato de telefone ou email? Lhe fico grato. Abraços.

Assunção.

Anônimo disse...

uma historia realmente marcante que deverá com certeza ficar na memória de cada um e principalmente do nordestinos que tem o previlégio de andar sobre essas terras...

Manoel Severo disse...

Caro Assunção,

Lindemberg de Aquino,esse grande ícone da cultura do cariri se encontra morando em Crato, infelizmente por problemas de saude não está mais na ativa e com isso penso que comprometeu o seguimento da revista Itaytera, dessa forma estimamos que o mesmo possa recupear a saude.

Com relação a números antigos da revista, penso que ainda vamos encontrar em Sebos ou se não no ICC de Crato.

Abraço aos amigos Ivanildo Silveira, Yuri, Bismark e Ricardo.

Manoel Severo - Cariri Cangaço

Taty Munhon disse...

Ah gostaria de dizer tambem, dos seis filhos deixados pelo meu bisavô, Antonio Marrocos, tem ainda dois vivos. Antonio Marrocos Filho que mora hoje em Brasilia e Natércia Piancó Marrocos, que mora aqui em São Paulo.

Taty Munhon disse...

Gostaria tambem de saber sobre parentes que ficaram ai, pois nao temos aqui em São Paulo, nenhuma noticias, seria interessante fazer um encontro com os filhos de Antonio Marrocos com familiares que ficaram no Ceará, que por sinal nessa nossa geração ninguem foi para o nordeste.

Anônimo disse...

Gostaria de salientar que faltou você citar uma das filhas de Chico Chicote, Adelina que graças a Deus ainda está viva. Josefa era minha avó materna.

Reginaldo mello Silva disse...

Meu avo zuza miguel mais conhecido como jose miguel da silva fez parte da historia de chico chicote meu pai seria o filho mais novo meu avo era um dos melhores amigos de chico chicote

Reginaldo mello Silva disse...

Meu avo tanbem fazia parte de grupo de chico chicote era um dos melhores amigos dele quando mataram chico ele fugiu ra saonpaulo onmome dele era zuza miguel ou jose miguel da silva