Criador e Criatura Por:Carlos Elydio

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Carlos Elydio

Precisou o tempo passar para que pudesse, na minha cabeça, assentar um pouco as idéias sobre este nosso último encontro. Não há como negar... O Cariri Cangaço realmente, neste segundo encontro, consagrou-se como o maior evento ligado aos estudos sobre o cangaceirismo. Agora, ampliando com as abordagens de outras temáticas que fazem com o cangaço suas interfaces, tais como o coronelismo e os beatos. Eram temas citados pelos estudiosos, mas que ganharam destaque e pertinência nas mesas apresentadas. E, tal como é na natureza, a criação traz as mesmas características do criador.

Manoel Severo e Danielle, sua esposa, nos mostraram a que vieram. Suas atuações como anfitriões, novamente, mostraram-se impecáveis. Os poucos contratempos que ocorreram, para quem trabalha com grandes equipes, com muitas cabeças e muitos egos, são para lá de compreensíveis. E, ouso dizer, mínimos em vista do vulto da empreitada. Minimos, inclusive, por que os próprios anfitriões trataram de os deixar.

Um evento agregador em todos os sentidos. Unindo uma região, os estudiosos, os temas e as personalidades tão diversas. Assim percebi a segunda edição do evento. Que deixou em mim a impressão clara de se tratar d'uma destas oportunidades raras dos felizes encontros que nos deixam verdadeiras saudades. Isto para não falar dos amigos reencontrados, que ficam em nossa memória como luzes de afeição.

Antônio Amaury autografa seu último trabalho,feito ao lado do filho, Carlos Elydio

As diferentes perspectivas abordadas só tem ganhado força e contribuído para a ampliação do entendimento em relação à temática. Haja vista a presença de debatedores ligados às forças-armadas que nos trazem seu olhar e sua forma de pensar para tal. Pessoas, aliás, que passam a merecer nosso maior respeito nesta construção de um novo patamar de saber. A agregação promovida (e ainda se percebe, há muito o que fazer neste norte), já trazia em sua origem o desejo de unir, também, o universo acadêmico ao apaixonado, daqueles pesquisadores que, muito mais por afetos, embrenharam-se por estas searas da historiografia.

As visitas técnicas, como da outra vez, mostraram a importância para os pesquisadores (alguns consagrados) que adentraram em alguns cenários de antigas questões pela primeira vez (um presente para os neófitos), auxiliando a esclarecer e a suscitar novas questões sobre os fatos ali ocorridos. A região é fertil e contribui, em muito, com sítios históricos. Tamanha riqueza de localidades interessantes só ganha força com a presença solicita hospitaleira do povo da região. Não há superlativos suficientes para tais experiências. A nós, participantes do II Cariri Cangaço, só nos resta agradecer a oportunidade.

Oportunidade de conhecer melhor a nós mesmos pelas linhas da história, enriquecendo nossa humanidade e brasilidade, e oportunidade de conhecer um pouco mais deste ilustre casal que vai a frente deste evento, nos dando uma bela e saudável lição de como aproveitar melhor o tempo nesta nossa passagem por aqui.

Carlos Elydio Araujo
São Paulo - SP

7 comentários:

Anônimo disse...

PROFESSOS CARLOS ELYDIO, PARABENS PELA LUCIDEZ E BELEZA DE SUA MATÉRIA.REALIZAR INICIATIVAS COMO ESSA DO CARIRI CANGAÇO EXIGE MUITO ESFORÇO E ESSE JOVEM E TALENTOSO CASAL TEM SE DESDOBRADO BASTANTE PARA REALIZÁ-LO. O NOSSO RECONHECIMENTO AO TRABALHO DE MANOEL SEVERO E DANIELLE É O MINIMO DIANTE DE TANTA COMPETENCIA.

RICARDO LIMA VERDE

Juliana Ischiara disse...

Carlos.

O texto está maravilhoso. Só não me surpreendi porque já sabia de seu talento. Meu querido amigo não há dúvida alguma quanto ao caminho a ser seguido no que diz respeito à continuidade destes seus primeiros passos. O livro ficou excelente, seus textos falam por si só. Em sendo assim, parabéns!

A genética é mesmo surpreendente, sempre haverá muito em comum entre criador e criatura.

Um grande abraço.

Juliana Ischiara

Yuri Luna disse...

Prezado Carlos, concordo plenamente com sua colocações, principalmente no que diz respeito das diferentes perspectivas abordadas; coroneis e ainda beatos,ganhando força e ampliando o nosso entendimento global, realmente o CC2010 foi marcante.

Parabens pelo livro lançado juntamente com o senhor seu pai, Antonio Amaury.

YURI

ADERBAL NOGUEIRA disse...

SE o amigo Carlos não entrasse de vez no mundo do cangaço, todos nós perderíamos a brilhante oportunidade de conhecer essa história contada por um outro prisma. Parabéns, Carlos! Faça jus à hereditariedade, SE é que me faço entender. Valeu mesmo; você é um cara decente.

ADERBAL NOGUEIRA

Anônimo disse...

Prezado senhor Carlos Elydio, suas afirmações ganham peso duplo por se tratar de um filho do grande Amaury Correa de Araujo, gostaria de parabenizá-lo pelas palavras abalizadas e sem dúvidas, cheias de verdade. Parabéns.

Gregório Liberato
CRATO Ceara

Gilmar Teixeira disse...

Carlos foi uma dádiva dos deuses conhecê-lo pessoalmente,figura humana maravilhosa,do bem,assim como seu pai,buda paulista,de quem tenho o maior apreço,cara a muito queria falar de um projeto de um livro em parceria com vc e seu pai,na qual vc faria o perfi psicológico do personagem e eu faria aparte documental e seu pai o histórico do personagem,seria o melhor livro já feito a respeito do cangaço,já fiz o mesmo como adaptado para o cinema,será um marco na hisória do cangaço,pois este personagem nunca foi estudado e ao mesmo tempo está presente em toda a história da saga lampiônica,entre em contato,gilmar.ts@hotmail.com

Marcos Assunção disse...

Caro Carlos, muito boa a sua matéria, refletindo de forma clara e verdadeira a real feição do cariri cangaço. Quem veio às duas edições 2009 e agora 2010, sabe do esforço que Manoel e Danielle desprendem para proporcionar esses momentos de união e integração da família cangaceira.Um casal de muito valor.

Marcos Assunção