Por respeito a uma Grande Família...

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Uma das ferramentas mais democráticas e universais do mundo  contemporâneo, notadamente pelo alcançe, pelo próprio dinamismo de sua oferta e universalidade, é sem dúvidas o mundo digital, a rede mundial de computadores, as redes de relacionamento, enfim. O blog do Cariri Cangaço, nasceu com o objetivo de promover o evento capitaneado anualmente pela região do cariri cearense; entretanto para a nossa felicidade, essa humilde página do mundo digital, acabou se tornando uma revista eletrônica onde os amigos acabaram elegendo como uma espécie de ponto de encontro desta que passou a ser conhecida como a Família Cariri Cangaço. Assim estamos abertos a todos os pensamentos e manifestações, sempre preservando o respeito as diferenças e pluralidades.


Em respeito aos muitos amigos que fazem parte dessa família e que nos ajudam, dia a dia, a construir toda essa história; de um lado a outro do Brasil; decidi  postar uma mensagem que recebemos através do email direto do Cariri Cangaço: cariricangaco@hotmail.com ; datado do último dia 22 de setembro de 2010, de remetente identificado, mas que por razões éticas, e por meu juízo, se faz desnecessário declinar sua identidade, mas se torna importante refletir o teor de seu conteúdo. Dessa forma vamos ao email recebido pelo Cariri Cangaço e a respectiva resposta por nossa parte.


...Manoel Severo,
Tenho acompanhado os movimentos que acontecem em torno do festejado cariri cangaço. Como professor e amante da história do Brasil e em especial do nordeste; causa-me estranheza que em pleno século XXI, ainda se perceba tanta miopia conceitual em torno de um fenômeno que só trouxe flagelo ao nosso povo sertanejo. Pesquisadores e curiosos, travestidos de "historiadores e memorialistas" se perdem em emocionadas defesas ao grande mito que é Lampião e seus cangaceiros, fazendo transparecer a idéia de que se tratam de heróis do sertão; é lamentável que ainda hoje, pasmem! temos pessoas que se dizem inteligentes , se coloquem dessa forma diante de um fora da lei, um bandido "sem rei e sem lei"...

Num momento em que o Brasil, o nordeste e os municípios passam por tantas dificuldades, temos várias instituições se unindo para gastar dinheiro com um evento para "endeusar" o cangaço, é lamentável. Sugiro que esses "paladinos" da história nordestina, leiam o artigo do grande escritor cearense Lira Neto, no jornal Diário do Nordeste, acho que poderiam, se tivessem humildade, clarear um poucos as idéias tacanhas. Eventos de cunho histórico precisam ter compromisso com a verdade...Imaginem no futuro, eventos rememorando os "escadinhas" da vida e o tráfico de drogas.....


Prezado Senhor,

Uma de nossas principais preocupações no âmbito da construção do evento Cariri Cangaço, foi sem dúvidas, com muito zêlo e cuidado; apesar de nossas insuficiências; reunir condições, desde os mínimos detalhes da produção ao conjunto de temas e conferencistas, para proporcionarmos um evento de qualidade e responsabilidade, tanto para nossos conterâneos como para nossos visitantes. O conceito de evento de carater histórico-cultural e turístico nos permitiram a partir de um único momento, ter as várias óticas e conceitos sobre a temática, como também mostrar o que temos de melhor em nossa cultura, arte, folclore e turismo. A união de várias entidades e instituições sérias e de porte inegável, imprimiram ao Cariri Cangaço, para nossa satisfação, o aprovo de nossa comunidade, como um evento sério e responsável, já em sua segunda edição.

Gostaria de frisar que em momento algum, nem em projeto nem em desenvolvimento, o Cariri Cangaço foi pensado como um evento para "endeusar" este ou aquele fenômeno, este ou aquele personagem, de forma nenhuma; quando pensamos a criação desse fórum de discussões sobre a temática do cangaço e outras periféricas e ou transversais; como o coronelismo, o messianismo, enfim; tinhamos a real dimensão da importancia da iniciativa para a região, para os estudantes, para a comunidade acadêmica, para os segmentos que pensam e questionam a história, que defedem a investigação, que desejam o fortalecimento de nossas raízes e origens, enfim. Desconhecer esse fato, diria que aí sim, é lamentável. Comparar o estudo do fenômeno do cangaço ao tráfico de drogas, por exemplo, me parece fora de propósito e aqui sim, uma visão minimamente míope.

Tivemos, para o conhecimento do senhor, na primeira edição do Cariri Cangaço a presença de 79 personalidades do estudo e pesquisa de temas nordestinos, já neste 2010, conseguimos reunir 102 homens e mulheres, todos sérios e honrados, diferentes sim; em seus conceitos e em suas compreensões, mas com um sentimento comum, o respeito na busca da verdade e o amor pelas coisas de nosso nordeste. As divergências e as polêmicas em torno de todos os temas é algo extremamente salutar, disso não podemos abrir mão.

Tenho particularmente um grande respeito pelo escritor Lira Neto, li o artigo ao qual o senhor se refere e gostaria de dizer que apesar de compreender o conteúdo global de suas linhas, discordo frontalmente com a forma e com a generalização de algumas de suas colocações.

Dessa forma me coloco em nome dos muitos profissionais que fazem conosco o Cariri Cangaço, em nome dos estimados e respeitados amigos que dedicam suas vidas à construção da memória de nosso povo e convido ao senhor para vir conhecer de perto, em 2011, a natureza verdadeira desse empreendimento construido por muitas mãos.

Manoel Severo
Cariri Cangaço 

Ainda não recebi a replica do referido senhor, nem através do email do cariri cangaço nem através de meu email pessoal, de qualquer forma, o convite está de pé: Venha conhecer de perto o Cariri Cangaço, de quebra, conhecer uma terra bela e acolhedora; um povo bom e responsável, e uma família que dá gosto fazer parte.
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42 comentários:

Marcos Assunção disse...

Severo, com certeza o ato de realizar, fazer algo, ser ousado e obter o reconhecimento, acaba incomodando a certas pessoas; tentar desqualificar um seminário com o assunto de que valoriza o cangaço ou endeusa quem quer que seja, é um absurdo. Apesar de respeitar a opinião alheia, no caso em questão, que vc não deseja dizer o nome do cidadão, o mesmo não conhece nem de perto o Cariri Cangaço, lamento que o mesmo não tenha ido e; mesmo com o seu convite, esse tipo de pessoa,certamente não teria muito a acrescentar....

Abraço meu amigo

Assunção

Anônimo disse...

Absurda essa abordagem, será que teremos que parar de investigar ou pesquisar fatos importantes da história em função de terem sido movidos pela violencia???? Infelizemente a história da humanidade tá cheia de conflitos, e estudar por exemplo a presença da Alemanha na segunda guerra não é vangloriar Hitler, estudar os Bárbaros não é vangloriar Átila, etc. Esse senhor sim é que está totalmente equivocado.
Os seminários têm sido um papel fundamental no estudo da história e cangaço é história, infelizmente ainda hoje temos o preconceito permeando esse tipo de assunto.

Obrgigada

Renata Brito (URCA)

Anônimo disse...

Onde procuramos os certificados de 2010?

Renata Brito (URCA)

Honório de Medeiros disse...

Vc, caro Severo, imagine se nós fôssemos levar em consideração o pensamento atrasado de Lira Neto e desse postante anônimo: não realizaríamos eventos para estudar o nazismo, as invasões bárbaras, o terror na Revolução Francesa, o banditismo rural norte-americano.

Isso é o que dá falta de rigor crítico e a mania tipicamente brasileira do "achismo".

No que diz respeito a Lira Neto, foi uma grande decepção perceber que a lente do seu óculos, tão útil para escrever a biografia de Pe. Cícero - belo trabalho, por sinal, inobstante qualquer alusão a Benjamin Abrãao - se revelou completamente embaçada quando tratou do tema cangaço. Trata-se de uma certa miopia cultural às avessas: aumentou os mal-feitos de Moreno em sua época de cangaceiro, e fez desaparecer o pagamento de sua dívida com a sociedade em todos os anos que viveu como homem de bem.

Aliás, quando se trata de Moreno, o Moreno de hoje que vive no corpo que o Moreno de ontem ocupava, o que cuidamos é do seu caráter simbólico. Moreno é (foi) um símbolo vivo da mais vívida expressão da cultura nordestina: o cangaço.

Esse nosso Brasil...

Honório de Medeiros

Lira Neto disse...

Caros amigos do Cariri Cangaço.

Como leitor assíduo do site, uma vez citado, senti-me provocado a deixar aqui meu recado.

Vejo com muitos bons olhos a iniciativa de discutir o cangaço. Até mesmo me prontifiquei a participar do último evento, mas problemas particulares e de trabalho me impediram de fazê-lo. Uma pena.

Obviamente, não sou contra o debate. Muito pelo contrário. Meu artigo foi inclusive uma modesta contribuição nesse sentido.

Ao contrário do que interpretou o caro Manoel Severo, não fiz generalizações. Critiquei, sim, utilizando-me de argumentos para basear minha crítica, os historiadores, jornalistas e pesquisadores que glamourizam o cangaço.

Há muita gente séria estudando o tema. Sem dúvida. Não afirmei - e jamais afirmaria - o contrário. Destaquei, entre outros, Frederico pernambucano de Mello. Poderia ter citado outros, é verdade.

Aproveito para informar ao prezado Honório de Menezes que a editora me encaminhou mensagem dele, onde também indagava-se porque Benjamin Abraão não era citado na biografia que escrevi sobre Padre Cícero.

Com a mesma e costumeira atenção que tenho para com os leitores, respondi, por meio da editora, a questão de Honório. Espero que ele tenha recebido.

Um grande abraço e a atenção do

Lira Neto

Anônimo disse...

Caro Severo. Gostaria de deixar algumas palavras para o senhor que te remeteu aquele e-mail. Caro Senhor. Iniciativas como a do Cariri Cangaço deveriam estimuladas por todo o Nordeste e por todo o Brasil. É nossa tesouro cultural que merece ser valorizado! Ainda mais nestes tempos de imposição massiva pela mídia de produtos apelativos feitos aqui e no estrangeiro. Devemos falar e agir como Ariano Suassuna, quanto a defesa e exaltação de nosso valores. E o cangaço é um deles. O que aconteceu no Nordeste ao longo destes 4 séculos de colonização e que culminou com o cangaceirismo, trouxe não somente flagelo e desespero, como o senhor supõe. Imagine se Luiz Gonzaga tivesse deixado o cangaço de lado; se Zé Ramalho não o tivesse cantado; se os grandes pintores Aldemir Martins e Portinari não tivessem inspiração na figura do cangaceiro; imagine se não tivéssemos pra mostrar ao mundo o filme “O Cangaceiro” e a música “Mulher Rendeira”, que foi cantada por Lampião e Sinhô Pereira, e gravada pela maioria da Big Bands mundo afora; imagine as obras de Zé Lins do Rêgo, Jorge Amado, Raquel de Queiroz e Guimarães Rosa (os jagunços do Grande Sertão são na verdade cangaceiros) sem o tempero do cangaço. O Brasil certamente estaria mais pobre. Hoje, o que a gente tem visto – graças a Deus - é um aumento do interesse, principalmente nos meios universitários sobre este tema, cujas variáveis ainda não foram adequadamente estudadas. Isso é visto até lá fora, a exemplo da Profa. Èlise Jasmin, na Sorbonne, que fez sua pós-graduação em Lampião e Antonio Silvino; o Prof. Billy Jaynes Chandler, na Universidade do Texas, que escreveu sobre a guerra nos Inhamuns e sobre Lampião. O Museu de Montpellier, na França, recentemente fez belíssima exposição sobre o cangaço e sobre Canudos . O senhor não acha que os nossos museus deveriam fazer o mesmo? Outra coisa: não há endeusamento de Lampião. Não tentamos endeusá-lo. Lampião tem características de liderança inteligente que eram admiradas inclusive por seus adversários. E isso não aconteceu somente com ele, pois Napoleão Bonaparte ajoelhou praticamente toda a Europa, impondo guerras sangrentas, e nem por isso deixaremos de estudá-lo como agente histórico. Pasme você: Lampião e o Padre Cícero são os brasileiros mais biografados de todos os tempos. E duas das biografias de Lampião foram escritas quando ele ainda estava vivo. O modus operandi de Lampião, dos chefes de volante e dos coronéis hoje nos causa repúdio, mas devemos levar em conta que o interior do Brasil foi colonizado exaltando-se aqueles que se impunham pela força e pela valentia. O código penal da época era surra, bala e punhal. Não me recordo de nenhum ex-cangaceiro que sobreviveu à morte de Lampião que tenha reincidido em novos crimes. Muito pelo contrário: Vinte e Cinco, Candeeiro, Saracura (já falecido), Moreno (já falecido)são todos cidadãos de bem. O grande Prof. Artur Ramos dizia que o cangaço era produto do seu meio social, portanto não podemos pensá-lo com violência gratuita, que não o é. O senhor nos chamou de míopes, mas digo sem medo de errar que o seu diagnóstico é ainda pior. É cegueira funcional, pois o senhor mal está conseguindo enxergar o chão do seu próprio país.
Leandro Cardoso Fernandes

Anônimo disse...

Caros amigos,

Acompanho diariamente o nosso Blog Cariri Cangaço. Não me espanta ver que existam Historiadores cuja visão se turva a ponto de não lhes permitir a imparcialidade exigida para ao exercício da pesquisa.

Vejo a pesquisa é o fio condutor da ocupação do Historiador. A imparcialidade na pesquisa é o que lhe dá brilho e riqueza. A história do cangaço ainda gera pesquisas e discussões em pleno século XXI. Dessa verdade ninguém pode fugir. Não temos ainda uma verdade pura ou um consenso sobre o fenômeno Cangaço.

Eu ví nascer e tomar corpo o evento CARIRI CANGAÇO. Ví o esmero e a seriedade com que ele foi tratado desde a sua concepção. Por isso faço aqui a sua defesa sem medo do erro e sem receio de ser alguem a, simplesmente, jogar confetes. Fiquei triste quando li a postagem do historiador anônimo. Achei infeliz a afirmativa ...”causa-me estranheza que em pleno século XXI, ainda se perceba tanta miopia conceitual em torno de um fenômeno que só trouxe flagelo ao nosso povo sertanejo. Pesquisadores e curiosos, travestidos de "historiadores e memorialistas" se perdem em emocionadas defesas ao grande mito que é Lampião e seus cangaceiros, fazendo transparecer a idéia de que se tratam de heróis do sertão...

O Cariri Cangaço nunca se posicionou em defesa deste ou daquele segmento. É um evento mais abrangente. Um evento de discussões e de busca de verdades sobre a historia politica do Nordeste, entrando pela sociologia, pela religiosidade e pela cultura da região. É o que está implícito no próprio nome.... “Coronéis, Beatos e Cangaceiros”. Não se pode classificar pessoas como Amaury Correa, Alcindo Costa, Ângelo Osmiro, Napoleão Tavares Neves, Honório Medeiros, Aderbal Nogueira, Dr. Lemuel Rodrigues, Magerbio Lucena, e tantos outros de “curiosos travestidos de historiadores”. É um insulto. Não tenho outro nome.

Com o devido respeito que devemos lhe ter; foi triste essa sua afirmativa caro historiador anônimo. Você destratou pessoas que, de forma muito séria, se debruçam anos a fio em pesquisas, exatamente para que a história do cangaço não se resuma a essa visão simplória que muita gente tem. Achar que o Cangaço foi um flagelo é direito de qualquer um. O direito de opinar é sagrado e respeitado. Por isso quero reafirmar que respeito a sua opinião, apesar de não concordar com ela. Mas...qualificar o evento Cariri Cangaço da forma como você qualificou, você errou feio.

Sou conivente com a opinião do pesquisador Honório Medeiros: “se nós fôssemos levar em consideração o pensamento atrasado de ...(nomes suprimidos pelo postante) não realizaríamos eventos para estudar o nazismo, as invasões bárbaras, o terror na Revolução Francesa, o banditismo rural norte-americano. Isso é o que dá falta de rigor crítico e a mania tipicamente brasileira do "achismo".Mas...podemos chegar a um consenso caro historiador. Reafirmo que preferimos respeitar o seu sagrado direito de opinião.

Sinta-se convidado a participar do Cariri Cangaço de 2011. Veja de perto.

Além disso, é de suma importância que, como pesquisador e historiador você adquira as gravações de todos os debates e palestras do Cariri Cangaço de 2009. São 6 DVD`s que poderão ser adquiridos através do próprio Manoel Severo. É um documento riquíssimo.

Aí sim, você vai ver que a sua impressão sobre o evento não procede.

Wilton Dedê
Fortaleza

Anônimo disse...

Vendo a mensagem do email enviado ao cariri cangaço, sou obrigada a dizer de minha estranheza pela forma como de maneira gratúita se procura julgar de maneira vulgar um seminário de tanto valor. Sou academica de história da URCA, aqui do Ceará, e estive nos dois anos acompanhando o Cariri Cangaço, e nem de perto as impressões contidas no email,se confirmam. Desejo dizer ainda que mais e mais prefeituras, fundações e institutos deveriam se unir a eventos como esse que só trazem o bem para aqueles que desejam aprender cada vez mais.
Não vi em momento algum o cariri cangaço ou mesmo qualquer palestrante eudeusar Lampião, tenho a dizer que vi muito pelo contrário; posições firmes na defesa que ele era realmente um bandido e um fora da lei.

Abraço a todos e até 2011, se Deus quiser.

Natalia Araujo
Juazeiro do Norte.

Honório de Medeiros disse...

Para Lira Neto:

Não recebi qualquer resposta de sua editora. Continuo sem saber a causa da omissão quanto a Benjamin Abraão.

Em janeiro deste ano, após ler a biografia de Pe. Cícero, publiquei uma resenha em meu blog, aqui em Natal, Rn (honoriodemedeiros.blogspot.com)> Resenhas.

A biografia, indiscutivelmente, é uma obra de arte.

Honório de Medeiros

Anônimo disse...

Severo, com essa postagem e os comentários enviados, fica mais do que comprovada a validade e a importância do evento Cariri Cangaço.
Opiniões diversas, partindo de pessoas atentas e conhecedoras do assunto, mostram que o blog está atingindo um publico interessado e certamente irá atrair participantes preparados e dispostos a enriquecer a próxima edição. Parece que a família Cariri Cangaço está aumentando. Para quem pensa que o Cariri Cangaço é uma exaltação aos erros cometidos pelos cangaceiros, o debate aqui é um tira-gosto do que acontece anualmente no Cariri e de forma permanente no blog.

C Eduardo Gomes.

Anônimo disse...

Prezado severo, a opinião lançada contra o cariri cangaço foi isolada, preconceituosa e reveladora da imensa ignorância histórica de seu autor. O cariri cangaço incita discussões sobre nossas raízes históricas, sociais e culturais. Acredito que você já deva estar imune a estas críticas rasas.
Forte abraço, e continue firme na luta, o evento é um sucesso!
pedro luís

Anônimo disse...

Tudo que tinha de ser dito, ja o foi. Nada podemos acrescentar. Apenas registro o meu orgulho e satisfação de pertencer a esta querida família. A participação de nossos confrades, na defesa de nossas idéias dão prova que estamos no rumo certo. Ao nosso grande timoneiro Manoel Severo, deixo a minha solidariedade e total apoio a suas ações. O Cariri Cangaço está no rumo certo, o tempo nos dirá que estamos com a razão.

Até o Cariri Cangaço 2011, as portas estarão abertas para todos.

Assis Nascimento // Mossoró (Rn)

Anônimo disse...

Caro amigos do Cariri Cangaço,
Como pesquisador do cangaço não poderia deixar de dizer algumas palavras sobre o e-mail em questão, apesar de ter muito pouco o que falar, depois das brilhantes explanações de alguns amigos. Entretanto nos permitam dizer: enquanto pesquisador do cangaço, tenho batido muito nessa tecla de que não fazemos apologia ao crime e muito menos endeusamos Lampião. Reecentemente em participação na Sociedade Cearense de Geografia e História, tivemos a oportunidade de mais uma vez falarmos da nossa tristeza, principalmente quando esse preconceito parte de historiadores, na ocasião fui apoiado pela totalidade dos meus pares presentes a reunião. Repito uma frase batida, mas verdadeira:"O cangaço é história do Nordeste, do Brasil e portanto como tal deve ser estudada" e é exatamente isso que a SBEC faz e é exatamente isso que presenciamos durante as duas edições do Cariri Cangaço.
Muito obrigado.

Angelo Osmiro Barreto

Anônimo disse...

Caro Ângelo Osmiro, permita-me juntar-me so seu comentário quanto ao absurdo preconceito que se enfrenta por certos segmentos da intelectualidade com relação ao cangaço, entretanto, quer saber o peso dessa temática, é só numa roda de amigos ou seja lá o que, comece a falar sobre o cangaço e espere: Dentro de pouco tempo vemos o tamanho do interesse de todos, é algo impressionante. Por isso parabens ao pessoal da SBEC e do Cariri cangaço.

GERSON B ALVES
FORTALEZA

Lira Neto disse...

Honório.
A resposta que deveria ter sido encaminhado pela editora a você:

********************

Prezado leitor,

O gênero biográfico tem suas limitações. Nenhuma vida cabe inteira em um
único livro. Escrever sobre a trajetória de alguém é necessariamente editar,
selecionar, escolher. Nesse processo, infelizmente, muita coisa fica de
fora. É o caso de Benjamin Abraão, secretário de Padre Cícero. Há autores
que acreditam ter Benjamin participação direta no episódio da ida de Lampião
a Juazeiro quanto da organização do Batalhão Patriótico organizado para
combater a Coluna Prestes. Contudo, além de fontes orais, infelizmente não
encontrei nenhuma informação documental que corroborasse tal hipótese, seja
na vasta correspondência do padre, seja no Arquivo do Exército, seja nos
documentos da Diocese. Mas posso adiantar que acalento uma admiração
especial pelo personagem e planejo inclui-lo, não como coadjuvante, mas
agora como um dos protagonistas, em um próximo livro, que está em meus
planos. Por enquanto, não posso revelar mais detalhes sobre o assunto.
Agradeço sua mensagem e fico feliz pelo fato de a leitura de "Padre Cícero:
Poder, fé e guerra no sertão" ter lhe despertado o interesse de enviá-la.

Cordialmente,

Lira Neto

ADERBAL NOGUEIRA disse...

Faço apenas uma pergunta: Esse ilustríssimo Senhor Doutor já fez algo em prol da nossa história, da nossa cultura? Se fez, gostaria imensamente de saber. Se não fez seria melhor...
ADERBAL NOGUEIRA

Juliana Ischiara disse...

Caro Severo,

Como já havia lhe dito, o considero um defensor cuidador de nossa cultura, nossa formação histórica.Como disse a grande antropóloga americana Tuth Benedict , “Cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo”. Infelizmente, nem todos tem esta percepção, como disse o confrade Leandro Cardoso, alguns são acometidos por uma cegueira funcional.

Como historiadora com formação acadêmica, quero expor minha humilde opinião ao “tal colega anônimo”.

Caro historiador anônimo,

Como historiador, creio que o nobre colega deve ser um conhecedor das obras e importância do historiador francês, Marc Bloch. Em sua obra Introdução à História, ele defende de forma clara e objetiva a teoria de que a história, além de nos proporcionar o conhecimento acerca de nossa formação enquanto sociedade, é sedutora e nos diverte. Oferecendo-nos além de benefícios, o prazer de sabermos quem somos.

Me reportei à visão intimista e despretensiosa de Marc Bloch, por concordar com a idéia de que, ser contrária à importância da pesquisa acerca do fenômeno CANGAÇO é estar com isso, negando à história sua auréola de velha amiga e mestra da vida, de ferramenta ideológica de grandes transformações, de ciência do passado humano. Como pesquisadora, não poderia negar tão fantástica criação humana. As palavras de Bloch foram precisas quando disse, a história “tem prazeres que lhe são próprios, que não se assemelham aos de nenhuma outra disciplina. É que o espetáculo das atividades humanas, seu objetivo particular, é, acima de qualquer outro, de natureza a seduzir a imaginação dos homens”.

Então pergunto, o que leva uma pessoa que se diz historiador e professor a negar o “espetáculo das vidas humanas”? Sinceramente, não vislumbro outra resposta que não seja a referida cegueira funcional tão bem lembrada por Dr. Leandro.

Todo e qualquer pesquisador, por menor que seja sua capacidade reflexiva, sabe que estudar o cangaço não é só estudar Lampião e seu bando, não há como desmembrar o cangaço do todo. O cangaço é fruto de uma manifestação social, estamos falando o Estado enquanto poder, falando de manifestação cultural. Como bem disse Honório, estaríamos endeusando os demais personagens históricos ao estudá-los?
Em sendo assim, sugiro o que os demais confrades lhe sugeriram, vá ao próximo Cariri Cangaço e conheça de perto os pesquisadores.

Caso queira se antecipar, o que não seria ruim, adquira material sobre o Cariri Cangaço. Assim, antes de emitir qualquer opinião desastrosa, o senhor estaria ao menos embasado, fundamentado em algo. Claro, sugiro também boas leituras acerca do cangaço.

Como o senhor se diz historiador, deveria reconhecer que a ciência histórica tem auferido muitos benefícios aos cidadãos comprometidos e entusiasmados com os fatos históricos. Estes indivíduos também deixam como legado, preciosidades documentais inestimáveis do tesouro do tempo para seus sucessores e para os futuros pesquisadores. Por estas e outras é que digo, em muitos casos, o diploma acadêmico não possibilita ao seu portador sagacidade, neutralidade, bom senso ou discernimento. Não falo apenas como pesquisadora e membro da família cariri cangaço, mas também como historiadora que defende a história como uma das ciências mais democráticas.

Voltando ao mestre Severo, meu caro lembre-se das palavras do criador, não se joga pedras em árvores que não dão frutos. Criticar, analisar o que está feito é bem mais fácil do que pôr a cara a tapa. Infelizmente, visibilidade, sucesso e notoriedade atrai as mais diversas manifestação de inveja e pensamentos tacanhos.

Por fim, como disse o confrade Leandro Cardoso por ocasião do ultimo cariri cangaço, “ ainda é melhor gastar com a cultura que depois ter que gastar com a ignorância”. Claro, o ilustre anônimo em questão deve pensar o contrário.

Saudações cangaceiras

Juliana Ischiara
Historiadora e membro da SBEC e da família Cariri Cangaço.

Julio Cesar disse...

Se seguirmos o que nosso prezado crítico deseja, estudemos Madre Tereza, Gandhi, Frei Damião e, talvez, Rodolfo Teófilo (para citar uma bela obra de Lira Neto).
Queimemos os livros sobre Hitler, apaguemos da nossa história os casos de corrupção (afinal, como dizem os acusados, "não passam de mentiras dos meus adversários políticos" e continuemos ensinando às nossas crianças que D. Pedro I estava montado num lindo corcel quando proclamou a Independência do Brasil.

Mas Severo está muito certo, pois já estava ficando monótono só ler elogios ao Cariri Cangaço e, portanto, tínhamos que ver alguém com opinião dissonante.
Até que enfim apareceu alguém para discordar, pois os cabras estavam com as línguas enferrujando e o sangue esfriando por não aparecer motivo para uma acalorada discussão.

Mais uma coisa, no cangaço não existe apenas Lampião. Eu prefiro elogiar o Jesuino Brilhante, meu cangaceiro preferido.

Abraços

Juliana Ischiara disse...

Severo,

Adorei esta foto em alusão a obra de Cervantes, fantástica! Principalmente no que diz respeito à cena em tela, em que, em uma das viagens alucinantes de Dom Quixote ele encontra moinhos de vento e confunde com gingantes e arremete contra um dos moinhos, momento em que uma das pás, devido ao vento forte, lança o cavaleiro para longe. O escudeiro socorre seu mestre. Dom Quixote não dando o braço a torcer, diz que o feiticeiro, ao notar que o cavaleiro estava vencendo, transformou os gigantes em moinhos.

Esta obra de Cervantes é mesmo maravilhosa, ela nos remete a dois momentos, na primeira parte da obra, a impressão de liberdade, na segunda, a sensação constante de nos encontrarmos encerrados em limites estreitos. Ou seja, nos postamos diante de uma sagaz ironia, que é uma expressão amarga da impossibilidade de dar realidade a um ideal, a eterna condição humana de confrontar-se com a imaginação e a realidade. Conflitos que surgem do confronto entre o passado e o presente, o ideal e o real, o racional e o emocional. Ambos, Dom Quixote e Sancho Pança representam valores distintos, embora sejam participantes do mesmo mundo.

Genial Severo, Parabéns!

Saudações cangaceiras

Juliana Ischiara

Narciso disse...

É amigo Severo,isso é o que dá realizar um evento de tal magnitude,causa um certo desconforto,é um espinho de mandacaru no calcanhar de determinados "professores???".
Já que se falou em miopia,acho que estou com
amnésia este cidadão é professor do que mesmo???
É amante da história do Nordeste de qual país???
Sinceramente meus pêsames.

Um grande abraço a minha família...
...a verdadeira família "CARIRI"


NARCISO DIAS,do Nordeste!!!

Anônimo disse...

A SBEC tem sido um esteio na defesa dos assuntos sérios não só ligados ao cangaço, mas a muitos outros temas de nossa região. É importante neste instante ressaltar a grande garra de homens como Paulo Medeiros Gastão, Kydelmir Dantas, Ângelo Osmiro e Lemuel Rodrigues da Silva, timoneiros desta sociedade, e todos os valorosos sócios e membros. temos que fortalecer a pesquisa e estudo sério do tema e o Cariri Cangaço é sem dúvidas um dos mais sérios e comprometidos espaços de debates da atualidade, fruto do espetacular tino empreendedor deste homem sem igual chamado Severo, muitas vezes pensamos que se trata apenas de "jogar confete", mas o faço com orgulho e por senso de justiça pelo grande homem, grande amigo e um gentliman no sentido real da palavra, um grande realizador e aglutinador e articulador de idéias, parabens grande Manoel Severo, parabéns SBEC, vamos em frente!

Professor Hermínio Castro
(Não sou professor de história!!!!!!)

Anônimo disse...

Historiador anônimo...Onde está você? Precisamos da sua resposta.

Wilton Dedê

Anônimo disse...

Companheiros de jornada, fiquei uns dias sem navegar na internet e hoje quando cheguei ao computador a fiz a leitura diária do cariri cangaço, me surpreendi. É brincadeira o que esse senhor escreveu, pelo amor de Deus, é ser muito despreparado para fazer esse tipo de colocação sem conhecer o que tá dizendo.
Já falaram tudo, mas não poderia deixar de também me solidarizar com os amigos da SBECe cariri cangaço.

Ricardo Lima Verde

Anônimo disse...

Amigos do Cariri vocês que estão mais preocupados com o "anônimo" deviam dirigir suas manifestações para o ilustre Lira Neto. Leiam o que ele pensa sobre a centena de leitores do seu livro.

Diário do Nordeste (10/9/2010)

O último dos cangaceiros, por Lira Neto

Leio no jornal: aos 100 anos, morreu Moreno, um dos últimos cangaceiros do bando de Lampião. Não sou de desejar a morte de ninguém, mas devo admitir que, nesse caso, sinto-me tentado a dizer: já vai tarde.

Quem dera tivesse ido embora com ele a ignorância cavalar de todos os sociólogos, historiadores, cineastas, jornalistas e escritores que, ainda hoje, por estupidez ideológica, ranço acadêmico ou ingenuidade histórica, insistem em glamourizar o cangaço.

O pernambucano Moreno - José Antônio Souto, no registro civil - era um facínora. Mas morreu paparicado, recebido com festa e como herói na cidade cearense de Brejo Santo, onde passou parte da adolescência até enveredar para a vida do crime e se escafeder para os cafundós da Paraíba.

Moreno matou 21 homens, segundo suas próprias contas. Há pouco, quando estava prestes a esticar as canelas, deu entrevistas nas rádios locais como uma celebridade, foi saudado por cantadores populares e abraçou a família sorridente, que não escondeu o orgulho pela notoriedade e pela fama de valentão do parente ilustre.

Uma miopia conceitual é responsável, em grande parte, pela mitificação desses bandidos que roubavam, seqüestravam, matavam, estupravam e viviam à sombra do coronelismo e do latifúndio.

Na década de 60 e 70 do século passado, tornou-se moeda corrente nas universidades a interpretação canhestra de que a violência imposta aos nordestinos por gente sanguinária como Lampião, Corisco, Azulão e outros celerados menos famosos como Moreno fosse uma resposta natural - e positiva - à violência social endêmica do sertão.

Os cangaceiros seriam, conforme tal viés, os Robin Hoods da caatinga. Ou, melhor dizendo, seriam "bandidos sociais" - para usar o termo então tomado emprestado ao historiador norte-americano Eric Hobsbawm, que conferiu certo verniz intelectual ao que, no fundo, nunca passou de um atestado de miséria teórica.

Lastreados em um marxismo mal lido e mal digerido, cientistas sociais brasileiros passaram a querer atribuir ao cangaço até mesmo certa nobreza de princípios e alguma justiça nas ações. Lampião passou a ser o rebelde primitivo, o justiceiro romanesco, o paladino dos fracos e oprimidos.

Bem antes disso, em 1935, a Aliança Nacional Libertadora já citava Lampião como um de seus inspiradores políticos. Trinta anos depois, Francisco Julião, o líder das Ligas Camponesas, iria pelo mesmo caminho e, num surto de desvario histórico, chegaria a dizer que Virgulino Ferreira da Silva foi "o primeiro homem do Nordeste a batalhar contra o latifúndio e arbitrariedade".

Ora, como se o mesmo Virgulino não dispusesse de coiteiros poderosos, os coronéis sertanejos que lhe ofereciam armas, guarida e munição, em troca do serviço de milícia proporcionado pelo bando, o que garantia a inviolabilidade de seus domínios feudais.

CONTINUA... AH! MAS ELE ESTAVA MUITO INSPIRADO

Anônimo disse...

Parte final....

Também data dos anos 60 do século passado um livreto de poucas páginas e de ideias ainda mais ralas. Superestimado durante muito tempo, "Cangaceiros e Fanáticos", de Rui Facó, tornou-se uma espécie de bíblia engajada para os "estudiosos" do tema, ao pregar que o cangaço era "um exemplo de insubmissão" e "um passo à frente para a emancipação dos pobres do campo".

Felizmente, uma bibliografia mais contemporânea devolve os cangaceiros a seu devido papel na história: o de bandoleiros carniceiros. É o caso de "Guerreiros do Sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil", de Frederico Pernambucano de Mello, arguto pesquisador de história social da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife. A obra serve de providencial colírio desembaçador aos que ainda insistem, mesmo hoje, em enxergar Lampião através de lentes românticas.

Em um dos capítulos mais instigantes do livro, o autor expõe a tese do "escudo ético", ao desvendar a necessidade que os cangaceiros tinham de justificar aos próprios olhos - e aos olhos de terceiros - suas ações criminosas, sob o pretexto da lavagem da honra ofendida e do desejo de vingança.

Com efeito, no caso de Moreno, o cangaceiro centenário que acaba de morrer, o "escudo ético" seria proveniente da surra que ele levou da polícia na juventude em Brejo Santo, ao ser acusado - injustamente - do roubo de um carneiro. É o que nos conta a reportagem do jornalista Antônio Vicelmo, publicada neste mesmo Diário, na última quarta-feira.

Tão logo se viu livre da cadeia, Moreno teria matado o homem que o denunciou e que seria o verdadeiro ladrão do bicho. Pronto. Estava justificada, sob o abrigo de um providencial escudo ético, a entrada de Moreno para o cangaço. O que a partir daí passou a ser um meio de vida ilegal, violento e desonesto, estaria plenamente abonado.

Não há dúvidas de que o cangaço, com sua crônica interminável de atrocidades, truculências e selvajarias - que, de fato, só encontrava equivalente na ferocidade das volantes -, ainda seja capaz de fornecer material copioso para historiadores, jornalistas, escritores, cineastas e ficcionistas.

Afinal, paralelo ao regime de terror que infundiam, os cangaceiros também irradiavam fascínio com sua indumentária ostensiva, sua aura de implacáveis combatentes, seu cotidiano repleto de aventuras e perigos. Em uma terra em que a valentia, a macheza e a falta de polidez são considerados atributos positivos - e onde a "honra manchada" ainda desculpa o uso da violência - os cangaceiros tornaram-se, entre nós, os ícones máximos da audácia.

Quando estive recentemente na cidade potiguar de Mossoró, embasbaquei-me com o realmente impressionante Memorial do Cangaço, um dos orgulhos dos moradores do lugar, que fazem questão de mostrá-lo aos visitantes, com incontida vaidade. Segundo consta, Mossoró foi a única cidade nordestina a colocar o bando de Lampião para correr.

Contudo, no lugar de se exaltar a decantada resistência dos mossoroenses, tema de um painel fotográfico apenas secundário, a grande estrela do Memorial do Cangaço potiguar é o próprio Virgulino e sua companheira, Maria Bonita, cujas imagens aparecem em painéis gigantescos, de vários metros de altura.

Fico imaginando, daqui a algumas décadas, no Rio de Janeiro, quando alguém pensar em erguer um memorial à guerra contra o narcotráfico, se os painéis principais exibirão a imagem dos bandidos em tamanho gigante - e não das vítimas que eles fizeram com seu negócio sujo.

João de Sousa Lima disse...

Lira Neto, um imbecil de primeiríssima qualidade. (parte I)

Tive acesso ao texto escrito por um desconhecido chamado Lira Neto e, diga-se de passagem, um desconhecido imbecil. O artigo saiu no jornal Diário do Nordeste, no dia 10 de setembro de 2010 e se refere a morte do Cangaceiro Moreno. Como o artigo me direcionado por eu ser escritor eu tenho que dar minha resposta a esse IMBECIL:

Primeiro você fala que não é de desejar a morte de ninguém, porém que o ex-cangaceiro já ia tarde. Realmente ele foi tarde, pois passou dos cem anos de idade, demorou muito, é desejo de quase todos passar dos 100.
O imbecil fala que com a morte de Moreno devia ter ido toda a
ignorância cavalar de todos os sociólogos, historiadores, cineastas, jornalistas e escritores que, ainda hoje, por estupidez ideológica, ranço acadêmico ou ingenuidade histórica, insistem em glamourizar o cangaço.
Vale salientar para esse desqualificado que a ignorância cavalar ficou mais visível no texto preconceituoso que ele escreveu e não compreendo como um jornal desse porte abre espaços para imbecis dessa qualidade.
Ele ainda critica a todos que escrevem e estudam sobre o cangaço, taxando-os de estúpidos e ingênuos. Agora imagina o que se falar dele, que é preconceituoso e deve se sentir a cima de todos e de tudo para fazer tão graves acusações e julgamentos precipitados.
Sabe Lira Neto, estive considerando suas bestialidades escritas. Você deve ser mais um desses dublês de intelectuais que leu meia dúzia de livros de Jacques Lacan, Sigmund Freud, Le Bon e companhia, ficando preso, entre eles, ao Marxismo, igual CADELA na coleira e acha que paira sob cabeças humanos. Sem querer desmerecê-los, sabedorias e análises enganosas que pra nenhum segmento da vida nunca precisei usar nada.
Lira Neto deve ter lido livros tendenciosos (se é que ele sabe ler), de escritores descompromissados com a verdade. Entenda que a questão não é taxar ninguém de Bandido ou Herói, essa não é a discussão em pauta nos artigos dos escritores sérios e compromissados com a verdade. Essa discussão não cabe na Academia e na sociedade intelectualizada (o que deve ser seu caso, "DOUTORZINHO DE MEIA PATACA).
O que não podemos negar são os fatos históricos acontecidos, não podemos ter preconceitos sobre as histórias que marcam a vida e a trajetória de um povo, por mais brutal e sangrenta que seja ela. Então não perpetuaríamos e nem falaríamos de Judas Escariotes que traiu Jesus Cristo; Não falaríamos do Anti-Cristo Hitler, que assassinou brutalmente, em banhos de sangue, milhares de pessoas, em nome de um estudo equivocado sobre ideologias, religião e cor de peles; Não perpetuaríamos as lembranças de Caldeirão do Beato José Lourenço, por que lá teve morte e sangue. Não lembraríamos Canudos e Antonio Conselheiro, que viu seu povo fazer sangrar e ser ferido mortalmente por uma legião de doidivanas que hoje tenta e não consegue apagar o passado, pela idiotice defendida.
Esses são apenas alguns fatos, centenas podem ser lembrados. Não cabe ao homem ser o juiz de um povo, de uma ocasião, de uma luta partidária. A questão, cito novamente, não é "Endeusar ou Desmistificar" quem quer que seja. A questão é deixar para as gerações futuras, um pouco da história de uma época e de um povo.

Juliana Ischiara disse...

É impressionante a semelhança entre esta matéria escrita por Lira Neto e o e-mail enviado a Severo e postado aqui. Uma coisa é certa, não são só foras da lei como Lampião ou messias como Antonio Conselheiro que são capazes de arregimentar séquitos. Pelo jeito, imbecis também. Tanto é verdade que bastou um oligofrênico escrever meia dúzia de sandices para fazer seguidores.

Fico pensando se Lira Neto quando estava escrevendo esta matéria e se sentindo “o cara”, ele pensou nos familiares de Moreno, pensou em seus filhos, netos e amigos, pessoas que não participaram das ações cangaceiras? Pelo visto não, nem poderia já que se mostrou insensível, ignorante e medíocre em seu infeliz comentário.

Sinceramente, estou decepcionada com o referido autor, pois eu mesma sou ou era leitora do mesmo, inclusive, tenho todos os livros dele, jamais o imaginei capaz de tamanhas imbecilidades.

Amigo João, ratifico sua palavras e o parabenizo por seu desabafo. Às vezes se faz necessário ser mais enfático e até agressivo com aqueles que são incapazes de respeitar a opinião alheia.

Valeu João!!!

Saudações Cangaceiras

Juliana Ischiara
Historiadora e sócia da SBEC

João de Sousa Lima disse...

ta faltando a parte II do meu comentário, pde colocar ai que me responsabilizo por ele

José Cícero disse...

APENAS UM DEDO DE PROSA JUSTA E NECESÁRIA...
É isso o que sempre acontece quando a mídia-marron começa a encher demais a bola daqueles que resolvem escrever o que "ela" dita para vender, assim como ocorre com a moda e a cultura de massa em geral. Coisa do Brasil...
Daí, cheios de si, começam a pensar ilusoriamente que são Deus ao ponto de acreditarem piamente que a verdade lhes pertencem...
Li o trabalho do Lira Neto acerca do pe. Cícero e, sinceramente é uma obra boa, razoável... Contudo, está muito aquém do psedo know-how do extraordinário que o seu autor tavez imagina possuir para escrever comezinhas como a publicada no DN. Assim como comentários descomprometidos e mastodônicos como o postado pelo confrade Manoel Severo.
Se a história escrita(verdadeira) é a maneira de nos transportamos no tempo e no espaço; por outro lado, diria que com inverdades absurdas e ilações subjetivas desta naipe nenhum historiador estará constribuindo para a historiografia social. Coisa que o Brasil precisa tanto, com forma de romper com os velhos e arcaicos ditames da chamada história oficial escrita pelos vencedores.

José Cícero disse...

Sabe, João de Sousa, não se sinta ofendido posto que as impressões do Lira Neto, são apenas evidências de que está a reproduzir o pensamento de uma elite rancorosa com a história dos oprimidos que agora começa vir a tona. De onde não se exclui o autor do comentário dantes postado por MS.Cada um cumpre o seu papel...
E mais, acho que vc exagerou, ele não leu tanto, meu amigo...

Anônimo disse...

MEU CARO SEVERO: RECEBA A NOSSA SOLIDARIEDADE E O NOSSO APOIO, NÃO PODEMOS ESMORECER, O QUE VEM DE BAIXO NÃO NOS ATINGE. SEI MUITO BEM DA SUA RESPONSABILIDADE E EDUCAÇÃO EM NÃO QUERER DECLINAR O NOME DESSE HISTORIADOR ELITISTA, EM NOME DA ÉTICA, MÁS SERIA DE BOM ALVITRE QUE VOCÊ DESSE O NOME DESSE INIMIGO DA NOSSA CULTURA POPULAR, PARA SABERMOS COM QUEM VIVEMOS NO NOSSO DIA A DIA NESTAS TERRAS ABENÇOADAS DO CARIRI. MEU ABRAÇO: BOSCO ANDRÉ - MISSÃO VELHA.

Anônimo disse...

Por que negligenciar o cangaço se o século XX se estrutura em fatos marcados por guerras, matanças e inseguranças?

Muitos foram os acontecimentos que marcaram o século XX, e que nos fazem percebê-los, automaticamente, como símbolos de uma era dos extremos. As 1ª e 2ª Guerras Mundiais, a Revolução Russa, a quebra da bolsa de Nova York, a ascensão do nazismo e do fascismo, a Guerra Fria e diversos movimentos sociais, fazem parte de um quadro de referenciais que nos fazem pensar o século XX de uma maneira diferenciada.

Esses fatos são alguns dos acontecimentos que ocorreram no século XX que se enquadram de modo a caracterizar esse século. Tal é a concepção de Michael Pollak, acerca de uma memória enquadrada, que vai se ampliar em torno de uma historiografia também enquadrada, muito bem amarrada, que prioriza tais acontecimentos como fatos marcantes de um século.

Associada a essa idéia de memória enquadrada, sobressai, ainda, nossa experiência de elegermos o nosso passado, de escolhermos os fatos que melhor caracterizam o nosso passado.

Selecionamos e interpretamos esses fatos com o intuito de vislumbrar imagens distintas do século XX. É como se o fato retornasse exatamente para nos auxiliar no entendimento do século XX, assim como defende Pierre Nora.

O retorno do fato e a concepção de memória enquadrada, ambos nos ajudam a articular uma definição para o século XX. Se tomarmos como exemplo o documentário brasileiro “Nós que aqui estamos, por vós esperamos”, dirigido por Marcelo Masagão, podemos entender de maneira bem específica como os fatos apresentados no documentário fazem parte de uma memória enquadrada, e como os mesmos perfazem um conjunto de fatos que elegemos e que constantemente são invocados para ajudar numa explicação do século XX.

Agora, se as 1ª e 2ª Guerras Mundiais, a Guerra Fria, movimentos fascistas e nazistas são ainda tão discutidos e necessários para um entendimento histórico das sociedades atuais, por que não podemos falar do cangaço, um movimento genuinamente brasileiro? Será que é por isso? Por ser brasileiro? Estaríamos ainda limitados por uma historiografia europeizada? Julgo que não.

Não há como discutir século XX em escala de Brasil, se esquecermos que o mesmo se caracterizou por governos fraudulentos, clientelistas, paternalistas, ditatoriais... Por movimentos sociais contra a estrutura política de então.

Não se justifica manter um certo preconceito intelectual acerca do cangaço, se os governos ditadores também foram responsáveis por uma série de mazelas em nossa sociedade. As ditaduras perfazem uma força que vem de cima... O cangaço, uma força que vem de baixo.

Se o caro anônimo insiste em esquecer o cangaço por identificá-lo exclusivamente como um movimento de cunho violento, divulgue sua tese para o mundo e tente fazê-lo esquecer também das Guerras Mundiais, da Guerra Fria, do Nazismo... Acredito que não obterás êxito.

Um povo que não sabe de onde veio, também não sabe para onde vai.

Anônimo disse...

Perdão, esqueci de me identificar no post acima.

Eloísa Farias

Anônimo disse...

Professoras Juliana Ischiara e Eloisa Farias, as mulheres dando show !!!! Sinto-me orgulhosa.
Mariana

Yuri Luna disse...

Concordo Mariana, as considerações e reflexões tanto da professora Juliana, quanto da professora Eloisa Farias, dignificam as mulheres! Temos acompanhado sempre a participação de vocês, mulheres, neste magnifico espaço que é o blog do Cariri Cangaço e pode ter certeza que realmente temos um show feminino de participação e as duas colaboradores citadas por vc nos trazem sempre artigos de qualidade impecável. Parabens a Juliana, a Eloisa e as mulheres, ocupando também lugar de destaque na confraria daqueles que elegeram a pesquisa e a defesa do temas nordestinos como meta para suas vidas. Parabéns, temos aprendido muito com as senhoras.

YURI

Mendes e Mendes disse...

Tenho acompanhado todas essas histórias. Mas para mim, não por maldade, mas já que aconteceram os fatos, feitos pelos cangaceiros, não podemos mais esquecê-los. Por tanto eu muito gosto de ler a literatura lampiônica. José Mendes Pereira - Mossoró - Rio Grande do Norte.

Mendes e Mendes disse...

Ilustre escritor João de Sousa Lima: Não sou um intelectual, mas tenho que lhe dizer que a sua palavra chamando o desconhecido de imbecil, foi mais do que merecido. Quem é que não quer chegar aos cem anos de vida, como chegou o cangaceiro Moreno? Sei que ele nada fez de bom, mas não tenho nada a me opor, uma vez que quem fez as atrocidades, foi Moreno, e não eu. Parabéns mais uma vez pela sua cultura, sua inteligência, suas boas pesquisas sobre o cangaço do nordeste brasileiro. José Mendes Pereira - Mossoró - Rio Grande do Norte.

Mendes e Mendes disse...

O ilustre professor que enviou este e-mail para o Cariri Cangaço, ao meu ver, ele não entende de nada sobre educação. Já se falam que a literatura lampiônica, no futuro terá o seu espaço em sala de aula. Eu gostaria de saber do mestre: Qual é a matéria que o senhor leciona em sala de aula? Será Religião? Se for, o senhor tem razão. Do contrário, procure com urgência outra profissão. - J. M. P. - Rio Grande do Norte.

Mendes e Mendes disse...

Não sei se a moça de nome Juliana Ischiara já faz parte da sociedade brasileira de estudos do cangaço. Mas lendo os seus escritos, fiquei certo de que ela é uma ótima escritora. Parabén Juliana, você tem de bom o que muitos não tem. Palavras diretas ao assunto, sem muito arrodeio. José Mendes Pereira - Mossoró - Rio Grande do Norte.

Juliana Ischiara disse...

Mariana e Yuri Lima,

Agradeço suas palavras gentis, as recebo como carinho e incentivo para continuar nas estradas da história, buscando não só entender a sociedade em que vivemos, mas esclarecer as nuanças ainda obscuras. Penso que esta deva ser a obrigação daqueles que se propõem a aventurar-se no universo das pesquisas históricas, principalmente quando o objeto de pesquisa é tão complexo e intrigante como o cangaço.

José Mendes,

Dedico as mesmas palavras acima escritas. Obrigada por sua análise acerca da minha colaboração para com a história. Sim, sou sócia da SBEC, fui diplomada no último Cariri Cangaço, fato que me deixou muito honrada e feliz, pois considero a instituição como sendo de fundamental importância na defesa de nossa cultura nordestina. Aliás, aproveito este espaço e suas palavras para parabenizar meus confrades mossoroenses, inclusive você, que são exímios defensores da cultura nordestina e em especial, excelentes pesquisadores da saga cangaceira.

Saudações cangaceiras

Juliana Ischiara

Anônimo disse...

Amigo Severo e confrades da SBEC, além dos demais que postaram seus comentários.
Corrroboro as palavras de todo(a)s os que se pronunciaram positivamente, acima, com relação à SBEC e ao Cariri Cangaço.
Todo(a)s estamos sujeitos à críticas e pasíveis de compreensão e incompreensões.
A entidade e o evento estão acima de picuinhas e devem continuar seus trabalhos de pesquisas e divulgação da História, Sociologia e Cultura do Nordeste e do Brasil.
Vamos em frente, confrades.
Kydelmir Dantas
Mossoró - RN

Anônimo disse...

Confrade Kydelmir, parabenizo-o e vou me unir as suas palavras: o Cariri Cangaço e a Sociedade Do Cangaço estão muito acima de picuinhas e o blog do Cariri Cangaço é a prova real do que falamos. A Kydelmir e aos amigos, grande abraço.

Professor Alberto Lima