Lembranças da Fazenda de Audálio Tenório Por:Taciana Valença



Audálio Tenório ao centro, Gerson Maranhão à nossa direita.

Algumas lembranças nos marcam, de alguma forma, para sempre.Hoje, tomando café e olhando a chuva que caía batendo nas folhas da árvore, sem querer, me transportei para aquela fazenda, que tanto marcou a minha infância.Quando meu pai dizia: "- Vamos pra fazenda de Audálio", eu sentia uma mistura de fascínio e medo (sempre gostei de sentir esses dois sentimentos juntos...). O coração pulava, meus olhos brilhavam e a mistura das emoções me excitava.

O dia era sempre maravilhoso. Colocar as botas, andar à cavalo, ouvir as conversas dos adultos no terraço... O dia era só de sorrisos... Mas à noite o "bicho" pegava. Era à noite que todas as histórias ouvidas por Audálio e por seus empregados me vinham à mente. As histórias de Lampião, Maria Bonita e seu bando (coiteiro de Virgulino, o que não faltavam na fazenda do coronel eram as histórias de seu bando).

Lembro de uma noite que em mim ficou marcada como a"noite do terror". Estávamos todos no terraço do casarão, esperando meu pai e Audálio que tinham saído a cavalo. Minha mãe preocupada porque chovia muito e eles demoravam. Um dos empregados ficou comigo e minha irmã num canto do terraço, contando as histórias que me amedrontavam, mas que minha curiosidade pedia sempre mais. A chuva, a preocupação com meu pai e o medo que eu sentia imaginando as histórias do bando (que nem existia mais, óbvio, mas que o medo mantinha vivo em mim), faziam com que eu sentisse uma sensação estranha, que marcou minha infância.



Imagens da Fazenda Nova, de Audálio Tenório em Aguas Belas-PE

Enfim eles chegaram, ensopados de chuva. Meu pai e Audálio sorriram quando viram todos reunidos no terraço esperando. Mal sabiam eles dos finais trágicos que haviam passado na minha fértil imaginação. Já estava me sentindo órfã de pai (rs).

Hoje, ao contar esse episódio aos meus filhos, procurei, por curiosidade, por Audálio Tenório no Google. Para minha surpresa, descobri o Blog Cariri Cangaço, de Manoel Severo, que fala sobre ele. Deu arrepio ao olhar a foto da Fazenda Nova. Está exatamente como eu me lembrava... Isso me fez reviver ainda mais àquela época. Deu saudade dos meus tão infantis e ingênuos medos, assim como do meu pai e do grande amigo, Coronel Audálio Tenório de Albuquerque.

Taciana Valença
Fonte:tacianavalenca.blogspot.com

9 comentários:

Anônimo disse...

Sou de Limoeiro do Norte, aqui no Ceará. Gostaria de parabenizar pelo blog, muito bem feito.

Diria que temos muitas histórias como essa de Taciana envolvendo remanescentes desse período do ciclo do cangaço. Aqui mesmo no Vale do Jaguaribe, na visinha cidade de Tabuleiro do Norte, temos um grande pesquisador do cangaço, professor Cicinato que em muito poderia agregar a este blog do cariri cangaço.

Obrigada

Geórgia Lima - L Norte

rose disse...

Ola ticiana meu vo conta varias historias do cangaco ele fala que o pai vivia com o bando de lampiao ele passou a infancia na fazenda nova e diz que o pai quase nem ficava muito com a familia por esse motivo

Zé Roberto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Zé Roberto disse...

É emocionante ouvir essas histórias,principalmente para mim,que nascí na FAZENDA NOVA,meu avô Manoel Borge,era o administrador e homem de confiança de Dr Audálio.
Parabens pelo BLOG.

Anônimo disse...

Que maravilha,nasci em fazenda nova na caragem da fazenda meu pai era José garanhuns empregado da fazenda e homem de confiança de Dr. Audalio. Ho je mora na Paraiba e me deparei com esta maravolha.

francisco disse...

Muito bom mesmo este blog,movido pela mesma curiosidade de Taciana.Pois o nome Dr.Audálio Tenório de Albuquerque Cavalcanti,é sinônimo de autoridade e altivêz ai em Águas Belas e em muitas regiões do nosso nordeste brasileiro.tanto na política como na área fazendeira nordestina.sou parente minha avó é Joana leite Cavalcanti,prima de Dr. Audálio,meu avô é Afonso machado,são compadres de Dr. Audálio pois o mesmo é padrinho da minha mãe,e eu cresci ouvindo mamãe falar das façanhas do seu ilustre Padrinho Dr.Audálio Tenório de Albuquerque Cavalcanti.UM ABRAÇO PARA TODOS DA ILUSTRE FAMILIA ALBUQUERQUE CAVALCANTI E TAMBÉM PARA OS CRIADORES DESTE BLOG MARAVILHOSO!!ASSINA:FRANCISCO ALVES DE MELO. FK TODOS COM DEUS.

CARIRI CANGAÇO disse...

A Satisfação é toda nossa amigo Francisco, nos sentimos honrados por tê-lo dentre nossos leitores. Grande abraço.

Manoel Severo

francisco disse...

Ok!!! estimado Manuel Severo,estou muito feliz em encontrar,neste mundo virtual chamado internet,um blog assim como esse. Que tem como prioridade investigar, buscar, tudo aquilo que o vento levou e estavam guardados em um grande baú que chamasse passado.Fatos alegres,tristes,bons ruins,enfim,aconteceram e não devem ficarem no esquecimento.Como por exemplo a história de Lampião,dos grandes coronéis, como Delmiro Gouveia em Alagoas, e o inesquecível dr.Audálio Tenório em Aguas belas e região.pode contar comigo caro amigo Manoel pois sou um eterno apaixonado por essas coisas do nosso nordeste brasileiro. moro a muito tempo em São Paulo na baixada Santista,em guarujá.Mais não me esqueço de priorizar o meu nordeste amado, pois foi e será sempre, minha terra natal que amo tanto, com toda sua cultura e historias recheadas de aventuras. fk com Deus meu amigo Manoel Severo um grande abraço para voçê, e toda sua equipe.!!!!!

Anônimo disse...

Taciana, conheci a fazenda do Dr. Audálio Tenório....Ele era compadre de meu avô, Cor. Zé Pinto de Brejão...Meu pai, Milton Tenório Pinto trabalhou na fazenda do filho de Gerson Maranhaõ, Dr.Paulo, no Angico, Águas Belas..E sempre que viajava com meu pai, tive o prazer de conhecer a fazenda e o Dr. Audálio..Me lembro de uma mesa de jantar de madeira de lei bem comprida, nunca vi igual..Dr. Audálioera uma conversa mansa,bem tranquilo....Nunca esqueci desse dia..Na entrada da fazenda os vaqueiros chegaram logo para saber o se tratava, com revolver na cintura...
Bela iniciativa a sua...Fico feliz.Está om de vc escrever um livro contando a história desses figuras...
Abraço(permita-me),
Milton Tenorio Pinto Junior