De Homem da Lei a Cangaceiro Por: Rostand Medeiros

.
Manoel Severo e Rostand Medeiros

Um pouco de Clementino Quelé, a partir de uma entrevista do sertanejo Antônio Ramos a Rostand Medeiros, que ainda faz citações a partir da obra de Frederico Pernambucano de Mello... 
.
O bravo Quelé alcançou o posto de subdelegado do seu lugar e impunha a ordem, mas igualmente angariava inimigos. O autor informa que em uma diligência Quelé matou dois ladrões de cavalo, respondeu processo e foi destituído do cargo. Em seu lugar assumiu seu irmão Pedro José Furtado, ou Pedro Quelé. .

Em 1922, para livrar o valente chefe da família Furtado do processo, o líder político Aprígio Higino D’Assunção solicita deste e de seus irmãos votos na próxima campanha eleitoral em Triunfo. Diante da recusa de Quelé em apoiá-lo, Aprígio ordena que uma força policial com um oficial e quatorze praças saíssem à caça do valente.
.
Na tranquilidade do alpendre de sua casa, o sertanejo Antônio Ramos contou que um dia, certo morador do lugar chamado Tomé Guerra, antigo amigo de Quelé, arranjou uma encrenca com o mesmo e entendeu de matá-lo. Tomé chamou outro morador do lugar, também “chegado na espingarda”, de nome Cícero Fonseca. Estes, juntos com um grupo de policiais, colocaram uma tocaia contra Clementino ás cinco da manhã, “-Para pegá-lo com as mãos”.
.
Quelé ao perceber o ardil, pulou desviando dos tiros e respondeu ao fogo, atingindo certeiramente a cabeça de Cícero Fonseca, tendo o mesmo caído mortalmente ferido em um barreiro. Os outros membros da emboscada “botaram” em Quelé, que conseguiu fugir para sua casa. Clementino teria escapado através de um local onde havia um curral que pertencia a um cidadão conhecido como Sebastião Pedreiro e por uma área onde existia certa quantidade de cactos do tipo palma, utilizados como comida para o gado. 


Major Aprígio Higino

Mello (op. cit.) aponta que um “certo Tomé de Souza Guerra”, do sítio Santana e outros homens engrossaram a força policial que perseguia Quelé. Mas Cícero Fonseca era um companheiro de Quelé, onde os dois bebiam na bodega de Sebastião Pedreiro, quando a polícia cercou o lugar e deu voz de prisão. Na versão do respeitado pesquisador, que conseguiu suas informações através do relato de Miguel Feitosa, o antigo cangaceiro Medalha, o pobre Cícero ao colocar o pé para fora da bodega foi crivado de balas. Vendo que a força policial e os paisanos não vinham para prendê-lo, mas para exterminá-lo, Quelé solicita aos gritos o apoio de amigos das proximidades, estes atenderam ao chamado e a balaceira foi grande. Diante da resistência inesperada a força policial e os paisanos batem em retirada.

Independente de qual a versão correta, todos são unânimes em afirmar que a partir deste confronto os perseguidores passam a “apertar” Quelé, sendo esta a verdadeira razão para ele e seus irmãos entrarem no cangaço junto a Lampião. 

continua...
Rostand Medeiros
FONTE: http://santacruzbaixaverde.blogspot.com/
.

5 comentários:

ENGENHEIRO GMARLON disse...

Amigo Severo, Clementino Quelé é um dos personagens mais controiversos da historia do cangaço; esteve nos dois lados; alias , pelas continigencias de sua vida, acabou estando em todos os lados, era tido como um dos mais valentes perseguidores de Lampi~çao, sua volante era mais temida que os proprios cangaceiros. Valeu pela postagem do Rostand.

Marlon

Dalinha Catunda disse...

Olá Manoel Severo,
Já virou mania passar aqui para aprender sempre mais um pouco sobre cangaço.
Mais uma vez parabéns por disponibilizar este vasto material que faz parte da cultura nordestina.
Um abraço,
Dalinha

Demetrius Calvin disse...

Qual a real ligação com o cel. Zé Pereira de Princesa, ele relamente foi peitado pelo coronel para trzaer a cabeça de Lampião, depois do episodio da invasão a Sousa?

Abraços

Demetrius Calvin

CARIRI CANGAÇO disse...

Querida Dalinha, nós é que nos sentimos felizes e honrados com sua qualificada visita, abraços em Rosario.

Severo

CARIRI CANGAÇO disse...

Grande Marlon, gostei do "esteve em todos os lados", rsrs, realmente Quelé se notabilizou pela selvageria com que combateu os bandos cangaceiros e sua volante sim, era uma das mais temidas do sertão, e sobre Rostand, é um espetacular pesquisador e um excelente ewscritor, daí o maravilhoso texto. Abraços ao Demetrius.

Severo