Um pouco deste Ferraz; o Geraldo. Por: Lampião Aceso

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Geraldo Ferraz e Bosco André em manhã de Aurora

"Vamos saber como se sucedeu este abraço?
O meu primeiro contato com o cangaço se deu 1967/68. Eu estava jogando bola em frente a nossa residência em Gravatá/PE quando chega uma cidadã num carro muito bonito, ai sabe como é curiosidade de garoto automóvel no sertão já era raro de se ver e novo então?
Ela estava à procura do meu pai e aí coloquei a bola embaixo do braço e me aproximei, fiquei quieto, atento a conversa que se iniciava. Então descubro que aquela senhora chamava-se Aglae Lima de Oliveira, era pesquisadora, estava ali procura de informações e fotos sobre o cangaço....

E claro, porém eu não fazia idéia de ela buscava subsídios para um capitulo em especial que era a história do meu avô. O homem que prendeu Antonio Silvino e o levou até a detenção no Recife alem de ter perseguido muitos outros cangaceiros inclusive ferindo o próprio Lampião no pé. Bom, depois de presenciar toda a conversa e depoimentos do meu pai eu fiquei impressionado e instigado.



Geraldo Ferraz e seu inconfundível talento para a alegria, por ocasião da visita aos engenhos de Barbalha.


Recordo como ontem que havia uma fotografia do meu avô no corredor da nossa casa. Na foto ele nos fitava com um olhar austero que acompanhava quem passava por ali. E de repente eu o olho novamente só que agora sabendo de tantos feitos que envolveram a vida daquele homem. Eis ali o meu ídolo que acabara de nascer graças a uma visita da saudosa Aglae.

Anos depois eu já morando em Recife adquiro meu primeiro livro, Guerreiros do Sol de Frederico Pernambucano de Mello e depois de deleitar naquela obra eu resolvi que iria escrever a história do meu avô Theophanes Torres Ferraz, pois na época quase setenta anos depois de falecido conhecendo a fundo sua trajetória e diante de outras obras que eu também pude ler considerei que ele estava na “sarjeta” e era preciso colocá-lo no patamar dos verdadeiros heróis daquela história."

Trecho da fantástica entrevistra concedida pelo amigo Geraldo Ferraz a este talentoso Kiko Monteiro, por ocasião do Cariri Cangaço 2010. Para ver toda a entrevista e conhecer um pouquinho mais deste "arretado" Geraldão Ferraz, visite o maravilhoso blog do lampião aceso:


Abraço fraterno ao amigo querido Geraldo Ferraz e a Kiko Monteiro

Manoel Severo
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Um comentário:

Marcos Assunção disse...

Conheço a obra do escritor Geraldo Ferraz, um dos mais primorosos livros do tema cangaço, principalmente porque nos traz a saga de um dos maiores comandantes de volantes, variando o comum que é versar apenas sobre a ação dos cangaceiros.Parabens ao escritor.

Assunção