SESC Crato e o Cariri Cangaço promovem Lançamentos de Obras

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JORNAL DIÁRIO DO NORDESTE
EDIÇÃO DE 21.08.2010
CADERNO REGIONAL
Juazeiro do Norte. A saga da tipografia que se tornou a maior produtora de livretos de cordel do País, a Lira Nordestina, é contada pela professora e pesquisadora, Rosilene Alves de Melo, que lançou livro recentemente na região. O trabalho entrou no rol de lançamentos também do evento "Cariri Cangaço", realizado em várias cidades da região. Junto, houve a apresentação e lançamentos dos livros "Pacto dos Coronéis", da escritora Vilma Maciel, e "Guaribas", do pesquisador Mano Grangeiro, organizador, e da poetisa Rosário Lustosa.


Mano Grangeiro, Rosário Lustosa, Rosilene e Vilma Maciel na tarde de lançamentos do Cariri Cangaço no SESC Crato, uma promoção em parceria com o ICVC - Instituto Cultural do Vale Caririense

"Arcanos do Verso: trajetórias da literatura de cordel" traz um apanhado sobre a antiga Tipografia São Francisco, hoje Lira Nordestina, de 1926 a 1982, ano em que a editora encerrou suas atividades, ao vender seus equipamentos e acervo literário para o Governo do Estado. A autora narra os seus primeiros momentos ao chegar em Juazeiro, o encantamento. O auge, a resistência e a importância da gráfica dentro de um contexto histórico e literário. A "casa das palavras", como bem traduz o jornalista Gilmar de Carvalho, que teve à frente por longos e áureos anos, o seu criador, José Bernardo da Silva, chegou a produção de 50 mil cordéis por semana, para atender a demanda do público voraz consumidor das informações simplesmente poetizadas e gravadas pelos artesãos da poesia popular. Isso ocorreu na década de 50. Segundo Rosilene, isso significou a interiorização da indústria artesanal de folhetos com a revelação de Juazeiro como polo dessa produção, centralizada desde as primeiras décadas do século XX em Recife. Para ela, o sucesso do comércio da literatura de cordel serviu de estímulo para instalação de tipografias especializadas, um negócio que passou a ser lucrativo. E junto com esse trabalho, veio a participação dos grandes xilógrafos, com obras de relevância cultural. A escritora destaca nove anos de pesquisa num trabalho que recebeu importantes premiações, como o Prêmio Sílvio Romero, como melhor monografia sobre cultura tradicional popular no âmbito nacional. Para Gilmar de Carvalho, fez com que se gerasse uma expectativa na publicação do trabalho. Para ele, o livro consegue quebrar a barreira do ineditismo.

Mano Grangeiro, Danielle e Ingrid

Rosário Lustosa e Manoel Severo

Vima Maciel e Ivanildo Silveira

Já "Pacto dos Coronéis" e "Guaribas" trazem momentos da história do Cariri em que entra a rota do cangaceirismo e coronelismo no sertão. O professor Daniel Walker, apresentador da obra de Vilma, destaca a importância do médico Floro Bartholomeu, braço direito do Padre Cícero, como idealizador do processo. No livreto "Guaribas", pela primeira vez traz narrativa em versos da tragédia.

Rosilene Alves de Melo
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Um comentário:

Marcos Assunção disse...

Amigos, este episódio das Gauribas foi extremamente importante para compreender as nuances das "ligações perigosas" entre elites, cangaceiros, poder e dinheiro; por favor nos informem como ter acesso ao livro "Guaribas" lançado no Cariri Cangaço pelo escritores Mano e Lustosa.

Assunção