O fascínio do Angico Por:Alcino Alves Costa

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Decano Alcino Costa entre, José Cícero e Bosco André; no Angico

Os vaqueiros da história que participaram do magno evento de Paulo Afonso, na Bahia, comemorando os 100 anos de Maria Bonita, no dia 24 de março se deslocaram das terras pauloafonsinas e foram realizar conferências em Piranhas, nas Alagoas e Canindé de São Francisco, em Sergipe.Como não poderia deixar de ser, vencidos pelo fascínio da Grota de Angico, a caravana foi até o lendário riacho onde Lampião, Maria Bonita e nove de seus companheiros perderam as vidas e, também o soldado Adrião.

Um dos componentes da caravana era o nosso querido confrade Dr. Leandro Cardoso, que carrega em sua bagagem de profundo e zeloso conhecedor da história do cangaço e de Lampião, a sua sincera e louvável maneira de pensar em relação aos acontecimentos daquele dia 28 de julho de 1938. Assim que chegou à grota, o Dr. Leandro cuidou em convidar Jairo Luís para tirar uma dúvida que desde muito se instalara em sua cabeça. Conhecer a distância entre o Poço do Tamanduá e a barraca de Lampião. Foi naquele poço que Abdom deu o primeiro tiro, disparado no cangaceiro Amoroso quando o mesmo estava apanhando água. Após o percurso, o nosso querido rastejador me disse que a distância está em torno de 50 metros.



Pois bem! Todos sabem que eu vivo a lutar contra as mentiras e os mistérios de Angico. Mentiras e mistérios que muitos de nossos historiadores e pesquisadores se aborrecem e ficam com vontade de vomitar quando se fala e se repete este assunto chato e sem nenhuma serventia para muitos – assim eles pensam. Mas, este entrançado da história é minha paixão. Relevante motivo que me deixa triste em aborrecer todos vocês, meus queridos companheiros, pessoas que eu tanto estimo, considero e respeito, porém o que hei de fazer, pois sou um pobre ser humano dominado por essa obsessiva vontade.

Não quero com isto criticar ou muito menos menosprezar o brilhante trabalho e profundo conhecimento desses nossos vaqueiros da história. Acho uma maravilha cada um desses confrades terem a sua própria análise, a sua própria percepção disto ou daquilo que defende. Triste dessa linda e comovente história se não fosse as discordâncias, as controvérsias, as diversas e infindáveis versões, os pontos de vista diferentes, a visão e opinião de cada um. Se assim não fosse e se tudo ocorresse na base do AMÉM, a história seria murcha e não despertaria interesse de ninguém. O que me deixa desgostoso é quando esse ou aquele, para justificar a sua opinião, procura denegrir o conhecimento de seus colegas, companheiros e amigos.

Todos sabem que eu sou a “ponta de lança” que discorda de quase tudo ou mesmo tudo que se registrou sobre os acontecimentos de Angico. Mas, meus amigos, nesta postagem eu irei descobrir um segredo. Acreditem se quiser. Eu nunca discordei de nada que aconteceu nem antes e nem no instante do cerco de Angico. Vocês querem saber quem discordou? Vejam se eu tenho ou não razão. Quem discordou de tudo que se diz e que se fala da Grota de Angico foram os que estavam lá, foram os que viveram de corpo presente aquele especial momento e dia da vida sertaneja.
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Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo, O Decano!

CONTINUA...
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5 comentários:

Juliana Ischiara disse...

“Procurar a verdade é fácil,
difícil é aceitá-la”

Todos nós sabemos que a história oficial sempre foi contada sob a ótica dos vencedores, em detrimento dos vencidos, porém, ter a coragem de discordar do que está posto e oficializado é bem mais complicado do que parece.
Sente-se receio de ser ridicularizado e criticado ou mesmo ser tido como reacionário e tolo, dentre muitos outros adjetivos deselegantes.

Aceitar uma opinião contraria nem sempre é uma tarefa fácil, aceitar uma teoria contrária a todas já sedimentadas, ai sim o coisa fica ainda mais delicada. Quantos cientistas sociais foram duramente criticados por discordarem de fatos racionalmente impossíveis de terem ocorrido? Muitos. Quantas obras maravilhosas foram ridicularizadas quando de seus lançamentos só porque trazia impresso uma teoria diferente da já aceita? Muitas. Quantos pesquisadores desistiram de continuar suas pesquisas por terem sido levianamente criticados? Vários...

Pesquisar não é uma tarefa fácil, ser um pesquisador sério e comprometido com a verdade, independente da enxurrada de criticas severas com a qual será recebido seu trabalho é mais difícil ainda. Pesquisar fenômenos como cangaço, messianismo e coronelismo é praticamente dizer que o pesquisador está procurando uma dor de cabeça grande, uma surra de urtiga, pois depois de expor seus trabalhos, ele estará na berlinda e nem sempre seus próprios colegas, amigos e ou confrades vão estar lá para lhe apoiar.

Abraçar, parabenizar, apoiar um trabalho que trás uma opinião unânime é fácil, difícil é fazer o mesmo quando este mesmo trabalho é contrário a tudo que já se falou sobre o mesmo tema. O comum é se afastar para que não respingue em você as criticas que seu amigo autor da obra irá receber.

Nem todos são capazes ou estão preparados para repetir a celebre frase do filosofo Voltaire, quando disse: “Eu posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”.

Meus queridos amigos e confrades, adjetivos como amizade, lealdade, fidalguia e respeito estão cada vez mais difíceis de serem usados com sinceridade.

Perdoe-me se aproveito o artigo de meu mestre e pai, para fazer este desabafo, mas já estou cansada de criticas levianas, descabidas, deselegante e desrespeitosas aos trabalhos publicados, aos autores, colecionadores, cinegrafistas, cineastas, pesquisadores, estudiosos ou mesmo curioso. Critica é salutar e bem vinda desde que seja com o intuído de acrescentar, melhorar, somar, jamais com a intenção de desmerecer, denegrir e ofender. Vamos respeitar e analisar os trabalhos de forma racional e respeitosa.

Meu querido mestre, parabéns pelo artigo, como sempre, excelente. Além de merecer todos os créditos por parte dos pesquisadores.

Saudações cangaceiras

Juliana Ischiara
Pesquisadora, sócia da SBEC e membro da família Cariri Cangaço.

José Mendes Pereira disse...

É um excelente texto sobre as discordâncias de um ou de outro.

O tema cangaço tem que ser mesmo discutido, não por mim que não andei por aquelas terras e caatingas, mas pelos senhores que conhecem bem os cerrados, as caatingas, o Rio São Francisco, os coitos, as mortes, a chacina...

O tema cangaço não pode ser montado através da amizade, e sim, pelas opiniões de cada um, pelos debates, e chegar a uma conclusão.

O tema cangaço, todos pesquisadores são donos de uma peça do xadrez, e aos poucos irão chegando e colocando a sua peça no devido lugar.

Parabéns ao caipira do Poço Redondo, Alcindo Alves da Costa, pelo seu excelente texto.

José Mendes Pereira - Mossoró-RN.

Lima Verde disse...

Temos dois Angico: Um elucidado, feito, acabado. Outro, aberto, cheio de indagações e lacunas.

Mesmo sem ser um pesquisador ou escritor, apenas um curioso dedicado, tenho visto por todos os blogs que visito que o debate tem sido muito salutar, e isso é muito importante, desde que se faça sob o manto do respeito e da civilidade.

O texto do senhor Alcino e os comentários de Juliana e de José Mendes, provam isso. Parabens, vamos em frente.

Fernando C L Verde

Urbano Reis disse...

Seu Alcino eu não o conheço, mas possuo um de seu livros, Lampiao alem da versõ. Tenho pelo senhor um grande respeito e concordo com suas indagações. parabens.

parabens também ao artigo da escritora Juliana e do José Mendes Pereira de Mossoró.

Saudações

URBANO

Anônimo disse...

Sensacional o nível do blog, vcs tão de parabens.

Henrique Saldanha
Cajazeiras